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O Bem-Estar Psicológico em Adolescentes: uma abordagem centrada no florescimento humano

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Resumo:O domínio de investigação da dinâmica psicológica do bem‐estar constitui‐se, actualmente, por duas perspectivas que se organizam em torno de dois modelos, que apesar de comungarem do mesmo objecto de estudo, possuem distintas géneses, percursos e orientações teórico‐empíricas. O primeiro, denominado de Bem‐Estar Subjectivo, possui em Ed Diener o seu principal investigador e sistematizador, pelo que esta área visa, primordialmente, a compreensão da dimensão afectiva (felicidade) e cognitiva (satisfação com a vida) da avaliação subjectiva que cada indivíduo faz das suas experiências de vida. Por sua vez, o segundo modelo intitulado de Bem‐Estar Psicológico, foi concebido por Carol Ryff com base em diversas concepções da autorealização e crescimento pessoal, propondo um modelo multidimensional de funcionamento psicológico positivo constituído por seis dimensões: autonomia, domínio do meio, crescimento pessoal, relações positivas com os outros, objectivos na vida e aceitação de si. Tendo em consideração simultânea a idiossincrasia própria do bem‐estar durante a adolescência e a prevalência da abordagem psicopatológica deste construto durante este período de vida, o presente estudo pretendeu compreender a dinâmica desenvolvimentista da personalidade, felicidade e saúde mental dos adolescentes, tendo por base de argumentação e entendimento do quadro empírico obtido, o desenvolvimento do seu funcionamento psicológico – florescimento humano. Num primeiro momentoe dada a ausência de instrumentos especificamente desenvolvidos e validados para o efeito, efectuámos quatro estudos de adaptação e análise das características psicométricas das escalas de Ryff (1989b) em amostras adolescentes, o que possibilitou o desenvolvimento de uma versão adequada ao nível psicométrico e semântico. Num segundo momento, estas escalas de bem‐estar psicológico conjuntamente com outras medidas de avaliação biológica, psicológica e sociocultural (sexo, idade, local de residência, estatuto socioeconómico, número de irmãos, posição ordinal na fratria, estrutura familiar, relação com os pais, prática religiosa, religiosidade, satisfação corporal, ansiedade social, satisfação escolar e auto‐estima), foram respondidas por uma amostra de 698 adolescentes (381 raparigas e 317 rapazes) com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos (M=15.02; DP=1.83). Uma primeira análise descritiva do valor do bem‐estar global ao longo da adolescência indiciou uma evolução não uniforme desta dimensão à medida que a idade dos adolescentes avança, apresentando‐se períodos alternados de menor e maior bem‐estar. Não obstante, somente 3 em cada 10 (30.5%) adolescentes cumpriu o critério de florescimento psicológico, traduzido por elevados níveis de funcionamento psicológico positivo. Ao nível da análise inferencial, diferentes variáveis apresentaram‐se como importantes correlatos e predictores, pelo que a análise de regressão múltipla hierárquica permitiu explicar cerca de 37% da variância do bem‐estar psicológico (R2 ajustado=0.357), destacando‐se os seguintes factores significativos de influência: biológico – idade (β=0.114) e sexo (β=0.077); psicológico – auto‐estima (β=0.514), satisfação escolar (β=0.132) e ansiedade social (β= ‐0.120); e, sociocultural – relação com os pais (β=0.142), estrutura familiar (β= ‐0.075) e local de residência (β=0.058). No global, esta miríade de resultados interpretados à luz do modelo ecológico de Vasconcelos‐Raposo (1993) e sustentados nos princípios da psicologia cultural, permitiu a identificação e caracterização das configurações específicas das dimensões do bem‐estar psicológico durante a adolescência, devidamente alicerçadas numa perspectiva de florescimento humano.
Autores principais:Fernandes, Hélder Miguel Graça
Assunto:Bem estar psicológico Adolescentes Modelo ecológico Florescimento Humano
Ano:2007
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O domínio de investigação da dinâmica psicológica do bem‐estar constitui‐se, actualmente, por duas perspectivas que se organizam em torno de dois modelos, que apesar de comungarem do mesmo objecto de estudo, possuem distintas géneses, percursos e orientações teórico‐empíricas. O primeiro, denominado de Bem‐Estar Subjectivo, possui em Ed Diener o seu principal investigador e sistematizador, pelo que esta área visa, primordialmente, a compreensão da dimensão afectiva (felicidade) e cognitiva (satisfação com a vida) da avaliação subjectiva que cada indivíduo faz das suas experiências de vida. Por sua vez, o segundo modelo intitulado de Bem‐Estar Psicológico, foi concebido por Carol Ryff com base em diversas concepções da autorealização e crescimento pessoal, propondo um modelo multidimensional de funcionamento psicológico positivo constituído por seis dimensões: autonomia, domínio do meio, crescimento pessoal, relações positivas com os outros, objectivos na vida e aceitação de si. Tendo em consideração simultânea a idiossincrasia própria do bem‐estar durante a adolescência e a prevalência da abordagem psicopatológica deste construto durante este período de vida, o presente estudo pretendeu compreender a dinâmica desenvolvimentista da personalidade, felicidade e saúde mental dos adolescentes, tendo por base de argumentação e entendimento do quadro empírico obtido, o desenvolvimento do seu funcionamento psicológico – florescimento humano. Num primeiro momentoe dada a ausência de instrumentos especificamente desenvolvidos e validados para o efeito, efectuámos quatro estudos de adaptação e análise das características psicométricas das escalas de Ryff (1989b) em amostras adolescentes, o que possibilitou o desenvolvimento de uma versão adequada ao nível psicométrico e semântico. Num segundo momento, estas escalas de bem‐estar psicológico conjuntamente com outras medidas de avaliação biológica, psicológica e sociocultural (sexo, idade, local de residência, estatuto socioeconómico, número de irmãos, posição ordinal na fratria, estrutura familiar, relação com os pais, prática religiosa, religiosidade, satisfação corporal, ansiedade social, satisfação escolar e auto‐estima), foram respondidas por uma amostra de 698 adolescentes (381 raparigas e 317 rapazes) com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos (M=15.02; DP=1.83). Uma primeira análise descritiva do valor do bem‐estar global ao longo da adolescência indiciou uma evolução não uniforme desta dimensão à medida que a idade dos adolescentes avança, apresentando‐se períodos alternados de menor e maior bem‐estar. Não obstante, somente 3 em cada 10 (30.5%) adolescentes cumpriu o critério de florescimento psicológico, traduzido por elevados níveis de funcionamento psicológico positivo. Ao nível da análise inferencial, diferentes variáveis apresentaram‐se como importantes correlatos e predictores, pelo que a análise de regressão múltipla hierárquica permitiu explicar cerca de 37% da variância do bem‐estar psicológico (R2 ajustado=0.357), destacando‐se os seguintes factores significativos de influência: biológico – idade (β=0.114) e sexo (β=0.077); psicológico – auto‐estima (β=0.514), satisfação escolar (β=0.132) e ansiedade social (β= ‐0.120); e, sociocultural – relação com os pais (β=0.142), estrutura familiar (β= ‐0.075) e local de residência (β=0.058). No global, esta miríade de resultados interpretados à luz do modelo ecológico de Vasconcelos‐Raposo (1993) e sustentados nos princípios da psicologia cultural, permitiu a identificação e caracterização das configurações específicas das dimensões do bem‐estar psicológico durante a adolescência, devidamente alicerçadas numa perspectiva de florescimento humano.