Publicação
Efeito da atividade física na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida: um estudo em idosos de Salvador, Bahia, Brasil
| Resumo: | A prática regular de atividade física é considerada uma estratégia de promoção a saúde, de fácil acesso, baixo custo e raros efeitos colaterais. Diversos estudos têm indicado que o efeito da prática de atividade física pode ser benéfico na saúde mental dos idosos. Neste contexto, o objetivo principal do presente estudo foi verificar o efeito da prática de atividade física na saúde mental de idosos brasileiros, tendo por objetivos específicos, verificar o efeito das variáveis sociodemográficas, dos diferentes programas de atividade física e dos níveis de atividade física na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida, e também determinar os fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão. O presente estudo pode ser caracterizado como quasi experimental, descritivo, de abordagem quantitativa, transversal e longitudinal. Este trabalho foi organizado em 04 estudos, nomeadamente, Estudo 1: O efeito das variáveis sociodemográficas na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida em idosos; Estudo 2: O efeito de diferentes programas de atividade física na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida em idosos; Estudo 3: O efeito e a interação dos diferentes níveis de atividade física na função cognitiva e depressão em idosos; Estudo 4: Fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão em idosos. O delineamento metodológico nos Estudos 1 e 4 foi de caráter transversal, os estudos 2 e 3, de caráter longitudinal, realizados por um período de 35 semanas. Foi utilizada uma amostra de conveniência constituída por 465 idosos provenientes de uma amostra inicial de 500 idosos, residentes na cidade de Salvador, capital da Bahia, Brasil, sendo 29,5% dos participantes do gênero masculino e 70,5% do gênero feminino. As idades foram compreendidas entre 60 e 93 anos (média de 69,93±6,63). Os instrumentos utilizados para identificação das variáveis independentes (variáveis sociodemográficas, tipos e níveis de atividade física), foram um questionário sociodemográfico e o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) versão longa. Para avaliação das variáveis dependentes (função cognitiva, depressão e satisfação com a vida) foram utilizados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), o Beck Depression Inventory 2nd version (BDI-II) e a Escala de Satisfação com a Vida (ESV), respectivamente. Para verificar o efeito das variáveis sociodemográficas (Estudo 1), foi aplicado o modelo geral linear (GLM) introduzindo no modelo a idade, como covariável e realizou-se uma MANCOVA; para verificar o efeito dos diferentes programas de atividade física (Estudo 2) e o efeito e interação dos diferentes níveis de atividade física (Estudo 3) nos três momentos avaliativos foi aplicado o modelo geral linear (GLM) introduzindo no modelo a idade, como covariável e realizou-se uma MANCOVA de medidas repetidas. E para identificar os fatores de risco ao declínio cognitivo e depressão (Estudo 4) foi realizado o teste qui quadrado (χ2) e assim verificar a associação entre as variáveis independentes e dependentes, posteriormente, foi aplicado um modelo de regressão logística binária para identificar os fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão. Os resultados indicaram no Estudo 1 que os níveis mais elevados de escolaridade demonstraram melhor desempenho na função cognitiva e reduzidos valores na depressão, enquanto que ter companheiro/a revelaram níveis superiores de satisfação com a vida. No Estudo 2, foi evidenciado que os diferentes programas de atividade física não apresentaram efeito significativo na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida, mas a prática regular de atividade física demonstrou efeito significativo nestas variáveis. No Estudo 3, os resultados sugeriram que o nível ativo de atividade física revelou efeito significativo na função cognitiva e na depressão. No Estudo 4, evidenciou-se que pertencer ao gênero feminino foi fator de risco à depressão, enquanto que o nível ativo de atividade física demonstrou efeito protetor à função cognitiva. Concluímos que no presente estudo, as variáveis sociodemográficas, nomeadamente, a escolaridade exerceu efeito significativo na função cognitiva e depressão; a situação conjugal foi significativa para satisfação com a vida; e pertencer ao gênero feminino foi fator de risco para a depressão. Também foi evidenciado que indepententemente do tipo de programa de atividade física, a prática regular de atividade física exerceu efeito significativo benéfico na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida e foi fator protetor da função cognitiva dos idosos brasileiros. Então, em oposição ao sedentarismo, a prática de atividade física moderada, independentemente do tipo de atividade, potencia a saúde mental do idoso. Portanto, implementar programas de atividade física para idosos deve ser uma das maiores prioridades das políticas públicas de promoção à saúde da população idosa no Brasil, uma vez que manter um indivíduo idoso ativo pode significar a promoção de um envelhecimento saudável para a população brasileira. |
|---|---|
| Autores principais: | Santos, Edivana Almeida Aguiar dos |
| Assunto: | Envelhecimento Idosos Atividade física Depressão Variáveis sociodemográficas Função cognitiva Satisfação com a vida |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A prática regular de atividade física é considerada uma estratégia de promoção a saúde, de fácil acesso, baixo custo e raros efeitos colaterais. Diversos estudos têm indicado que o efeito da prática de atividade física pode ser benéfico na saúde mental dos idosos. Neste contexto, o objetivo principal do presente estudo foi verificar o efeito da prática de atividade física na saúde mental de idosos brasileiros, tendo por objetivos específicos, verificar o efeito das variáveis sociodemográficas, dos diferentes programas de atividade física e dos níveis de atividade física na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida, e também determinar os fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão. O presente estudo pode ser caracterizado como quasi experimental, descritivo, de abordagem quantitativa, transversal e longitudinal. Este trabalho foi organizado em 04 estudos, nomeadamente, Estudo 1: O efeito das variáveis sociodemográficas na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida em idosos; Estudo 2: O efeito de diferentes programas de atividade física na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida em idosos; Estudo 3: O efeito e a interação dos diferentes níveis de atividade física na função cognitiva e depressão em idosos; Estudo 4: Fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão em idosos. O delineamento metodológico nos Estudos 1 e 4 foi de caráter transversal, os estudos 2 e 3, de caráter longitudinal, realizados por um período de 35 semanas. Foi utilizada uma amostra de conveniência constituída por 465 idosos provenientes de uma amostra inicial de 500 idosos, residentes na cidade de Salvador, capital da Bahia, Brasil, sendo 29,5% dos participantes do gênero masculino e 70,5% do gênero feminino. As idades foram compreendidas entre 60 e 93 anos (média de 69,93±6,63). Os instrumentos utilizados para identificação das variáveis independentes (variáveis sociodemográficas, tipos e níveis de atividade física), foram um questionário sociodemográfico e o International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) versão longa. Para avaliação das variáveis dependentes (função cognitiva, depressão e satisfação com a vida) foram utilizados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), o Beck Depression Inventory 2nd version (BDI-II) e a Escala de Satisfação com a Vida (ESV), respectivamente. Para verificar o efeito das variáveis sociodemográficas (Estudo 1), foi aplicado o modelo geral linear (GLM) introduzindo no modelo a idade, como covariável e realizou-se uma MANCOVA; para verificar o efeito dos diferentes programas de atividade física (Estudo 2) e o efeito e interação dos diferentes níveis de atividade física (Estudo 3) nos três momentos avaliativos foi aplicado o modelo geral linear (GLM) introduzindo no modelo a idade, como covariável e realizou-se uma MANCOVA de medidas repetidas. E para identificar os fatores de risco ao declínio cognitivo e depressão (Estudo 4) foi realizado o teste qui quadrado (χ2) e assim verificar a associação entre as variáveis independentes e dependentes, posteriormente, foi aplicado um modelo de regressão logística binária para identificar os fatores de risco associados ao declínio cognitivo e à depressão. Os resultados indicaram no Estudo 1 que os níveis mais elevados de escolaridade demonstraram melhor desempenho na função cognitiva e reduzidos valores na depressão, enquanto que ter companheiro/a revelaram níveis superiores de satisfação com a vida. No Estudo 2, foi evidenciado que os diferentes programas de atividade física não apresentaram efeito significativo na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida, mas a prática regular de atividade física demonstrou efeito significativo nestas variáveis. No Estudo 3, os resultados sugeriram que o nível ativo de atividade física revelou efeito significativo na função cognitiva e na depressão. No Estudo 4, evidenciou-se que pertencer ao gênero feminino foi fator de risco à depressão, enquanto que o nível ativo de atividade física demonstrou efeito protetor à função cognitiva. Concluímos que no presente estudo, as variáveis sociodemográficas, nomeadamente, a escolaridade exerceu efeito significativo na função cognitiva e depressão; a situação conjugal foi significativa para satisfação com a vida; e pertencer ao gênero feminino foi fator de risco para a depressão. Também foi evidenciado que indepententemente do tipo de programa de atividade física, a prática regular de atividade física exerceu efeito significativo benéfico na função cognitiva, depressão e satisfação com a vida e foi fator protetor da função cognitiva dos idosos brasileiros. Então, em oposição ao sedentarismo, a prática de atividade física moderada, independentemente do tipo de atividade, potencia a saúde mental do idoso. Portanto, implementar programas de atividade física para idosos deve ser uma das maiores prioridades das políticas públicas de promoção à saúde da população idosa no Brasil, uma vez que manter um indivíduo idoso ativo pode significar a promoção de um envelhecimento saudável para a população brasileira. |
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