Publicação
Despiste precoce de displasia da anca: uma outra perspectiva sobre o diagnóstico radiológico da displasia da anca
| Resumo: | A Displasia da Anca (DA) é uma doença ortopédica, de natureza hereditária, que afecta maioritariamente cães de porte grande e gigante, que se caracteriza por uma falta de congruência entre a cabeça femoral e a cavidade acetabular e que leva invariavelmente à instauração de osteoartrite na articulação coxofemoral e a um consequente desconforto que se traduz na perda de qualidade de vida do animal afectado. O despiste oficial de DA é realizado em Portugal segundo os critérios da Federação Cinológica Internacional (FCI) ao ano de idade, no entanto, o despiste realizado em idades precoces traria um sem número de vantagens, já que além de permitir selecionar animais livres de displasia para reprodução, permitiria também atuar bem mais cedo no tratamento dos animais displásicos, nomeadamente através de cirurgias consideradas preventivas e que apenas podem ser realizadas em idades muito jovens. Aldo Vezzoni desenvolveu um despiste precoce que se destaca do PennHip porque visa o eventual tratamento precoce e não o controlo da doença. Para o efeito, além da lassidão articular passiva, avalia também a lassidão articular funcional ao englobar no seu exame uma outra variável, o ângulo do rebordo acetabular dorsal, esperando-se deste modo que as previsões sejam mais precisas que as encontradas segundo o outro método. De forma a compreendermos melhor o que pensam os médicos veteriários especializados em animais de companhia sobre o despiste de displasia da anca e mais precisamente sobre o despiste precoce, realizámos um pequeno inquérito que foi disponibilizado num círculo de profissionais, com o intuito de nos ajudar a definir quais seriam os objectivos a alcançar com a realização deste trabalho. Deste inquérito realizado a 49 profissionais, concluiu-se que apenas um terço dos inquiridos realiza exame radiográfico de despiste de DA em raças de porte médio, grande e gigante uma vez atingido o ano de idade e 83% destes afirmou não realizar o despiste precoce, apesar de 100% dos inquiridos considerar que se trata de uma técnica útil. De referir que a dificuldade sentida na realização do despiste e na interpretação dos resultados foram a principal razão apontada para a não realização desta técnica. Neste trabalho foram analizados 19 casos clínicos de animais avaliados com o diagnóstico precoce de displasia da anca com idades compreendidas entre as 19 e as 28 semanas e com a estimativa do grau de displasia que cada animal atingiria em idade. Esta classificação foi também comparada com a classificação definitiva obtida após o ano de idade. As previsões concordaram com a classificação definitiva em 91,67% dos casos o que permite concluir que este despiste precoce apresenta resultados bastante fidedignos, uma vez que prevê com grande exactidão qual o grau de displasia que irá o animal estudado alcançar ao atingir a idade adulta. A outra grande utilidade desta técnica está no facto de permitir também colocar em prática técnicas cirúrgicas como a osteotomia pélvica tripla, osteotomia pélvica dupla e sinfisiodese púbica juvenil, que levam a uma estabilização ou a um atraso na progressão da osteoartrite no animal displásico, as quais, sem um diagnóstico tão precoce, não poderiam ser opções. |
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| Autores principais: | Silva, Ricardo Filipe Fonseca |
| Assunto: | Cão Displasia da anca Diagnóstico precoce Cirurgia preventiva |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A Displasia da Anca (DA) é uma doença ortopédica, de natureza hereditária, que afecta maioritariamente cães de porte grande e gigante, que se caracteriza por uma falta de congruência entre a cabeça femoral e a cavidade acetabular e que leva invariavelmente à instauração de osteoartrite na articulação coxofemoral e a um consequente desconforto que se traduz na perda de qualidade de vida do animal afectado. O despiste oficial de DA é realizado em Portugal segundo os critérios da Federação Cinológica Internacional (FCI) ao ano de idade, no entanto, o despiste realizado em idades precoces traria um sem número de vantagens, já que além de permitir selecionar animais livres de displasia para reprodução, permitiria também atuar bem mais cedo no tratamento dos animais displásicos, nomeadamente através de cirurgias consideradas preventivas e que apenas podem ser realizadas em idades muito jovens. Aldo Vezzoni desenvolveu um despiste precoce que se destaca do PennHip porque visa o eventual tratamento precoce e não o controlo da doença. Para o efeito, além da lassidão articular passiva, avalia também a lassidão articular funcional ao englobar no seu exame uma outra variável, o ângulo do rebordo acetabular dorsal, esperando-se deste modo que as previsões sejam mais precisas que as encontradas segundo o outro método. De forma a compreendermos melhor o que pensam os médicos veteriários especializados em animais de companhia sobre o despiste de displasia da anca e mais precisamente sobre o despiste precoce, realizámos um pequeno inquérito que foi disponibilizado num círculo de profissionais, com o intuito de nos ajudar a definir quais seriam os objectivos a alcançar com a realização deste trabalho. Deste inquérito realizado a 49 profissionais, concluiu-se que apenas um terço dos inquiridos realiza exame radiográfico de despiste de DA em raças de porte médio, grande e gigante uma vez atingido o ano de idade e 83% destes afirmou não realizar o despiste precoce, apesar de 100% dos inquiridos considerar que se trata de uma técnica útil. De referir que a dificuldade sentida na realização do despiste e na interpretação dos resultados foram a principal razão apontada para a não realização desta técnica. Neste trabalho foram analizados 19 casos clínicos de animais avaliados com o diagnóstico precoce de displasia da anca com idades compreendidas entre as 19 e as 28 semanas e com a estimativa do grau de displasia que cada animal atingiria em idade. Esta classificação foi também comparada com a classificação definitiva obtida após o ano de idade. As previsões concordaram com a classificação definitiva em 91,67% dos casos o que permite concluir que este despiste precoce apresenta resultados bastante fidedignos, uma vez que prevê com grande exactidão qual o grau de displasia que irá o animal estudado alcançar ao atingir a idade adulta. A outra grande utilidade desta técnica está no facto de permitir também colocar em prática técnicas cirúrgicas como a osteotomia pélvica tripla, osteotomia pélvica dupla e sinfisiodese púbica juvenil, que levam a uma estabilização ou a um atraso na progressão da osteoartrite no animal displásico, as quais, sem um diagnóstico tão precoce, não poderiam ser opções. |
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