Publicação
Comportamentos pró ambientais em Vila Real: uma aplicação da psicologia ambiental ao desenvolvimento local
| Resumo: | Nos últimos anos tem crescido o interesse pelo estudo das questões ambientais a partir de uma perspectiva psicossocial que procura identificar as variáveis que influenciam a realização de comportamentos de proteccão do ambiente, também designados por comportamentos pro ambientais. Um dos aspectos que tem vindo a ser negligenciado pela literatura e a investigação deste tema numa base local, ou seja, a análise das questões ambientais globais tem sido feita sem articulação com a accão local. Neste projecto de investigação procurou-se identificar os factores subjacentes aos comportamentos pró ambientais, dando relevo não só às variáveis tradicionalmente estudadas, como são as variáveis sócio-demográficas e a preocupação ambiental, mas também a variáveis que permitem a articulação entre o global e o local. Atendeu-se à forma como as pessoas pensam o ambiente e a natureza, a partir da Teoria Cultural, uma vez que este pensamento permitir-nos-ia não só aceder às visões culturais sobre a natureza, mas também diferenciar a forma como as pessoas com diferentes visões tratam esta dicotomia global/local e como essas diferenças se concretizam ao nível da realização dos comportamentos pró ambientais. Atendeu-se à vinculação ao lugar, enquanto ligação emocional e funcional a um lugar, pelo facto de existir evidência empírica para a influência da vinculação ao lugar sobre aqueles comportamentos, com resultados distintos que importava esclarecer. A importância desta variável acresce, aliás, quando estão em causa comportamentos especificamente locais uma vez que a investigação tem mostrado o efeito environmental hyperopia – discrepância entre a preocupação ambiental global e local, com o ambiente ao nível local a ser percepcionado como menos preocupante, com consequências na realização daqueles comportamentos. Por fim, como o consenso em torno das questões ambientais se tem vindo a revelar aparente e superficial, atendeu-se à ambivalência atitudinal e à forma como a presença ou a ausência desta poderia influenciar a realização dos comportamentos de preservação ambiental. Desenvolveu-se um estudo exploratório e correlacional junto de uma amostra de residentes na cidade de Vila Real, cujos resultados apontam para maior adesão à visão da natureza e ambiente que congrega as ideias que a Teoria Cultural designa por Hierarquia e Igualitarismo, por isso, adesão às ideias mais próximas do ecocentrismo. Denota-se também a expressividade da vinculação ao lugar por parte das pessoas da nossa amostra, bem como expressivo sentimento de cidadania das pessoas enquanto Vilarealenses. Fica ainda claro que também na nossa amostra se confirma o efeito environmental hyperopia, com as pessoas a manifestarem maior grau de preocupação com o ambiente ao nível global do que ao local. Verificou-se, por fim, que embora as pessoas não expressem valores elevados de ambivalência face às questões ambientais, a análise da variabilidade desta variável mostra que na realidade as pessoas se sentem ambivalentes, nomeadamente quanto à necessidade de realizar comportamentos de preservação ambiental. Relativamente aos comportamentos pró ambientais, quisemos conhecer o tipo de e a frequência de comportamentos que as pessoas relatavam. Desde logo, verificamos que os comportamentos pró ambientais se dividem em três grandes dimensões: comportamentos de reciclagem, de poupança e comportamentos públicos. Depois, constatamos que as pessoas relatam realizar amplamente os comportamentos de reciclagem e os de poupança, enquanto os públicos não tem grande expressividade. Em seguida procuramos analisar a relação entre as diferentes variáveis estudadas e estes comportamentos, bem como a capacidade preditiva daquelas variáveis nos comportamentos. Relativamente à relação das variáveis com os comportamentos, verificou-se que existe uma relação positiva entre estes. Quanto à capacidade preditiva das variáveis relativamente aos comportamentos, a situação é todavia distinta, uma vez que a equação de regressão como um todo mostra que as variáveis têm pouco poder de explicação. Porém, fica também claro o poder isolado de algumas destas variáveis. Em suma e na generalidade, os comportamentos pró ambientais são realizados pelos indíviduos mais velhos, com mais instrução, com maior preocupação ambiental local, que se identificam com a visão da natureza e do ambiente Hierarquia e Igualitarismo, mais vinculados ao lugar e menos ambivalentes. |
|---|---|
| Autores principais: | Lisboa, Paulo Vítor Silva Carvalho |
| Assunto: | Comportamentos pró-ambientais Teoria cultural Vinculação ao lugar Ambivalência |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Nos últimos anos tem crescido o interesse pelo estudo das questões ambientais a partir de uma perspectiva psicossocial que procura identificar as variáveis que influenciam a realização de comportamentos de proteccão do ambiente, também designados por comportamentos pro ambientais. Um dos aspectos que tem vindo a ser negligenciado pela literatura e a investigação deste tema numa base local, ou seja, a análise das questões ambientais globais tem sido feita sem articulação com a accão local. Neste projecto de investigação procurou-se identificar os factores subjacentes aos comportamentos pró ambientais, dando relevo não só às variáveis tradicionalmente estudadas, como são as variáveis sócio-demográficas e a preocupação ambiental, mas também a variáveis que permitem a articulação entre o global e o local. Atendeu-se à forma como as pessoas pensam o ambiente e a natureza, a partir da Teoria Cultural, uma vez que este pensamento permitir-nos-ia não só aceder às visões culturais sobre a natureza, mas também diferenciar a forma como as pessoas com diferentes visões tratam esta dicotomia global/local e como essas diferenças se concretizam ao nível da realização dos comportamentos pró ambientais. Atendeu-se à vinculação ao lugar, enquanto ligação emocional e funcional a um lugar, pelo facto de existir evidência empírica para a influência da vinculação ao lugar sobre aqueles comportamentos, com resultados distintos que importava esclarecer. A importância desta variável acresce, aliás, quando estão em causa comportamentos especificamente locais uma vez que a investigação tem mostrado o efeito environmental hyperopia – discrepância entre a preocupação ambiental global e local, com o ambiente ao nível local a ser percepcionado como menos preocupante, com consequências na realização daqueles comportamentos. Por fim, como o consenso em torno das questões ambientais se tem vindo a revelar aparente e superficial, atendeu-se à ambivalência atitudinal e à forma como a presença ou a ausência desta poderia influenciar a realização dos comportamentos de preservação ambiental. Desenvolveu-se um estudo exploratório e correlacional junto de uma amostra de residentes na cidade de Vila Real, cujos resultados apontam para maior adesão à visão da natureza e ambiente que congrega as ideias que a Teoria Cultural designa por Hierarquia e Igualitarismo, por isso, adesão às ideias mais próximas do ecocentrismo. Denota-se também a expressividade da vinculação ao lugar por parte das pessoas da nossa amostra, bem como expressivo sentimento de cidadania das pessoas enquanto Vilarealenses. Fica ainda claro que também na nossa amostra se confirma o efeito environmental hyperopia, com as pessoas a manifestarem maior grau de preocupação com o ambiente ao nível global do que ao local. Verificou-se, por fim, que embora as pessoas não expressem valores elevados de ambivalência face às questões ambientais, a análise da variabilidade desta variável mostra que na realidade as pessoas se sentem ambivalentes, nomeadamente quanto à necessidade de realizar comportamentos de preservação ambiental. Relativamente aos comportamentos pró ambientais, quisemos conhecer o tipo de e a frequência de comportamentos que as pessoas relatavam. Desde logo, verificamos que os comportamentos pró ambientais se dividem em três grandes dimensões: comportamentos de reciclagem, de poupança e comportamentos públicos. Depois, constatamos que as pessoas relatam realizar amplamente os comportamentos de reciclagem e os de poupança, enquanto os públicos não tem grande expressividade. Em seguida procuramos analisar a relação entre as diferentes variáveis estudadas e estes comportamentos, bem como a capacidade preditiva daquelas variáveis nos comportamentos. Relativamente à relação das variáveis com os comportamentos, verificou-se que existe uma relação positiva entre estes. Quanto à capacidade preditiva das variáveis relativamente aos comportamentos, a situação é todavia distinta, uma vez que a equação de regressão como um todo mostra que as variáveis têm pouco poder de explicação. Porém, fica também claro o poder isolado de algumas destas variáveis. Em suma e na generalidade, os comportamentos pró ambientais são realizados pelos indíviduos mais velhos, com mais instrução, com maior preocupação ambiental local, que se identificam com a visão da natureza e do ambiente Hierarquia e Igualitarismo, mais vinculados ao lugar e menos ambivalentes. |
|---|