Publicação
Efeitos da disponibilidade hídrica na fisiologia e produção de vitis vinifera l. Na região demarcada do douro
| Resumo: | A temática das relações hídricas na vinha e sobretudo o seu impacto na produção não é consensual. Embora a rega seja uma prática agronómica comum em muitas zonas vitícolas do Globo, continuam a ser levantadas questões acerca das vantagens/inconvenientes que poderão advir da sua utilização. O presente trabalho pretende contribuir para a clarificação do tema e contextualizá-lo nas condições particulares da Região Demarcada do Douro (RDD). Em 2003 foi assim estabelecido um campo experimental na sub-região do Douro Superior numa parcela de Vitis vinífera L. cv. Tinta Roriz enxertada em 1103P, com o objectivo de avaliar o impacto de diferentes regimes hídricos no comportamento fisiológico da videira e as suas consequências no rendimento e composição dos mostos da RDD. Os tratamentos experimentais definidos diferiam quer na quantidade de água aplicada à vinha, quer no período da sua aplicação: não regado (NR), regado da floração ao pintor a 50% da ET (FP1), regado da floração ao pintor a 100% da ET (FP2), regado do pintor à maturação a 50% da ET (PM1), regado do pintor à maturação a 100% da ET (PM2) e regado da floração à maturação a 100% da ET (FM2). Foram utilizados vários métodos de avaliação do estado hídrico da videira, destacando-se pela positiva a medição da velocidade do fluxo de seiva, do potencial hídrico foliar de base e das trocas gasosas através do IRGA. Por sua vez a estimativa do teor de clorofilas das folhas através do SPAD e os registos da fluorescência da clorofila a não se revelaram bons indicadores do estado hídrico da videira. Ao longo dos três anos de trabalhos, as modalidades definidas resultaram em diferenças significativas no teor de água no solo e consequentemente no comportamento fisiológico, vegetativo e produtivo das videiras. As modalidades regadas no período dos registos apresentaram taxas mais elevadas de transpiração, condutância estomática, fotossíntese e fluxo de seiva, resultando em geral (excepto na PM1) maiores áreas foliares e uma continuação do crescimento vegetativo após o pintor. Em termos de produção, as videiras não regadas registaram as menores quantidades, sobretudo devido a um menor peso dos bagos, e apresentaram um desempenho qualitativo inconstante, com grandes variações dos açúcares e carotenóides ao longo dos três anos, motivadas sobretudo por efeitos de concentração pelo reduzido tamanho dos bago, e em geral VIII baixos teores de compostos fenólicos nas películas das uvas. A modalidade mais regada (FM2) apresentou os rendimentos mais elevados, devido a um maior peso dos seus cachos e bagos, mas uma menor qualidade geral, apresentando teores de açúcar, compostos fenólicos e carotenóides baixos. O desempenho produtivo mais equilibrado resultou da manutenção das videiras sob uma carência hídrica leve até ao pintor e média durante o período da maturação, condições atingidas neste caso através da rega com uma dotação de 50% da ET apenas da floração ao pintor, com vantagens quer no rendimento, quer na qualidade. Deve-se contudo ter em conta que poderão existir diferentes opções de regime hídrico consoante os objectivos de produção, as condições ambientais e os recursos disponíveis, não se podendo tampouco descurar o efeito do factor “Ano”, que se verificou ter uma influência significativa na maioria dos parâmetros de produção avaliados. |
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| Autores principais: | Sousa, Tiago Alves de |
| Assunto: | Vitis Vinifera l. Fisiologia Vegetal |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A temática das relações hídricas na vinha e sobretudo o seu impacto na produção não é consensual. Embora a rega seja uma prática agronómica comum em muitas zonas vitícolas do Globo, continuam a ser levantadas questões acerca das vantagens/inconvenientes que poderão advir da sua utilização. O presente trabalho pretende contribuir para a clarificação do tema e contextualizá-lo nas condições particulares da Região Demarcada do Douro (RDD). Em 2003 foi assim estabelecido um campo experimental na sub-região do Douro Superior numa parcela de Vitis vinífera L. cv. Tinta Roriz enxertada em 1103P, com o objectivo de avaliar o impacto de diferentes regimes hídricos no comportamento fisiológico da videira e as suas consequências no rendimento e composição dos mostos da RDD. Os tratamentos experimentais definidos diferiam quer na quantidade de água aplicada à vinha, quer no período da sua aplicação: não regado (NR), regado da floração ao pintor a 50% da ET (FP1), regado da floração ao pintor a 100% da ET (FP2), regado do pintor à maturação a 50% da ET (PM1), regado do pintor à maturação a 100% da ET (PM2) e regado da floração à maturação a 100% da ET (FM2). Foram utilizados vários métodos de avaliação do estado hídrico da videira, destacando-se pela positiva a medição da velocidade do fluxo de seiva, do potencial hídrico foliar de base e das trocas gasosas através do IRGA. Por sua vez a estimativa do teor de clorofilas das folhas através do SPAD e os registos da fluorescência da clorofila a não se revelaram bons indicadores do estado hídrico da videira. Ao longo dos três anos de trabalhos, as modalidades definidas resultaram em diferenças significativas no teor de água no solo e consequentemente no comportamento fisiológico, vegetativo e produtivo das videiras. As modalidades regadas no período dos registos apresentaram taxas mais elevadas de transpiração, condutância estomática, fotossíntese e fluxo de seiva, resultando em geral (excepto na PM1) maiores áreas foliares e uma continuação do crescimento vegetativo após o pintor. Em termos de produção, as videiras não regadas registaram as menores quantidades, sobretudo devido a um menor peso dos bagos, e apresentaram um desempenho qualitativo inconstante, com grandes variações dos açúcares e carotenóides ao longo dos três anos, motivadas sobretudo por efeitos de concentração pelo reduzido tamanho dos bago, e em geral VIII baixos teores de compostos fenólicos nas películas das uvas. A modalidade mais regada (FM2) apresentou os rendimentos mais elevados, devido a um maior peso dos seus cachos e bagos, mas uma menor qualidade geral, apresentando teores de açúcar, compostos fenólicos e carotenóides baixos. O desempenho produtivo mais equilibrado resultou da manutenção das videiras sob uma carência hídrica leve até ao pintor e média durante o período da maturação, condições atingidas neste caso através da rega com uma dotação de 50% da ET apenas da floração ao pintor, com vantagens quer no rendimento, quer na qualidade. Deve-se contudo ter em conta que poderão existir diferentes opções de regime hídrico consoante os objectivos de produção, as condições ambientais e os recursos disponíveis, não se podendo tampouco descurar o efeito do factor “Ano”, que se verificou ter uma influência significativa na maioria dos parâmetros de produção avaliados. |
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