Publicação
A arte atlântica do Monte de S. Romão (Guimarães) no contexto da arte rupestre pós-paleolítica da Bacia do Ave – Noroeste Português
| Resumo: | Esta tese contribuiu para aumentar o conhecimento sobre a arte rupestre pós-paleolítica, de ar livre, no Noroeste de Portugal, nomeadamente na bacia do Ave. Aqui foram identificados dois grandes ciclos estilísticos: as Artes “Esquemática” e Atlântica, ambas da Pré-história; um terceiro ciclo com podomorfos e paletas, do Bronze Final/Ferro Inicial; um quarto ciclo com novos motivos circulares, do Ferro Recente/Romanização, e um quinto ciclo, com cruzes e pentagramas, das Idades Média ou Moderna. Foi ainda colocada a hipótese da existência de um ciclo paleolítico, com base no quadrúpede de Vinhas. Em termos da Arte Atlântica versus Arte “Esquemática” considerámos que as duas tradições ocuparam espaços distintos. A primeira concentrou-se a poente e a cotas inferiores enquanto a segunda ocorreu em áreas interiores e montanhosas, a nascente, a cotas superiores a 640 m. Na Arte Atlântica distinguimos duas fases, tendo a mais antiga composições circulares e reticulados e, a segunda, antropomorfos e zoomorfos. Também na Arte “Esquemática” temos igualmente uma primeira fase composta por motivos circulares e reticulados, seguida de uma fase com antropomorfos com toucado e /ou mãos grandes. Considerámos a Arte “Esquemática” mais antiga e herdeira da restante arte esquemática Ibérica e da arte megalítica, datável desde os finais do V aos finais do IV milénios a.C. Tivemos em conta que, na Arte Atlântica, o número de gravuras diminui de norte para sul, pelo que cremos, tal como vários autores, que corresponde a um fenómeno intrusivo no Noroeste Ibérico, tendo entrado ao longo da costa atlântica a partir dos finais do Neolítico, inícios do Calcolítico. Esse será o motivo da sua litoralidade e de, na sua fase inicial, conter símbolos da fase antiga da Arte “Esquemática”, num processo de assimilação em continuidade, de novas cosmologias. Aceitando que teriam coexistido, pelo menos no III milénio a.C., estes dois ciclos artísticos expressariam distintas cosmologias e diferentes formas de interação das populações com o espaço onde viviam. Para a Arte Atlântica, através do caso de estudo do Monte de S. Romão, foi possível colocar várias hipóteses a saber: que teria existido uma hierarquia de gravuras, interligadas entre si e com diferentes sentidos para as populações e destinados a distintas audiências; que muitos lugares gravados estão em vias naturais, mas também em lugares liminares (entre o vale e os cume dos montes, ou entre a terra e o céu) que cremos estruturantes na cosmologia das populações deste período; que pelo contexto espacial e por observações fenomenológicas, os recursos hídricos, os ciclos solar e das estações seriam também significantes na cosmogonia da Pré-história Recente. Finalmente que o simbolismo do Monte de S. Romão persistiu até hoje, embora através de adições e de narrativas que lhe foram sucessivamente adicionadas, alterando os seus sentidos originais. |
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| Autores principais: | Cardoso, Daniela Dolores Faria |
| Assunto: | Arte rupestre Monte de S. Romão (Guimarães, Portugal) Arte atlântica |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Esta tese contribuiu para aumentar o conhecimento sobre a arte rupestre pós-paleolítica, de ar livre, no Noroeste de Portugal, nomeadamente na bacia do Ave. Aqui foram identificados dois grandes ciclos estilísticos: as Artes “Esquemática” e Atlântica, ambas da Pré-história; um terceiro ciclo com podomorfos e paletas, do Bronze Final/Ferro Inicial; um quarto ciclo com novos motivos circulares, do Ferro Recente/Romanização, e um quinto ciclo, com cruzes e pentagramas, das Idades Média ou Moderna. Foi ainda colocada a hipótese da existência de um ciclo paleolítico, com base no quadrúpede de Vinhas. Em termos da Arte Atlântica versus Arte “Esquemática” considerámos que as duas tradições ocuparam espaços distintos. A primeira concentrou-se a poente e a cotas inferiores enquanto a segunda ocorreu em áreas interiores e montanhosas, a nascente, a cotas superiores a 640 m. Na Arte Atlântica distinguimos duas fases, tendo a mais antiga composições circulares e reticulados e, a segunda, antropomorfos e zoomorfos. Também na Arte “Esquemática” temos igualmente uma primeira fase composta por motivos circulares e reticulados, seguida de uma fase com antropomorfos com toucado e /ou mãos grandes. Considerámos a Arte “Esquemática” mais antiga e herdeira da restante arte esquemática Ibérica e da arte megalítica, datável desde os finais do V aos finais do IV milénios a.C. Tivemos em conta que, na Arte Atlântica, o número de gravuras diminui de norte para sul, pelo que cremos, tal como vários autores, que corresponde a um fenómeno intrusivo no Noroeste Ibérico, tendo entrado ao longo da costa atlântica a partir dos finais do Neolítico, inícios do Calcolítico. Esse será o motivo da sua litoralidade e de, na sua fase inicial, conter símbolos da fase antiga da Arte “Esquemática”, num processo de assimilação em continuidade, de novas cosmologias. Aceitando que teriam coexistido, pelo menos no III milénio a.C., estes dois ciclos artísticos expressariam distintas cosmologias e diferentes formas de interação das populações com o espaço onde viviam. Para a Arte Atlântica, através do caso de estudo do Monte de S. Romão, foi possível colocar várias hipóteses a saber: que teria existido uma hierarquia de gravuras, interligadas entre si e com diferentes sentidos para as populações e destinados a distintas audiências; que muitos lugares gravados estão em vias naturais, mas também em lugares liminares (entre o vale e os cume dos montes, ou entre a terra e o céu) que cremos estruturantes na cosmologia das populações deste período; que pelo contexto espacial e por observações fenomenológicas, os recursos hídricos, os ciclos solar e das estações seriam também significantes na cosmogonia da Pré-história Recente. Finalmente que o simbolismo do Monte de S. Romão persistiu até hoje, embora através de adições e de narrativas que lhe foram sucessivamente adicionadas, alterando os seus sentidos originais. |
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