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Caracterização da produção de coelho bravo em cativeiro na região norte de Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na revisão bibliográfica faz-se a caracterização do coelho bravo e da sua situação na Península Ibérica, onde o efeito do declínio das populações de coelho-bravo após os surtos da Mixomatose e da Doença Hemorrágica Viral (DHV), nas décadas de 60 e 70, colocaram o coelho-bravo numa situação de risco permanente e que apesar de alguns esforços isolados e sem continuidade nestes dois países, não tem evoluído de forma favorável. Em Portugal o coelho é considerado, pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal publicado pelo ICNB, como Espécie Quase Ameaçada. Ainda na parte de revisão referimo-nos à criação do coelho-bravo em cativeiro nas suas vária vertentes, o suporte legal e condicionantes para atribuição do alvará, a classificação e características dos diversos sistemas e tipos de exploração cinegética da espécie. O trabalho experimental foi realizado com o objectivo de aquilatar a verdadeira situação da criação do coelho bravo em cativeiro, na zona territorial da autoridade florestal norte. Nas 69 explorações existentes na região de estudo inquirimos os criadores ou responsáveis e numa primeira fase foram divididas em três tipos, de acordo com o tipo e detentor social; cercados sem alvará, explorações de zonas de caça e explorações de criadores particulares. Das explorações analisadas, 14 eram cercados sem alvará, 24 eram explorações de criadores particulares com alvará e 31 eram explorações pertencentes a zonas de caça. Pretendeu-se avaliar o sector da criação do coelho bravo no Norte de Portugal, caracterizando as explorações quanto à área, estrutura, gestão, maneio e produtividade, identificando também os estrangulamentos das mesmas e as dificuldades com se debatem os criadores do coelho-bravo. Os proprietários têm entre os 41 e os 60 anos, são maioritariamente do sexo masculino 97%, o 1º ciclo e o secundário são os níveis de ensino mais representativo, (mais de 50% para o conjunto destes dois níveis) e 22% deles têm formação nível superior. O Minho é a Unidade de Gestão Florestal com o maior número de explorações, representando 39% do total de explorações. A maioria destas explorações recorreu ao capital próprio (76%) para se implantarem maioritariamente a partir de 2001, o que poderá estar relacionado com a publicação da legislação para o sector, principalmente a Portaria nº Portaria nº464/2001, de 8 de Maio. O cercado tipo é uma exploração com 4500 m2, com 12 animais reprodutores e que produz por ano cerca de 50 coelhos. A exploração de criadores particulares tem 30290m2, tem 47 animais reprodutores e produz anualmente 244 coelhos. A exploração de associação de caçadores tem 14300m2 de área, tem 24 reprodutores e produz 113 coelhos. Verifica-se um grande desfasamento entre o potencial produtivo inscrito nos alvarás e a produção verificada nas explorações. Potencialmente a região Norte poderia produzir 26550 coelhos/ano, mas a realidade que resultou deste inquérito foi bem diferente, a produção de coelhos/ano nesta região ficou-se por 10000 coelhos. Para esta produção os criadores com alvará foram os que mais participaram, com 65% dos coelhos, registando-se o contributo dos cercados com apenas 7%. A maioria da produção é escoada para repovoamentos. Foi também elaborado um projecto “tipo” de explorações cinegéticas de diferentes dimensões (16, 64 e 192 reprodutores), onde foram consideradas todos os requisitos legislativos e técnicos necessários para a sua implantação, as medidas profiláticas e sanitárias a implementar e estudada a viabilidade económica da exploração. O nosso estudo revelou que independentemente do tamanho é difícil conseguir que a exploração tenha viabilidade económica, pois os custos de instalação são elevados e a produtividade conseguida é reduzida. Apenas explorações de grande dimensão e com elevada produtividade poderão ser viáveis economicamente.
Autores principais:Oliveira, Joaquim António Gonçalves de
Assunto:Coelho Região norte de Portugal Cativeiro Criação de animais de caça
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Na revisão bibliográfica faz-se a caracterização do coelho bravo e da sua situação na Península Ibérica, onde o efeito do declínio das populações de coelho-bravo após os surtos da Mixomatose e da Doença Hemorrágica Viral (DHV), nas décadas de 60 e 70, colocaram o coelho-bravo numa situação de risco permanente e que apesar de alguns esforços isolados e sem continuidade nestes dois países, não tem evoluído de forma favorável. Em Portugal o coelho é considerado, pelo Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal publicado pelo ICNB, como Espécie Quase Ameaçada. Ainda na parte de revisão referimo-nos à criação do coelho-bravo em cativeiro nas suas vária vertentes, o suporte legal e condicionantes para atribuição do alvará, a classificação e características dos diversos sistemas e tipos de exploração cinegética da espécie. O trabalho experimental foi realizado com o objectivo de aquilatar a verdadeira situação da criação do coelho bravo em cativeiro, na zona territorial da autoridade florestal norte. Nas 69 explorações existentes na região de estudo inquirimos os criadores ou responsáveis e numa primeira fase foram divididas em três tipos, de acordo com o tipo e detentor social; cercados sem alvará, explorações de zonas de caça e explorações de criadores particulares. Das explorações analisadas, 14 eram cercados sem alvará, 24 eram explorações de criadores particulares com alvará e 31 eram explorações pertencentes a zonas de caça. Pretendeu-se avaliar o sector da criação do coelho bravo no Norte de Portugal, caracterizando as explorações quanto à área, estrutura, gestão, maneio e produtividade, identificando também os estrangulamentos das mesmas e as dificuldades com se debatem os criadores do coelho-bravo. Os proprietários têm entre os 41 e os 60 anos, são maioritariamente do sexo masculino 97%, o 1º ciclo e o secundário são os níveis de ensino mais representativo, (mais de 50% para o conjunto destes dois níveis) e 22% deles têm formação nível superior. O Minho é a Unidade de Gestão Florestal com o maior número de explorações, representando 39% do total de explorações. A maioria destas explorações recorreu ao capital próprio (76%) para se implantarem maioritariamente a partir de 2001, o que poderá estar relacionado com a publicação da legislação para o sector, principalmente a Portaria nº Portaria nº464/2001, de 8 de Maio. O cercado tipo é uma exploração com 4500 m2, com 12 animais reprodutores e que produz por ano cerca de 50 coelhos. A exploração de criadores particulares tem 30290m2, tem 47 animais reprodutores e produz anualmente 244 coelhos. A exploração de associação de caçadores tem 14300m2 de área, tem 24 reprodutores e produz 113 coelhos. Verifica-se um grande desfasamento entre o potencial produtivo inscrito nos alvarás e a produção verificada nas explorações. Potencialmente a região Norte poderia produzir 26550 coelhos/ano, mas a realidade que resultou deste inquérito foi bem diferente, a produção de coelhos/ano nesta região ficou-se por 10000 coelhos. Para esta produção os criadores com alvará foram os que mais participaram, com 65% dos coelhos, registando-se o contributo dos cercados com apenas 7%. A maioria da produção é escoada para repovoamentos. Foi também elaborado um projecto “tipo” de explorações cinegéticas de diferentes dimensões (16, 64 e 192 reprodutores), onde foram consideradas todos os requisitos legislativos e técnicos necessários para a sua implantação, as medidas profiláticas e sanitárias a implementar e estudada a viabilidade económica da exploração. O nosso estudo revelou que independentemente do tamanho é difícil conseguir que a exploração tenha viabilidade económica, pois os custos de instalação são elevados e a produtividade conseguida é reduzida. Apenas explorações de grande dimensão e com elevada produtividade poderão ser viáveis economicamente.