Publicação

Efeitos de um Programa de Exercício Físico de fácil implementação na Fração de Ejeção Ventricular, qualidade de vida e capacidade funcional em mulheres em tratamento do Cancro da Mama com Quimioterapia

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O cancro da mama (CM) é um dos mais prevalentes em Portugal e no mundo e tende a aumentar nos anos que se seguem. Os tratamentos para o CM causam diferentes efeitos secundários adversos que colocam em causa a qualidade de vida das doentes em tratamento. A quimioterapia tem como efeito lateral, entre outros, a elevada toxicidade e possibilidade de desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Objetivos: Os objetivos do presente estudo foram avaliar o efeito de um programa de fácil implementação e baixo custo material na fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE), qualidade de vida e capacidade funcional em mulheres com CM em tratamento com quimioterapia. Metodologia: No presente estudo foram incluídas 38 mulheres, 18 no grupo experimental (GE) que realizaram exercício físico acompanhado e 20 no grupo de controlo (GC) que foram aconselhadas a fazer exercício. A avaliação da FEVE, obtida através de ecocardiograma, foi realizada antes e após a intervenção que durou o tempo de tratamento. A qualidade de vida global foi obtida através do questionário EORTC QLQ-C30 e BR23 em ambos os grupos e a capacidade funcional foi avaliada no GE através dos testes funcionais de Rikli e Jones, realizados antes e após o tratamento. O GE realizou treino combinado, em que o exercício predominantemente aeróbio (EPA) foi realizado durante 20 minutos a intensidade moderada e o exercício predominantemente anaeróbio (EPAn) conjugou exercícios dinâmicos como agachamentos, flexão da coluna e extensão do quadril e exercícios em isometria como adução horizontal do ombro, abdução horizontal do ombro e flexão do ombro durante 30 segundo. Todos os exercícios do EPAn completaram 3 séries com 1 minuto de descanso entre séries. Resultados: Houve diferença significativa da qualidade de vida entre grupos após os tratamentos com quimioterapia (p=0,004), com redução no GC. Houve redução significativa da funcionalidade física (p<0,001) , capacidade funcional (p<0,001) funcionalidade emocional (p<0,001) , funcionalidade cognitiva (p<0,001) e funcionalidade social (p<0,002) e aumento dos sintomas de fadiga (p<0,001), náuseas e vómitos (p<0,001), dor (p<0,001), dispneia (p<0,008), insónia (p<0,001), perda de apetite (p<0,005) e dificuldades financeiras (p<0,015). Nas escalas funcionais do BR23 observou-se aumento estatisticamente significativo da imagem corporal e das perspetivas futuras (p<0,001 e p<0,001e respetivamente) e diminuição da função sexual (p<0,027). Na escala de sintomas, observou-se aumento dos efeitos secundários das terapias (p<0,001), dos sintomas na mama (p<0,002) e no braço (p<0,002). Após os tratamentos o GC teve diminuição significativa da FEVE comparando com o valor basal (p<0,001) sem diferenças para com o GE em nenhum momento. O GE não teve diferenças entre momentos pré e após quimioterapia. O GE no momento após apresentou diferença significativa nos testes de levantar e sentar (p<0,001), flexão do cotovelo (p<0,003), , levantar, caminhar 2,44m e voltar a sentar (p<0,003) e no teste de caminhar 6 minutos (p<0,001). Conclusões: A implementação de programas de exercício com baixos recursos materiais pode ser eficaz para reduzir os efeitos laterais da quimioterapia, aumentar a qualidade de vida, prevenir a perda significativa da FEVE e aumentar a capacidade funcional em mulheres com CM em tratamento com quimioterapia.
Autores principais:Moreira, Tiago Rafael
Assunto:Cancro da Mama Quimioterapia FEVE Qualidade de Vida Capacidade Funcional Exercício Físico
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O cancro da mama (CM) é um dos mais prevalentes em Portugal e no mundo e tende a aumentar nos anos que se seguem. Os tratamentos para o CM causam diferentes efeitos secundários adversos que colocam em causa a qualidade de vida das doentes em tratamento. A quimioterapia tem como efeito lateral, entre outros, a elevada toxicidade e possibilidade de desenvolvimento de insuficiência cardíaca. Objetivos: Os objetivos do presente estudo foram avaliar o efeito de um programa de fácil implementação e baixo custo material na fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE), qualidade de vida e capacidade funcional em mulheres com CM em tratamento com quimioterapia. Metodologia: No presente estudo foram incluídas 38 mulheres, 18 no grupo experimental (GE) que realizaram exercício físico acompanhado e 20 no grupo de controlo (GC) que foram aconselhadas a fazer exercício. A avaliação da FEVE, obtida através de ecocardiograma, foi realizada antes e após a intervenção que durou o tempo de tratamento. A qualidade de vida global foi obtida através do questionário EORTC QLQ-C30 e BR23 em ambos os grupos e a capacidade funcional foi avaliada no GE através dos testes funcionais de Rikli e Jones, realizados antes e após o tratamento. O GE realizou treino combinado, em que o exercício predominantemente aeróbio (EPA) foi realizado durante 20 minutos a intensidade moderada e o exercício predominantemente anaeróbio (EPAn) conjugou exercícios dinâmicos como agachamentos, flexão da coluna e extensão do quadril e exercícios em isometria como adução horizontal do ombro, abdução horizontal do ombro e flexão do ombro durante 30 segundo. Todos os exercícios do EPAn completaram 3 séries com 1 minuto de descanso entre séries. Resultados: Houve diferença significativa da qualidade de vida entre grupos após os tratamentos com quimioterapia (p=0,004), com redução no GC. Houve redução significativa da funcionalidade física (p<0,001) , capacidade funcional (p<0,001) funcionalidade emocional (p<0,001) , funcionalidade cognitiva (p<0,001) e funcionalidade social (p<0,002) e aumento dos sintomas de fadiga (p<0,001), náuseas e vómitos (p<0,001), dor (p<0,001), dispneia (p<0,008), insónia (p<0,001), perda de apetite (p<0,005) e dificuldades financeiras (p<0,015). Nas escalas funcionais do BR23 observou-se aumento estatisticamente significativo da imagem corporal e das perspetivas futuras (p<0,001 e p<0,001e respetivamente) e diminuição da função sexual (p<0,027). Na escala de sintomas, observou-se aumento dos efeitos secundários das terapias (p<0,001), dos sintomas na mama (p<0,002) e no braço (p<0,002). Após os tratamentos o GC teve diminuição significativa da FEVE comparando com o valor basal (p<0,001) sem diferenças para com o GE em nenhum momento. O GE não teve diferenças entre momentos pré e após quimioterapia. O GE no momento após apresentou diferença significativa nos testes de levantar e sentar (p<0,001), flexão do cotovelo (p<0,003), , levantar, caminhar 2,44m e voltar a sentar (p<0,003) e no teste de caminhar 6 minutos (p<0,001). Conclusões: A implementação de programas de exercício com baixos recursos materiais pode ser eficaz para reduzir os efeitos laterais da quimioterapia, aumentar a qualidade de vida, prevenir a perda significativa da FEVE e aumentar a capacidade funcional em mulheres com CM em tratamento com quimioterapia.