Publicação
Desenvolvimento turístico sustentável em pequenas cidades históricas: o caso de Lamego
| Resumo: | A partir dos anos 80 do século XX o património alcançou, enquanto produto turístico, um lugar de destaque. A procura turística aumentou de modo muito significativo e muitos locais, detentores de recursos patrimoniais, desejaram afirmar-se enquanto destinos histórico-patrimoniais. Como seria expectável, as cidades históricas tornaram-se o palco privilegiado das ações de requalificação para fins turísticos, por um lado, devido à concentração de bens patrimoniais que conservavam, por outro lado, pelo facto de muitas cidades se terem visto sem soluções de desenvolvimento. Em todo este processo, diversos monumentos e cidades históricas sofreram impactos negativos (culturais, económicos e sociais), fruto de um crescimento não planeado que trouxe, entre outros fatores, a degradação dos recursos e colocou em causa a própria viabilidade do destino patrimonial. É, neste enquadramento (principalmente depois das diretrizes emanadas na cimeira da terra), que vimos surgir uma nova filosofia de gestão baseada no desenvolvimento turístico sustentável (DTS), tendo como ponto de partida o envolvimento de todas as partes interessadas. Através da revisão da literatura, tivemos oportunidade de verificar que existem diversos estudos acerca do DTS, em geral, mas são escassos os que se referem a este conceito na sua aplicação ao património, principalmente no caso Português. O estudo que aqui se apresenta pretende compreender as perceções e atitudes dos diversos stakeholders face ao DTS em pequenas cidades históricas. O estudo foi aplicado a uma cidade histórica do norte de Portugal (Lamego) que integra a delimitação do Douro Património da Humanidade. Foi realizada uma investigação a cinco grupos de stakeholders, através de diversas abordagens metodológicas: abordagem quantitativa (inquirição por questionário a visitantes e residentes; análise uni, bi e multivariada) e abordagem qualitativa (entrevistas estruturadas a gestores do património, entidades públicas locais e operadores turísticos; análise de conteúdo). Através da análise dos dados recolhidos podemos concluir que os elementos que menos contribuem para o DTS nesta cidade, passam pela falta de informação acerca das características dos visitantes; a escassez de diálogo e colaboração entre as diversas partes interessadas, principalmente no que diz respeito ao envolvimento da comunidade local. Como forma de dar resposta a debilidades apresentadas, propomos: a operacionalização dos princípios da sustentabilidade nos programas de DTS da cidade, principalmente no que diz respeito ao estabelecimento de plataformas de comunicação entre os diversos grupos de stakeholders; a inclusão da comunidade local em todos os processos; uma maior atenção relativamente às necessidades dos visitantes; e a implementação de modelos de gestão integradores e proactivos para o património Lamecense. Os resultados deste estudo, bem como as propostas e sugestões elaboradas, poderão ser úteis para os responsáveis pela política local, para os investidores privados e para as instituições responsáveis pela preservação e valorização do património, na medida em que chamam a atenção para os constrangimentos existentes, apontando diversos caminhos que poderão, eventualmente, contribuir para a implementação de um desenvolvimento sustentável deste destino turístico-patrimonial. |
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| Autores principais: | Vieira, Isabel Cristina Pereira |
| Assunto: | Turismo sustentável Gestão Lamego (Distrito de Viseu, Portugal) Desenvolvimento sustentável Património histórico |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A partir dos anos 80 do século XX o património alcançou, enquanto produto turístico, um lugar de destaque. A procura turística aumentou de modo muito significativo e muitos locais, detentores de recursos patrimoniais, desejaram afirmar-se enquanto destinos histórico-patrimoniais. Como seria expectável, as cidades históricas tornaram-se o palco privilegiado das ações de requalificação para fins turísticos, por um lado, devido à concentração de bens patrimoniais que conservavam, por outro lado, pelo facto de muitas cidades se terem visto sem soluções de desenvolvimento. Em todo este processo, diversos monumentos e cidades históricas sofreram impactos negativos (culturais, económicos e sociais), fruto de um crescimento não planeado que trouxe, entre outros fatores, a degradação dos recursos e colocou em causa a própria viabilidade do destino patrimonial. É, neste enquadramento (principalmente depois das diretrizes emanadas na cimeira da terra), que vimos surgir uma nova filosofia de gestão baseada no desenvolvimento turístico sustentável (DTS), tendo como ponto de partida o envolvimento de todas as partes interessadas. Através da revisão da literatura, tivemos oportunidade de verificar que existem diversos estudos acerca do DTS, em geral, mas são escassos os que se referem a este conceito na sua aplicação ao património, principalmente no caso Português. O estudo que aqui se apresenta pretende compreender as perceções e atitudes dos diversos stakeholders face ao DTS em pequenas cidades históricas. O estudo foi aplicado a uma cidade histórica do norte de Portugal (Lamego) que integra a delimitação do Douro Património da Humanidade. Foi realizada uma investigação a cinco grupos de stakeholders, através de diversas abordagens metodológicas: abordagem quantitativa (inquirição por questionário a visitantes e residentes; análise uni, bi e multivariada) e abordagem qualitativa (entrevistas estruturadas a gestores do património, entidades públicas locais e operadores turísticos; análise de conteúdo). Através da análise dos dados recolhidos podemos concluir que os elementos que menos contribuem para o DTS nesta cidade, passam pela falta de informação acerca das características dos visitantes; a escassez de diálogo e colaboração entre as diversas partes interessadas, principalmente no que diz respeito ao envolvimento da comunidade local. Como forma de dar resposta a debilidades apresentadas, propomos: a operacionalização dos princípios da sustentabilidade nos programas de DTS da cidade, principalmente no que diz respeito ao estabelecimento de plataformas de comunicação entre os diversos grupos de stakeholders; a inclusão da comunidade local em todos os processos; uma maior atenção relativamente às necessidades dos visitantes; e a implementação de modelos de gestão integradores e proactivos para o património Lamecense. Os resultados deste estudo, bem como as propostas e sugestões elaboradas, poderão ser úteis para os responsáveis pela política local, para os investidores privados e para as instituições responsáveis pela preservação e valorização do património, na medida em que chamam a atenção para os constrangimentos existentes, apontando diversos caminhos que poderão, eventualmente, contribuir para a implementação de um desenvolvimento sustentável deste destino turístico-patrimonial. |
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