Publicação
Complicações após implantação de válvula aórtica transcateter na pessoa em situação crítica
| Resumo: | Enquadramento: A implantação da válvula aórtica transcateter (TAVI) é um procedimento que nasceu em França, no ano de 2002. Em Portugal foi regulado pela Direção-Geral da Saúde em 2013. É uma técnica que tem evoluído ao longo dos anos de forma positiva, com cariz ético, dado que acrescenta tratamento alternativo e uma nova esperança no tratamento da pessoa com estenose aórtica (EA) grave, sintomática e com risco cirúrgico alto. A literatura mais recente tem mostrado a eficácia e segurança da TAVI no tratamento da pessoa com EA grave, sintomática, com diferentes níveis de risco cirúrgico. As complicações após TAVI têm sido descritas e caracterizadas ao longo dos anos. Objetivos: Analisar as complicações na pessoa em situação crítica (PSC), internada numa Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia (UCI-C) após TAVI transfemoral (TF). Métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva de dados significativos da PSC com EA grave, sintomática e com alto risco cirúrgico que foi internada na UCI-C após TAVI TF, entre o dia 01 de janeiro de 2016 e 30 de setembro de 2019. Trata-se de um estudo quantitativo, retrospetivo e descritivo, que decorreu em um centro de referência de cardiologia de intervenção estrutural, de um hospital central, do norte de Portugal. Foram analisados os dados referentes a 304 PSC, de acordo com os critérios da Valve Academic Research Consortium-2 (VARC-2). Resultados: Realizaram-se 304 TAVI TF sendo 10,9% procedimentos Valve in Valve e 1% Transcatheter Aortic Valve in Transcatheter Aortic Valve. A idade média foi 80,4±8 anos, 53,6% foram mulheres, com índice de massa corporal médio de 26,4±4,3. Em 68,4% o procedimento foi eletivo, com a pessoa a ser proveniente do domicílio. As complicações mais frequentes foram os distúrbios de condução (52,3%), a complicação do acesso vascular minor (20,7%), a hemorragia minor (18,4%) e o leak periprotésico moderado ou grave (16,4%). O tempo médio de permanência na UCI-C após TAVI TF foi de 3,5±2,6 dias. A taxa de mortalidade durante o internamento na UCI-C foi de 0,3% (uma PSC). Conclusão: As complicações identificadas durante o internamento da UCI-C após TAVI TF mostraram a eficácia e segurança da técnica TAVI. Foi encontrada associação estatisticamente significativa entre os antecedentes pessoais da PSC como os distúrbios de condução, o tabagismo e a cirurgia cardíaca prévia, exceto se Coronary Artery Bypass Grafting (CABG) isolada, com a ocorrência de novos distúrbios de condução e os antecedentes pessoais de IRC tiveram associação estatisticamente significativa com o desenvolvimento de IRA. O tempo de internamento na UCI-C e o tempo de permanência total hospitalar, após TAVI TF, aumentaram com a existência de complicações como hemorragia e complicações do acesso vascular. A TAVI conquistou o seu espaço no tratamento da EA e o seu sucesso é um somatório entre o trabalho da Heart Team, experiência dos profissionais, evolução técnica e tecnológica. Reforçamos a necessidade de dar continuidade a este estudo, com a identificação das complicações no bloco de cardiologia invasiva e das complicações a longo prazo. |
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| Autores principais: | Ferreira, Carlos Manuel Branco |
| Assunto: | Implantação de válvula aórtica transcateter / Válvula aórtica percutânea Estenose aórtica |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Enquadramento: A implantação da válvula aórtica transcateter (TAVI) é um procedimento que nasceu em França, no ano de 2002. Em Portugal foi regulado pela Direção-Geral da Saúde em 2013. É uma técnica que tem evoluído ao longo dos anos de forma positiva, com cariz ético, dado que acrescenta tratamento alternativo e uma nova esperança no tratamento da pessoa com estenose aórtica (EA) grave, sintomática e com risco cirúrgico alto. A literatura mais recente tem mostrado a eficácia e segurança da TAVI no tratamento da pessoa com EA grave, sintomática, com diferentes níveis de risco cirúrgico. As complicações após TAVI têm sido descritas e caracterizadas ao longo dos anos. Objetivos: Analisar as complicações na pessoa em situação crítica (PSC), internada numa Unidade de Cuidados Intensivos de Cardiologia (UCI-C) após TAVI transfemoral (TF). Métodos: Foi realizada uma análise retrospetiva de dados significativos da PSC com EA grave, sintomática e com alto risco cirúrgico que foi internada na UCI-C após TAVI TF, entre o dia 01 de janeiro de 2016 e 30 de setembro de 2019. Trata-se de um estudo quantitativo, retrospetivo e descritivo, que decorreu em um centro de referência de cardiologia de intervenção estrutural, de um hospital central, do norte de Portugal. Foram analisados os dados referentes a 304 PSC, de acordo com os critérios da Valve Academic Research Consortium-2 (VARC-2). Resultados: Realizaram-se 304 TAVI TF sendo 10,9% procedimentos Valve in Valve e 1% Transcatheter Aortic Valve in Transcatheter Aortic Valve. A idade média foi 80,4±8 anos, 53,6% foram mulheres, com índice de massa corporal médio de 26,4±4,3. Em 68,4% o procedimento foi eletivo, com a pessoa a ser proveniente do domicílio. As complicações mais frequentes foram os distúrbios de condução (52,3%), a complicação do acesso vascular minor (20,7%), a hemorragia minor (18,4%) e o leak periprotésico moderado ou grave (16,4%). O tempo médio de permanência na UCI-C após TAVI TF foi de 3,5±2,6 dias. A taxa de mortalidade durante o internamento na UCI-C foi de 0,3% (uma PSC). Conclusão: As complicações identificadas durante o internamento da UCI-C após TAVI TF mostraram a eficácia e segurança da técnica TAVI. Foi encontrada associação estatisticamente significativa entre os antecedentes pessoais da PSC como os distúrbios de condução, o tabagismo e a cirurgia cardíaca prévia, exceto se Coronary Artery Bypass Grafting (CABG) isolada, com a ocorrência de novos distúrbios de condução e os antecedentes pessoais de IRC tiveram associação estatisticamente significativa com o desenvolvimento de IRA. O tempo de internamento na UCI-C e o tempo de permanência total hospitalar, após TAVI TF, aumentaram com a existência de complicações como hemorragia e complicações do acesso vascular. A TAVI conquistou o seu espaço no tratamento da EA e o seu sucesso é um somatório entre o trabalho da Heart Team, experiência dos profissionais, evolução técnica e tecnológica. Reforçamos a necessidade de dar continuidade a este estudo, com a identificação das complicações no bloco de cardiologia invasiva e das complicações a longo prazo. |
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