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Contribuição para o estudo de doenças metabólicas no pós-parto em bovinos leiteiros da ilha de São Miguel, Açores

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Resumo:O período de transição é considerado um período crítico, sendo uma fase em que a vaca leiteira passa por um balanço energético negativo causado pelo final da gestação e início da lactação. Nesta fase, há um desequilíbrio no que toca ao metabolismo energético, bem como o metabolismo mineral e vitamínico. Como consequência deste desequilibro, a vaca leiteira torna-se suscetível de desenvolver doenças metabólicas que, por sua vez, acarretam um grande prejuízo económico para os produtores. De entre as doenças metabólicas mais comuns encontradas nesta fase estão a hipocalcemia, que muitas vezes faz-se acompanhar por hipofosfatemia ou hipomagnesemia e a cetose, bem como poderá haver o aparecimento de outros problemas tais como retenções placentárias e deslocamento do abomaso. Todas estas doenças implicam não só um enorme gasto em serviços Médico-Veterinários como também afetam gravemente a produção de leite e poderão, em certos casos, levar ao aumento do intervalo entre partos, refugo dos animais, infertilidade e contribuir para o aumento da taxa de mortalidade nas explorações. Este estudo teve como objetivo contribuir para a avaliação da incidência de doenças metabólicas no primeiro mês pós-parto em bovinos de leite da ilha de São Miguel- Açores, relacionando a ocorrência deste tipo de doenças com o tempo pós-parto, a paridade e o maneio e nutrição das vacas no período de transição, sendo que a recolha de dados foi feita durante o estágio curricular realizado na AASM, entre os meses de Outubro e Janeiro, e que demonstra ser comum a incidência deste tipo de doenças na ilha, sugerindo que esta temática deverá ser novamente abordada e aprimorada no futuro. Com este estudo pôde-se verificar que as vacas multíparas foram mais suscetíveis de desenvolver hipocalcemia do que as primíparas; a probabilidade de encontrar hipocalcemia foi bastante elevada até ao terceiro dia pós-parto; a probabilidade de ocorrer cetose foi maior nas primeiras duas semanas pós-parto e que vacas afetadas por mais do que uma doença metabólica foram sempre recorrentes nas mesmas. Também foi possível verificar que, apesar dos benefícios de ter pastagem natural todo o ano, os produtores tendem a manter dietas muito pouco energéticas durante o período seco, constituídas essencialmente por erva e sem alimento concentrado. Isto agrava o metabolismo da vaca leiteira no período de transição e torna-a mais suscetível de desenvolver doenças metabólicas no período pós-parto.
Autores principais:Matos, Mariana Soledade
Assunto:período de transição vaca leiteira balanço energético negativo hipocalcemia cetose
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O período de transição é considerado um período crítico, sendo uma fase em que a vaca leiteira passa por um balanço energético negativo causado pelo final da gestação e início da lactação. Nesta fase, há um desequilíbrio no que toca ao metabolismo energético, bem como o metabolismo mineral e vitamínico. Como consequência deste desequilibro, a vaca leiteira torna-se suscetível de desenvolver doenças metabólicas que, por sua vez, acarretam um grande prejuízo económico para os produtores. De entre as doenças metabólicas mais comuns encontradas nesta fase estão a hipocalcemia, que muitas vezes faz-se acompanhar por hipofosfatemia ou hipomagnesemia e a cetose, bem como poderá haver o aparecimento de outros problemas tais como retenções placentárias e deslocamento do abomaso. Todas estas doenças implicam não só um enorme gasto em serviços Médico-Veterinários como também afetam gravemente a produção de leite e poderão, em certos casos, levar ao aumento do intervalo entre partos, refugo dos animais, infertilidade e contribuir para o aumento da taxa de mortalidade nas explorações. Este estudo teve como objetivo contribuir para a avaliação da incidência de doenças metabólicas no primeiro mês pós-parto em bovinos de leite da ilha de São Miguel- Açores, relacionando a ocorrência deste tipo de doenças com o tempo pós-parto, a paridade e o maneio e nutrição das vacas no período de transição, sendo que a recolha de dados foi feita durante o estágio curricular realizado na AASM, entre os meses de Outubro e Janeiro, e que demonstra ser comum a incidência deste tipo de doenças na ilha, sugerindo que esta temática deverá ser novamente abordada e aprimorada no futuro. Com este estudo pôde-se verificar que as vacas multíparas foram mais suscetíveis de desenvolver hipocalcemia do que as primíparas; a probabilidade de encontrar hipocalcemia foi bastante elevada até ao terceiro dia pós-parto; a probabilidade de ocorrer cetose foi maior nas primeiras duas semanas pós-parto e que vacas afetadas por mais do que uma doença metabólica foram sempre recorrentes nas mesmas. Também foi possível verificar que, apesar dos benefícios de ter pastagem natural todo o ano, os produtores tendem a manter dietas muito pouco energéticas durante o período seco, constituídas essencialmente por erva e sem alimento concentrado. Isto agrava o metabolismo da vaca leiteira no período de transição e torna-a mais suscetível de desenvolver doenças metabólicas no período pós-parto.