Publicação
Patologia dentária em cães antigos: estudo de uma coleção zooarqueológica do período Romano
| Resumo: | A informação disponível sobre a patologia dentária de cães recolhidos em contexto arqueológico é escassa, mas reveste-se de interesse pois permite inferir sobre as principais doenças e lesões que sofriam e a sua etiologia, sobre a sua dieta, bem como os cuidados que os seres humanos tinham com estes animais. Este estudo teve como objetivo avaliar a frequência e a magnitude da patologia dentária e periodontal em cães antigos datados do período Romano da colónia de Augusta Emerita. Pretendeu-se ainda estimar a idade à morte destes indivíduos com recurso à análise do rácio de encerramento da cavidade pulpar (RECP) com base em imagens de radiografia dentária. A coleção zooarqueológica estudada foi proveniente do local arqueológico Calle Almendralejo, nº 41 em Mérida (Espanha), datada de cerca de meados do séc. I d.C. (período Romano), e composta por, aproximadamente, 40 indivíduos (~600 remanescentes de esqueletos). Foram examinadas 21 maxilas, quatro fragmentos da maxila esquerda e cinco da maxila direita, 32 mandíbulas esquerdas e 26 mandíbulas direitas. Estas peças ósseas foram sujeitas a uma avaliação macroscópica, com o propósito de identificar e classificar as alterações dentárias e periodontais de acordo com a nomenclatura do Colégio Americano de Dentária Veterinária, como por exemplo, a ausência dentária, a doença periodontal, o desgaste dentário, a fratura dentária, a presença de dentes supranumerários ou dentição decídua persistente, as lesões endodônticas e periapicais e as malformações dentárias. Com o objetivo de melhor caracterizar as alterações registadas e estimar a idade à morte através do cálculo do RECP, os espécimes foram alvo de uma avaliação radiográfica dentária no Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Observou-se que a amostra apresentava poucas evidências de patologia dentária. A maioria das lesões como a doença periodontal (46%) e o desgaste dentário (50%), quando detetadas, apresentaram um grau leve a moderado. A maior parte dos casos de fratura dentária e de ausência dentária ocorreu post mortem (origem tafonómica). Observou-se uma associação fraca a negligenciável entre as fraturas dentárias e as lesões periapicais e uma associação fraca entre a periodontite e as lesões periapicais. A avaliação do RECP permitiu concluir que a coleção era composta, maioritariamente, por animais jovens adultos (24 a 59 meses de idade), todavia não foi possível correlacionar a frequência da doença com a idade dos animais. A baixa frequência de alterações dentárias encontrada nos cães da coleção de Mérida pode estar relacionada com estes animais terem falecido ainda jovens ou por os romanos terem cuidado com a alimentação dos seus animais. Este trabalho contribuiu para o conhecimento da doença dentária numa coleção de cães Romanos de referência e aplicação de uma metodologia não invasiva para estimativa da idade, abrindo portas a novos estudos no campo da Zooarqueologia, reforçando a importância da colaboração multidisciplinar entre Arqueólogos e Médicos Veterinários. |
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| Autores principais: | Rente, Mariana Batista Figueiredo da Silva |
| Assunto: | Doença dentária restos de cães arqueológicos estimativa da idade rácio de encerramento da cavidade pulpar Zooarqueologia Augusta Emerita |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A informação disponível sobre a patologia dentária de cães recolhidos em contexto arqueológico é escassa, mas reveste-se de interesse pois permite inferir sobre as principais doenças e lesões que sofriam e a sua etiologia, sobre a sua dieta, bem como os cuidados que os seres humanos tinham com estes animais. Este estudo teve como objetivo avaliar a frequência e a magnitude da patologia dentária e periodontal em cães antigos datados do período Romano da colónia de Augusta Emerita. Pretendeu-se ainda estimar a idade à morte destes indivíduos com recurso à análise do rácio de encerramento da cavidade pulpar (RECP) com base em imagens de radiografia dentária. A coleção zooarqueológica estudada foi proveniente do local arqueológico Calle Almendralejo, nº 41 em Mérida (Espanha), datada de cerca de meados do séc. I d.C. (período Romano), e composta por, aproximadamente, 40 indivíduos (~600 remanescentes de esqueletos). Foram examinadas 21 maxilas, quatro fragmentos da maxila esquerda e cinco da maxila direita, 32 mandíbulas esquerdas e 26 mandíbulas direitas. Estas peças ósseas foram sujeitas a uma avaliação macroscópica, com o propósito de identificar e classificar as alterações dentárias e periodontais de acordo com a nomenclatura do Colégio Americano de Dentária Veterinária, como por exemplo, a ausência dentária, a doença periodontal, o desgaste dentário, a fratura dentária, a presença de dentes supranumerários ou dentição decídua persistente, as lesões endodônticas e periapicais e as malformações dentárias. Com o objetivo de melhor caracterizar as alterações registadas e estimar a idade à morte através do cálculo do RECP, os espécimes foram alvo de uma avaliação radiográfica dentária no Hospital Veterinário da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Observou-se que a amostra apresentava poucas evidências de patologia dentária. A maioria das lesões como a doença periodontal (46%) e o desgaste dentário (50%), quando detetadas, apresentaram um grau leve a moderado. A maior parte dos casos de fratura dentária e de ausência dentária ocorreu post mortem (origem tafonómica). Observou-se uma associação fraca a negligenciável entre as fraturas dentárias e as lesões periapicais e uma associação fraca entre a periodontite e as lesões periapicais. A avaliação do RECP permitiu concluir que a coleção era composta, maioritariamente, por animais jovens adultos (24 a 59 meses de idade), todavia não foi possível correlacionar a frequência da doença com a idade dos animais. A baixa frequência de alterações dentárias encontrada nos cães da coleção de Mérida pode estar relacionada com estes animais terem falecido ainda jovens ou por os romanos terem cuidado com a alimentação dos seus animais. Este trabalho contribuiu para o conhecimento da doença dentária numa coleção de cães Romanos de referência e aplicação de uma metodologia não invasiva para estimativa da idade, abrindo portas a novos estudos no campo da Zooarqueologia, reforçando a importância da colaboração multidisciplinar entre Arqueólogos e Médicos Veterinários. |
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