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Estudo da fertilidade dos gomos em três castas brancas da Região Demarcada dos Vinhos Verdes

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Summary:A quantidade e qualidade de uvas são critérios de elevada importância para o setor vitivinícola, mas altamente variáveis de ano para ano. Neste âmbito, as condições ambientais e endógenas, desde a indução e diferenciação floral até à maturação têm um papel preponderante em todo processo reprodutivo e produtivo a ponto de comprometer a colheita. A fertilidade e a incidência de necroses nos gomos, associadas ao número de cachos por gomo e ao número e peso dos bagos, são parâmetros que contribuem para esta variação anual da produção. Conhecer estes fatores são importantes não só para a compreensão da variabilidade interanual como podem contribuir para uma melhoria da produção. Neste sentido, definiu-se como objetivo geral desta tese de doutoramento avaliar a fertilidade dos gomos antes do abrolhamento por diferentes técnicas de análise bem como conhecer as características morfológicas e biométricas de inflorescências e cachos ao longo do ciclo, a fim de encontrar as relações alométricas mais significativas no sentido de contribuir para uma estimativa mais robusta e focada nas características individuais de cada casta. Os estudos realizados incidiram sobre três castas brancas Alvarinho, Fernão-Pires e Loureiro, pelo potencial agronómico, e potencial enológicos para a produção de vinho Verde na Região Demarcada do Vinho Verde (RDVV). O ensaio foi conduzido em duas importantes parcelas da RDVV, localizadas em Celorico de Basto (Sub-região de Basto) e Penafiel (Sub-região do Sousa), ambas propriedade da empresa Aveleda SA. A fertilidade dos gomos foi avaliada por meio de análise anatómica ou através da forçagem do abrolhamento dos gomos dormentes, sendo cada um dos métodos caracterizado por diferentes equipamentos, reagentes e informações obtidas. Todas elas mostram que o número de inflorescências é diferente entre castas e ciclos produtivos (2016/2017 e 2017/2018). Assim, perante os resultados obtidos, verificamos que a casta Fernão-Pires foi a que apresentou maior fertilidade dos seus gomos, seguindo-se a casta Loureiro e por fim a Alvarinho, com menor número de inflorescências por gomo abrolhado. Embora a percentagem de incidência de necroses seja variável entre castas, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos dois anos, com percentagens inferiores a 30%. No entanto, x foram evidentes as diferenças entre castas e anos quanto à concentração de açúcares solúveis e amido presentes nas zonas do nó e entrenó dos sarmentos. Observaram-se alterações bioquímicas entre a dormência e o abrolhamento dos gomos, com o conteúdo de malondialdeído (MDA) e prolina endógena a serem significativamente mais elevados no abrolhamento. Em termos de atividade das enzimas antioxidantes, observou-se um efeito da casta e do estágio fenológico, com a Ascorbato-Peroxidase (APX), Peroxidase (POX) e Superóxido Dismutase (SOD) a apresentarem maior atividade na dormência e menor no abrolhamento, contrariamente à Catalase (CAT) e Glutationa-s-transferase (GST), que foi significativamente maior no abrolhamento. Todas as castas apresentaram um aumento da concentração de açúcares solúveis totais e diminuição do amido nos gomos no abrolhamento. Quanto aos parâmetros morfológicos e biométricos observaram-se diferenças entre castas em relação ao peso, às dimensões das ráquis, número de botões florais e de bagos, desde o estado de inflorescência e até à maturação do cacho. Ainda que os valores sejam igualmente variáveis entre anos, a cada ciclo observou-se um comportamento padrão de cada uma das castas nos três estados fenológico (antes da floração, pintor e maturação). A casta Loureiro foi a que apresentou inflorescências e cachos mais pesados, mais compridos e com maior número de botões florais e bagos, assim como maior percentagem de vingamento, nos dois anos, o que contribuiu para o maior número de bagos. A casta Alvarinho caracteriza-se por inflorescências e cachos com menor dimensão e consequentemente menor número de botões florais. A obtenção de relações alométricas significativas entre o peso, as principais dimensões primárias da ráquis, entre dimensões secundárias na casta Alvarinho e Fernão-Pires indicam a possibilidade de utilização destas variáveis para uma estimativa de colheita mais robusta com base nas características das inflorescencias e cachos em cada casta. Considerando a variação da fertilidade, as mudanças bioquímicas que ocorrem nos gomos entre estados fenológicos, assim como as diferenças morfológicas e biométricas entre castas e anos, os resultados obtidos reforçam a importância do estudo destas variáveis para melhor perceber e ajustar o processo produtivo.
Main Authors:Monteiro, Ana Isabel Marques
Subject:Vitis vinifera L. inflorescências e cachos
Year:2022
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Language:Portuguese
Origin:Repositório da UTAD
Description
Summary:A quantidade e qualidade de uvas são critérios de elevada importância para o setor vitivinícola, mas altamente variáveis de ano para ano. Neste âmbito, as condições ambientais e endógenas, desde a indução e diferenciação floral até à maturação têm um papel preponderante em todo processo reprodutivo e produtivo a ponto de comprometer a colheita. A fertilidade e a incidência de necroses nos gomos, associadas ao número de cachos por gomo e ao número e peso dos bagos, são parâmetros que contribuem para esta variação anual da produção. Conhecer estes fatores são importantes não só para a compreensão da variabilidade interanual como podem contribuir para uma melhoria da produção. Neste sentido, definiu-se como objetivo geral desta tese de doutoramento avaliar a fertilidade dos gomos antes do abrolhamento por diferentes técnicas de análise bem como conhecer as características morfológicas e biométricas de inflorescências e cachos ao longo do ciclo, a fim de encontrar as relações alométricas mais significativas no sentido de contribuir para uma estimativa mais robusta e focada nas características individuais de cada casta. Os estudos realizados incidiram sobre três castas brancas Alvarinho, Fernão-Pires e Loureiro, pelo potencial agronómico, e potencial enológicos para a produção de vinho Verde na Região Demarcada do Vinho Verde (RDVV). O ensaio foi conduzido em duas importantes parcelas da RDVV, localizadas em Celorico de Basto (Sub-região de Basto) e Penafiel (Sub-região do Sousa), ambas propriedade da empresa Aveleda SA. A fertilidade dos gomos foi avaliada por meio de análise anatómica ou através da forçagem do abrolhamento dos gomos dormentes, sendo cada um dos métodos caracterizado por diferentes equipamentos, reagentes e informações obtidas. Todas elas mostram que o número de inflorescências é diferente entre castas e ciclos produtivos (2016/2017 e 2017/2018). Assim, perante os resultados obtidos, verificamos que a casta Fernão-Pires foi a que apresentou maior fertilidade dos seus gomos, seguindo-se a casta Loureiro e por fim a Alvarinho, com menor número de inflorescências por gomo abrolhado. Embora a percentagem de incidência de necroses seja variável entre castas, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas nos dois anos, com percentagens inferiores a 30%. No entanto, x foram evidentes as diferenças entre castas e anos quanto à concentração de açúcares solúveis e amido presentes nas zonas do nó e entrenó dos sarmentos. Observaram-se alterações bioquímicas entre a dormência e o abrolhamento dos gomos, com o conteúdo de malondialdeído (MDA) e prolina endógena a serem significativamente mais elevados no abrolhamento. Em termos de atividade das enzimas antioxidantes, observou-se um efeito da casta e do estágio fenológico, com a Ascorbato-Peroxidase (APX), Peroxidase (POX) e Superóxido Dismutase (SOD) a apresentarem maior atividade na dormência e menor no abrolhamento, contrariamente à Catalase (CAT) e Glutationa-s-transferase (GST), que foi significativamente maior no abrolhamento. Todas as castas apresentaram um aumento da concentração de açúcares solúveis totais e diminuição do amido nos gomos no abrolhamento. Quanto aos parâmetros morfológicos e biométricos observaram-se diferenças entre castas em relação ao peso, às dimensões das ráquis, número de botões florais e de bagos, desde o estado de inflorescência e até à maturação do cacho. Ainda que os valores sejam igualmente variáveis entre anos, a cada ciclo observou-se um comportamento padrão de cada uma das castas nos três estados fenológico (antes da floração, pintor e maturação). A casta Loureiro foi a que apresentou inflorescências e cachos mais pesados, mais compridos e com maior número de botões florais e bagos, assim como maior percentagem de vingamento, nos dois anos, o que contribuiu para o maior número de bagos. A casta Alvarinho caracteriza-se por inflorescências e cachos com menor dimensão e consequentemente menor número de botões florais. A obtenção de relações alométricas significativas entre o peso, as principais dimensões primárias da ráquis, entre dimensões secundárias na casta Alvarinho e Fernão-Pires indicam a possibilidade de utilização destas variáveis para uma estimativa de colheita mais robusta com base nas características das inflorescencias e cachos em cada casta. Considerando a variação da fertilidade, as mudanças bioquímicas que ocorrem nos gomos entre estados fenológicos, assim como as diferenças morfológicas e biométricas entre castas e anos, os resultados obtidos reforçam a importância do estudo destas variáveis para melhor perceber e ajustar o processo produtivo.