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Relação entre tratamentos metabólicos pré e pós-parto nos níveis de cálcio, magnésio e incidência de algumas doenças puerperais em vacas leiteiras da Ilha Terceira e Barcelos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A hipocalcemia acarreta consigo repercussões diretas e indiretas na saúde e bemestar dos animais com aptidão leiteira e na sua produtividade. No presente trabalho realizou-se a quantificação dos níveis de cálcio e magnésio em 5 explorações da ilha Terceira e 6 explorações do concelho de Barcelos. Em cada exploração realizaram-se 10 colheitas (animais primíparos e multíparos) nas primeiras 6 horas pós-parto para posterior determinação do valor sérico total de cálcio e magnésio. Foram igualmente recolhidos dados relativamente às doenças puerperais desenvolvidas nos 30 dias pós-parto. Todas as explorações apresentaram hipocalcemia subclínica (HSC) mas não hipocalcemia clínica (HC). Os animais primíparos apresentaram 9% de incidência em HSC. Os animais multíparos apresentaram 9% de incidência em HC, 51% em HSC e 40% em normocalcemia (NC). Relativamente aos valores de magnésio apenas se registou um caso de hipomagnesemia, em Barcelos. Na ilha Terceira verificou-se uma maior incidência de HSC (58% contra 23% observados em Barcelos), no entanto, em Barcelos verificou-se uma maior incidência de HC (7% contra 2% observados na ilha Terceira). Registaram-se 7 animais que apresentaram decúbito, dos quais 2 apresentavam valores de calcemia de HC e 5 de HSC. Verificou-se que com o aumento da idade e do número de partos os animais apresentaram valores de calcemia mais baixos. No entanto, o mesmo não se verificou com a magnesemia. De um modo geral, os animais da ilha Terceira apresentam valores de magnésio superiores aos dos animais de Barcelos. Os fatores localização (Terceira/Barcelos) e exploração (A/B/C/D/E/F/G/H/I/J/K) não se mostraram como fatores influenciadores nos níveis de calcemia. As doenças puerperais observadas foram retenção placentária, metrite (8 e 15 pósparto), mastite (no dia do parto, 8 e 15 dias pós-parto) e cetose. Não se observaram prolapsos uterinos nem deslocamentos de abomaso. Registou-se uma incidência de 17% (10/60) de retenção placentária, 12% (7/60) de metrite aos 8 dias pós-parto, 10% (6/60) de metrite aos 15 dias pós-parto, 3% (2/60) de mastite no dia do parto, 2% (2/60) de mastite aos 8 dias pósparto e 7% (4/60) de cetose. Os tratamentos metabólicos pré-parto não tiveram influência dos níveis de cálcio. Contudo, observou-se que os animais expostos à administração da vitamina D apresentaram, em média, valores de cálcio inferiores aos animais não expostos a este tratamento. Dos animais expostos a tratamento metabólico pós-parto verificou-se que apesar de serem animais considerados em risco, não desenvolveram doenças puerperais. Contudo, para se avaliar a influência destes tratamentos dever-se-ia ter realizado uma recolha após o tratamento para determinação dos níveis séricos de cálcio
Autores principais:Brito, Sara Ermelinda Lemos
Assunto:bovinos de aptidão leiteira hipocalcemia periparto doenças puerperais tratamento metabólico pré-parto tratamento metabólico pós-parto
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A hipocalcemia acarreta consigo repercussões diretas e indiretas na saúde e bemestar dos animais com aptidão leiteira e na sua produtividade. No presente trabalho realizou-se a quantificação dos níveis de cálcio e magnésio em 5 explorações da ilha Terceira e 6 explorações do concelho de Barcelos. Em cada exploração realizaram-se 10 colheitas (animais primíparos e multíparos) nas primeiras 6 horas pós-parto para posterior determinação do valor sérico total de cálcio e magnésio. Foram igualmente recolhidos dados relativamente às doenças puerperais desenvolvidas nos 30 dias pós-parto. Todas as explorações apresentaram hipocalcemia subclínica (HSC) mas não hipocalcemia clínica (HC). Os animais primíparos apresentaram 9% de incidência em HSC. Os animais multíparos apresentaram 9% de incidência em HC, 51% em HSC e 40% em normocalcemia (NC). Relativamente aos valores de magnésio apenas se registou um caso de hipomagnesemia, em Barcelos. Na ilha Terceira verificou-se uma maior incidência de HSC (58% contra 23% observados em Barcelos), no entanto, em Barcelos verificou-se uma maior incidência de HC (7% contra 2% observados na ilha Terceira). Registaram-se 7 animais que apresentaram decúbito, dos quais 2 apresentavam valores de calcemia de HC e 5 de HSC. Verificou-se que com o aumento da idade e do número de partos os animais apresentaram valores de calcemia mais baixos. No entanto, o mesmo não se verificou com a magnesemia. De um modo geral, os animais da ilha Terceira apresentam valores de magnésio superiores aos dos animais de Barcelos. Os fatores localização (Terceira/Barcelos) e exploração (A/B/C/D/E/F/G/H/I/J/K) não se mostraram como fatores influenciadores nos níveis de calcemia. As doenças puerperais observadas foram retenção placentária, metrite (8 e 15 pósparto), mastite (no dia do parto, 8 e 15 dias pós-parto) e cetose. Não se observaram prolapsos uterinos nem deslocamentos de abomaso. Registou-se uma incidência de 17% (10/60) de retenção placentária, 12% (7/60) de metrite aos 8 dias pós-parto, 10% (6/60) de metrite aos 15 dias pós-parto, 3% (2/60) de mastite no dia do parto, 2% (2/60) de mastite aos 8 dias pósparto e 7% (4/60) de cetose. Os tratamentos metabólicos pré-parto não tiveram influência dos níveis de cálcio. Contudo, observou-se que os animais expostos à administração da vitamina D apresentaram, em média, valores de cálcio inferiores aos animais não expostos a este tratamento. Dos animais expostos a tratamento metabólico pós-parto verificou-se que apesar de serem animais considerados em risco, não desenvolveram doenças puerperais. Contudo, para se avaliar a influência destes tratamentos dever-se-ia ter realizado uma recolha após o tratamento para determinação dos níveis séricos de cálcio