Publicação
Estudo ecográfico em modo Doppler colorido e pulsátil do testículo do cão
| Resumo: | A avaliação do fluxo sanguíneo da artéria testicular por ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil, é uma importante técnica de diagnóstico, que permite avaliar a vascularização e perfusão testiculares. Recentemente, foi sugerido que permite estimar a integridade testicular. Adicionalmente, através do Ensaio Cometa Alcalino, é possível quantificar o dano oxidativo no DNA espermático, que é um fator que tem influência na fertilidade. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre as características do fluxo sanguíneo da artéria testicular e o dano oxidativo no DNA espermático do cão. Foi realizada uma ecografia testicular e recolha de sémen a 12 cães machos. A amostra foi dividida em dois grupos, de acordo com a classificação dos ejaculados em normozoospérmicos e em não normozoospérmicos. Cinco cães com idades compreendidas entre os 1,5 e os 5 anos, foram incluídos no grupo normais (N) e sete cães, com idades compreendidas entre os 2 e os 11 anos, foram incluídos no grupo não normais, oligoastenoteratozoospermico (OAT). A ecografia em modo bidimensional (modo-B), foi utilizada para medir o volume testicular total e recorreu-se ao programa informático de análise de imagem ImageJ (U. S. National Institutes of Health, Bethesda, Maryland, USA, https://imagej.nih.gov/ij/) para avaliar a ecogenicidade e a heterogeneidade testiculares objetivas. A ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil, foi utilizada para medir os parâmetros velocimétricos das artérias supratesticular e marginal dos testículos direito e esquerdo. A segunda fração do ejaculado foi avaliada através de testes laboratoriais clássicos e os danos oxidativos no DNA espermático foram medidos pelo Ensaio Cometa Alcalino. No que diz respeito à qualidade espermática, a percentagem de espermatozoides com morfologia normal foi significativamente inferior (p= 0,03) no grupo OAT [76,5 (16,1), mediana (amplitude interquartil)], comparativamente ao grupo N [90,9 (11,75)]. Os dois grupos não diferiram relativamente à distribuição do volume testicular total [N: 19,56 (9,05); OAT: 13,79 (10,6); p= 0,202)]. O grupo OAT apresentou uma velocidade do pico sistólico (systolic peak velocity, SPV) da artéria supratesticular esquerda significativamente inferior à do grupo N [N: 33,3 (12,15); OAT: 18,1 (4,0); p= 0,005]. Relativamente aos danos oxidativos no DNA espermático, os valores foram numericamente superiores no grupo OAT, mas não houve diferenças significativas na distribuição entre os dois grupos [N: 28 (40,0); OAT: 22 (59,0); p=1,000)]. Foram observadas correlações significativas através do coeficiente de correlação de postos de Spearman (r). Observou-se uma correlação negativa entre a heterogeneidade testicular e a percentagem de espermatozoides com mobilidade progressiva (r= -0,718; p= 0,009). A SPV da artéria supratesticular correlacionou-se fortemente com o volume testicular total (r= 0,832; p= 0,001). A velocidade diastólica final da artéria supratesticular correlacionouse positivamente com a concentração espermática (r= 0,671; p= 0,017) e negativamente com os danos oxidativos no DNA espermático (r= -0,606; p=0,037). Os resultados obtidos sugerem que os parâmetros velocimétricos da artéria testicular refletem a qualidade espermática à altura da ecografia, incluindo o stresse oxidativo do DNA espermático. A ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil é uma ferramenta de diagnóstico importante em cães com problemas de fertilidade. |
|---|---|
| Autores principais: | Lemos, Helena Isabel Martins |
| Assunto: | cão testículo Doppler |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A avaliação do fluxo sanguíneo da artéria testicular por ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil, é uma importante técnica de diagnóstico, que permite avaliar a vascularização e perfusão testiculares. Recentemente, foi sugerido que permite estimar a integridade testicular. Adicionalmente, através do Ensaio Cometa Alcalino, é possível quantificar o dano oxidativo no DNA espermático, que é um fator que tem influência na fertilidade. Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre as características do fluxo sanguíneo da artéria testicular e o dano oxidativo no DNA espermático do cão. Foi realizada uma ecografia testicular e recolha de sémen a 12 cães machos. A amostra foi dividida em dois grupos, de acordo com a classificação dos ejaculados em normozoospérmicos e em não normozoospérmicos. Cinco cães com idades compreendidas entre os 1,5 e os 5 anos, foram incluídos no grupo normais (N) e sete cães, com idades compreendidas entre os 2 e os 11 anos, foram incluídos no grupo não normais, oligoastenoteratozoospermico (OAT). A ecografia em modo bidimensional (modo-B), foi utilizada para medir o volume testicular total e recorreu-se ao programa informático de análise de imagem ImageJ (U. S. National Institutes of Health, Bethesda, Maryland, USA, https://imagej.nih.gov/ij/) para avaliar a ecogenicidade e a heterogeneidade testiculares objetivas. A ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil, foi utilizada para medir os parâmetros velocimétricos das artérias supratesticular e marginal dos testículos direito e esquerdo. A segunda fração do ejaculado foi avaliada através de testes laboratoriais clássicos e os danos oxidativos no DNA espermático foram medidos pelo Ensaio Cometa Alcalino. No que diz respeito à qualidade espermática, a percentagem de espermatozoides com morfologia normal foi significativamente inferior (p= 0,03) no grupo OAT [76,5 (16,1), mediana (amplitude interquartil)], comparativamente ao grupo N [90,9 (11,75)]. Os dois grupos não diferiram relativamente à distribuição do volume testicular total [N: 19,56 (9,05); OAT: 13,79 (10,6); p= 0,202)]. O grupo OAT apresentou uma velocidade do pico sistólico (systolic peak velocity, SPV) da artéria supratesticular esquerda significativamente inferior à do grupo N [N: 33,3 (12,15); OAT: 18,1 (4,0); p= 0,005]. Relativamente aos danos oxidativos no DNA espermático, os valores foram numericamente superiores no grupo OAT, mas não houve diferenças significativas na distribuição entre os dois grupos [N: 28 (40,0); OAT: 22 (59,0); p=1,000)]. Foram observadas correlações significativas através do coeficiente de correlação de postos de Spearman (r). Observou-se uma correlação negativa entre a heterogeneidade testicular e a percentagem de espermatozoides com mobilidade progressiva (r= -0,718; p= 0,009). A SPV da artéria supratesticular correlacionou-se fortemente com o volume testicular total (r= 0,832; p= 0,001). A velocidade diastólica final da artéria supratesticular correlacionouse positivamente com a concentração espermática (r= 0,671; p= 0,017) e negativamente com os danos oxidativos no DNA espermático (r= -0,606; p=0,037). Os resultados obtidos sugerem que os parâmetros velocimétricos da artéria testicular refletem a qualidade espermática à altura da ecografia, incluindo o stresse oxidativo do DNA espermático. A ecografia em modo Doppler colorido e pulsátil é uma ferramenta de diagnóstico importante em cães com problemas de fertilidade. |
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