Publicação
Perdas de água em carcaças de suíno
| Resumo: | A produção de carne suína no atual contexto socioeconómico é um desafio multifatorial, constituído por diversas etapas de elevada sensibilidade. A refrigeração de carcaças representa uma dessas etapas, com elevado impacto não só na rentabilidade do negócio como na qualidade do produto. A sua influência em parâmetros de qualidade da carne está relacionada sobretudo com a taxa de arrefecimento. As primeiras 24 horas são cruciais sobretudo numa espécie como a suína, onde encontramos elevadas temperaturas musculares juntamente com baixos níveis de pH nas primeiras horas post mortem. Este binómio temperatura alta – pH baixo pode ter consequências nefastas, nomeadamente através da desnaturação proteica a nível múscular, que tem implicação direta na capacidade da carne em reter água e consequentemente em carateristicas como a tenrura, o sabor e o aspeto da mesma. O foco deste estudo incidiu sobre o sistema de refrigeração integrado no matadouro da empresa que nos propôs avaliar as condições de refrigeração, estudar as perdas de peso das carcaças resultantes desta e alguns parâmetros ante e post mortem que poderão influenciar a rentabilidade do processo. A avaliação do sistema de refrigeração e da sua capacidade foi realizada pela análise da evolução das temperaturas dos túneis e das câmaras ao longo da passagem das carcaças de teste, e ainda, pela determinação do tempo até se atingir 7ºC no interior da perna, através do uso de sondas de temperatura. Foram ainda registadas as variações de humidade relativa de cada câmara, parâmetro que merece também destaque no sentido de avaliar as causas para as perdas em água. A avaliação das perdas em água nas carcaças estudadas foi feita pela comparação dos pesos logo após o abate (30’ pm) e às 24 h post mortem. Para avaliar alguns parâmetros de qualidade da carne foi determinado o pH (aos 30’ pm e às 24h pm) e realizado o teste gravimétrico de Honikel para determinação da capacidade de retenção de água (CRA). Para além destes parâmetros que constituem o cerne deste estudo, foram ainda avaliados alguns fatores que se podem relacionar e produzir um impacto nas quebras de peso ou na qualidade da carne como: os tempos de viagem, de espera e de abegoaria e o tempo de jejum (com pesagem do trato gastrointestinal e mensuração da vesicula biliar na tentativa de encontrar um indicador de fácil leitura para os tempos de jejum na linha de abate)Os resultados revelaram alguns problemas a nível da capacidade do primeiro e segundo choques térmicos (primeiras 2h 15 minutos post mortem), que não conseguem manter uma eficácia constante ao longo do dia de trabalho na remoção de calor das carcaças, numa fase em que o desacelerar das reações bioquímicas a nível muscular é imperativo. Tudo isto se traduziu em perdas elevadas, de forma proporcional à hora de entrada no circuito de refrigeração (Carcaças a meio da manhã apresentaram menor rendimento de carcaça face às carcaças do inicio da manhã, assim como carcaças do final da manhã apresentaram menor rendimento de carcaça quando comparadas com carcaças do meio da manhã). A incidência de carcaças com condição PSE (Pale, Soft and Exsudative) não foi significativa (1,36%), bem como de carcaças com condição DFD (Dark, Firm and Dry) – 3,18%. A elevada disparidade entre os pesos das carcaças contribuiu também para uma falta de uniformização dos lotes, e consequentemente das características do seu arrefecimento. Os animais sofrem ainda tempos de espera (entre a carga e o abate) elevados, que, juntamente com o jejum de exploração, pode aumentar os níveis de stress crónico derivado da fome com potenciais perdas de peso. Concluiu-se então que uma uniformização dos lotes, a par de uma reestruturação a nível dos dois primeiros choques térmicos e da câmara de refrigeração poderão aumentar os níveis de rentabilidade através da redução das perdas por enxugo. Adicionalmente, um maior controlo e rigor relativamente aos tempos de espera e maneio do stresse dos animais poderá ser uma mais valia, também no sentido de reduzir potenciais fatores desestabilizadores. |
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| Autores principais: | Ferreira, Tiago André Bento |
| Assunto: | Carne suína Refrigeração de carcaças Qualidade da carne Capacidade de retenção de água Carnes PSE Carnes DFD |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A produção de carne suína no atual contexto socioeconómico é um desafio multifatorial, constituído por diversas etapas de elevada sensibilidade. A refrigeração de carcaças representa uma dessas etapas, com elevado impacto não só na rentabilidade do negócio como na qualidade do produto. A sua influência em parâmetros de qualidade da carne está relacionada sobretudo com a taxa de arrefecimento. As primeiras 24 horas são cruciais sobretudo numa espécie como a suína, onde encontramos elevadas temperaturas musculares juntamente com baixos níveis de pH nas primeiras horas post mortem. Este binómio temperatura alta – pH baixo pode ter consequências nefastas, nomeadamente através da desnaturação proteica a nível múscular, que tem implicação direta na capacidade da carne em reter água e consequentemente em carateristicas como a tenrura, o sabor e o aspeto da mesma. O foco deste estudo incidiu sobre o sistema de refrigeração integrado no matadouro da empresa que nos propôs avaliar as condições de refrigeração, estudar as perdas de peso das carcaças resultantes desta e alguns parâmetros ante e post mortem que poderão influenciar a rentabilidade do processo. A avaliação do sistema de refrigeração e da sua capacidade foi realizada pela análise da evolução das temperaturas dos túneis e das câmaras ao longo da passagem das carcaças de teste, e ainda, pela determinação do tempo até se atingir 7ºC no interior da perna, através do uso de sondas de temperatura. Foram ainda registadas as variações de humidade relativa de cada câmara, parâmetro que merece também destaque no sentido de avaliar as causas para as perdas em água. A avaliação das perdas em água nas carcaças estudadas foi feita pela comparação dos pesos logo após o abate (30’ pm) e às 24 h post mortem. Para avaliar alguns parâmetros de qualidade da carne foi determinado o pH (aos 30’ pm e às 24h pm) e realizado o teste gravimétrico de Honikel para determinação da capacidade de retenção de água (CRA). Para além destes parâmetros que constituem o cerne deste estudo, foram ainda avaliados alguns fatores que se podem relacionar e produzir um impacto nas quebras de peso ou na qualidade da carne como: os tempos de viagem, de espera e de abegoaria e o tempo de jejum (com pesagem do trato gastrointestinal e mensuração da vesicula biliar na tentativa de encontrar um indicador de fácil leitura para os tempos de jejum na linha de abate)Os resultados revelaram alguns problemas a nível da capacidade do primeiro e segundo choques térmicos (primeiras 2h 15 minutos post mortem), que não conseguem manter uma eficácia constante ao longo do dia de trabalho na remoção de calor das carcaças, numa fase em que o desacelerar das reações bioquímicas a nível muscular é imperativo. Tudo isto se traduziu em perdas elevadas, de forma proporcional à hora de entrada no circuito de refrigeração (Carcaças a meio da manhã apresentaram menor rendimento de carcaça face às carcaças do inicio da manhã, assim como carcaças do final da manhã apresentaram menor rendimento de carcaça quando comparadas com carcaças do meio da manhã). A incidência de carcaças com condição PSE (Pale, Soft and Exsudative) não foi significativa (1,36%), bem como de carcaças com condição DFD (Dark, Firm and Dry) – 3,18%. A elevada disparidade entre os pesos das carcaças contribuiu também para uma falta de uniformização dos lotes, e consequentemente das características do seu arrefecimento. Os animais sofrem ainda tempos de espera (entre a carga e o abate) elevados, que, juntamente com o jejum de exploração, pode aumentar os níveis de stress crónico derivado da fome com potenciais perdas de peso. Concluiu-se então que uma uniformização dos lotes, a par de uma reestruturação a nível dos dois primeiros choques térmicos e da câmara de refrigeração poderão aumentar os níveis de rentabilidade através da redução das perdas por enxugo. Adicionalmente, um maior controlo e rigor relativamente aos tempos de espera e maneio do stresse dos animais poderá ser uma mais valia, também no sentido de reduzir potenciais fatores desestabilizadores. |
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