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Ndalambiri e a arte rupestre do Ebo, Kwanza Sul, Angola: tempo, espaço e gentes numa paisagem cultural

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese decorre de uma pesquisa centrada no estudo da arte rupestre do Ebo, uma região da Província Kwanza Sul, em Angola. A região do Ebo é, termos paisagísticos, dominada por inselbergs graníticos que rompem a peneplanície de savana, por sua vez flanqueada por cadeias montanhosas. As comunidades da região, apesar de uma acentuada e progressiva integração no sistema nacional, vivem ainda em larga medida segundo cânones tradicionais, personificados no soba de cada aldeia. Arqueologicamente, a região encerra inúmeros abrigos com pinturas rupestres, túmulos de pedra, líticos, cerâmicas, caminhos antigos, materiais que testemunham a presença humana remota na região. O cruzamento destas três dimensões traduz-se numa Paisagem Cultural única. O foco deste estudo recai sobre o abrigo Ndalambiri, com as suas pinturas rupestres, classificado como Monumento Nacional, nas suas relações com aquele território e, designadamente, os demais abrigos pintados. Este é o primeiro estudo sistemático sobre a região. Foram realizadas por nós duas campanhas de campo (2012 e 2013), a partir das quais foi possível recolher grande parte dos dados em que se baseia este trabalho, nomeadamente o registo dos abrigos com pinturas rupestres, o enquadramento histórico e antropológico da região, a sua caracterização geomorfológica e questões importantes sobre a conservação e caracterização dos pigmentos das pinturas. De acordo com as especificidades da investigação, desde logo pela localização distante do complexo rupestre em estudo, a metodologia foi adaptada e selecionada de modo a ajustarse aos objetivos pretendidos, mas sempre tendo em conta a máxima preservação das pinturas, recorrendo a métodos não invasivos. Foi organizado o corpus pictórico do sítio de Ndalambiri, traduzido no decalque de todas as suas pinturas rupestres (mais de 1000 figuras pintadas), um recurso capital para o país que vê, desta forma, um dos seus monumentos nacionais catalogados e em posição de ser divulgado nacional e internacionalmente (publicações, congressos, exposições). O estudo comporta diversas perspectivas para a investigação futura, nomeadamente no que respeita à relevância de rituais femininos na elaboração de determinados painéis, à funcionalidade específica dos diversos abrigos ou à natureza cultural da Fase I (eventualmente atribuível a comunidades de caçadores-recolectores). Foram identificadas quatro grandes fases na sequência das pinturas. O abrigo de Ndalambiri, que aparenta poder ser um lugar central na região, só possui pinturas das Fases II a IV, que correspondem inequivocamente a sociedades de agricultores e, pelo menos a partir da fase III, de metalurgistas. Este facto é coerente com a noção de que a lógica de definição de um lugar central é mais relevante em sociedades complexas. Estimamos que o trabalho desenvolvido permita, por um lado, prosseguir a investigação monográfica da região e, por outro, iniciar um processo de classificação como Paisagem Cultural Património Mundial da Humanidade, ao abrigo dos critérios I (génio criativo) e III (testemunho único de uma tradição cultural).
Autores principais:Martins, Cristina Augusta Pombares da Silva
Assunto:Arte rupestre Ebo (Angola) Arqueologia Paisagem cultural Ndalambiri (Angola)
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Esta tese decorre de uma pesquisa centrada no estudo da arte rupestre do Ebo, uma região da Província Kwanza Sul, em Angola. A região do Ebo é, termos paisagísticos, dominada por inselbergs graníticos que rompem a peneplanície de savana, por sua vez flanqueada por cadeias montanhosas. As comunidades da região, apesar de uma acentuada e progressiva integração no sistema nacional, vivem ainda em larga medida segundo cânones tradicionais, personificados no soba de cada aldeia. Arqueologicamente, a região encerra inúmeros abrigos com pinturas rupestres, túmulos de pedra, líticos, cerâmicas, caminhos antigos, materiais que testemunham a presença humana remota na região. O cruzamento destas três dimensões traduz-se numa Paisagem Cultural única. O foco deste estudo recai sobre o abrigo Ndalambiri, com as suas pinturas rupestres, classificado como Monumento Nacional, nas suas relações com aquele território e, designadamente, os demais abrigos pintados. Este é o primeiro estudo sistemático sobre a região. Foram realizadas por nós duas campanhas de campo (2012 e 2013), a partir das quais foi possível recolher grande parte dos dados em que se baseia este trabalho, nomeadamente o registo dos abrigos com pinturas rupestres, o enquadramento histórico e antropológico da região, a sua caracterização geomorfológica e questões importantes sobre a conservação e caracterização dos pigmentos das pinturas. De acordo com as especificidades da investigação, desde logo pela localização distante do complexo rupestre em estudo, a metodologia foi adaptada e selecionada de modo a ajustarse aos objetivos pretendidos, mas sempre tendo em conta a máxima preservação das pinturas, recorrendo a métodos não invasivos. Foi organizado o corpus pictórico do sítio de Ndalambiri, traduzido no decalque de todas as suas pinturas rupestres (mais de 1000 figuras pintadas), um recurso capital para o país que vê, desta forma, um dos seus monumentos nacionais catalogados e em posição de ser divulgado nacional e internacionalmente (publicações, congressos, exposições). O estudo comporta diversas perspectivas para a investigação futura, nomeadamente no que respeita à relevância de rituais femininos na elaboração de determinados painéis, à funcionalidade específica dos diversos abrigos ou à natureza cultural da Fase I (eventualmente atribuível a comunidades de caçadores-recolectores). Foram identificadas quatro grandes fases na sequência das pinturas. O abrigo de Ndalambiri, que aparenta poder ser um lugar central na região, só possui pinturas das Fases II a IV, que correspondem inequivocamente a sociedades de agricultores e, pelo menos a partir da fase III, de metalurgistas. Este facto é coerente com a noção de que a lógica de definição de um lugar central é mais relevante em sociedades complexas. Estimamos que o trabalho desenvolvido permita, por um lado, prosseguir a investigação monográfica da região e, por outro, iniciar um processo de classificação como Paisagem Cultural Património Mundial da Humanidade, ao abrigo dos critérios I (génio criativo) e III (testemunho único de uma tradição cultural).