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Qualidade de vida em adolescentes de 10-12 anos: relação com a aptidão física e os níveis de actividade física

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Resumo:A análise da qualidade vida relacionada à saúde permanece ainda muito limitada em adolescentes, nomeadamente entre os 6 e os 12 anos, não sendo habitualmente abordada a sua relação com as componentes da aptidão física e com os níveis de atividade física (AF). Com base numa amostra de 109 adolescentes (59 raparigas e 50 rapazes), com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, este estudo procurou analisar, em ambos os géneros, a influência relativa do índice de massa corporal (IMC), do perímetro da cintura (PC), da aptidão aeróbia e da AF na variação das várias dimensões da qualidade de vida. Procurou-se também examinar o grau de associação e as diferenças entre a perceção da qualidade de vida dos adolescentes e a dos pais, em relação à dos seus educandos. O recrutamento da amostra foi realizado no concelho de Vila Real e a metodologia incluiu a avaliação da aptidão aeróbia através do teste de Vaivém (NES, 2002) e da AF (total, escolar, desportiva e de lazer) utilizando o questionário de Baecke (Baecke, et al., 1982). O peso foi avaliado com a balança SECA 702 e a altura com o estadiómetro SECA 220, sendo a classificação do IMC realizada de acordo com os critérios estabelecidos por Cole et al (2000). A categorização do PC obedeceu às normas instituídas pela IDF (2007) e para todas as medidas antropométricas foram determinados os erros técnicos. A qualidade de vida relacionada à saúde foi apreciada através do questionário Kidscreen 27 (Gaspar & Matos, 2008) e a análise estatística inclui testes t para amostras independentes e análises de regressão múltipla stepwise, sendo considerado um grau de significância estatística de 5%. As raparigas apresentaram, em relação aos rapazes, menores níveis (p≤ 0,01) de aptidão aeróbia (-8,07 percursos) e de AF (-1,09 pontos), sobretudo no que diz respeito à componente desportiva, evidenciando também um menor bem-estar físico (-1,22 pontos, p≤0,05). A maioria dos elementos da amostra revelou um PC normal e a ausência de excesso de peso, sendo identificadas 23,7% das raparigas e 58% dos rapazes com níveis de aptidão aeróbia dentro da zona saudável de aptidão física. O IMC (β=-0,267 nas raparigas e β= -0,546 nos rapazes, p≤0,01) e a AF (β= 0,340 e β= 0,409 respetivamente, p≤0,01) revelaram-se preditores significativos do bem-estar físico, explicando uma maior proporção da variação desta dimensão no género masculino. As raparigas mais ativas documentam um melhor ambiente escolar, independentemente dos níveis de aptidão aeróbia e de adiposidade total e central. A dimensão social/grupo de pares foi influenciada de forma adversa pelo IMC nos rapazes (β =-0,387, p≤0,01) e favorecida pela presença de maiores níveis de AF nas raparigas. A confrontação dos valores médios das várias dimensões da qualidade de vida entre pais e filhos denunciou diferenças para todas as dimensões no género masculino e para 3 delas no feminino (autonomia e relação com os pais, suporte social/grupo de pares e ambiente escolar), sendo restrito o número de correlações significativas entre eles, particularmente nos rapazes. Os nossos resultados sugerem, em função dos preditores selecionados, que a qualidade de vida das raparigas é mais determinada pela AF, enquanto nos rapazes a sua maior variação é explicada pelo IMC. Os adolescentes tendem a apresentar uma maior perceção da sua própria qualidade de vida em relação à manifestada pelo pais, exceto nas raparigas em relação ao bem-estar físico e psicológico.
Autores principais:Lourosa, Ana Patrícia Matos
Assunto:Qualidade de vida Adolescentes Aptidão física Atividade física Aptidão aeróbia
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A análise da qualidade vida relacionada à saúde permanece ainda muito limitada em adolescentes, nomeadamente entre os 6 e os 12 anos, não sendo habitualmente abordada a sua relação com as componentes da aptidão física e com os níveis de atividade física (AF). Com base numa amostra de 109 adolescentes (59 raparigas e 50 rapazes), com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos, este estudo procurou analisar, em ambos os géneros, a influência relativa do índice de massa corporal (IMC), do perímetro da cintura (PC), da aptidão aeróbia e da AF na variação das várias dimensões da qualidade de vida. Procurou-se também examinar o grau de associação e as diferenças entre a perceção da qualidade de vida dos adolescentes e a dos pais, em relação à dos seus educandos. O recrutamento da amostra foi realizado no concelho de Vila Real e a metodologia incluiu a avaliação da aptidão aeróbia através do teste de Vaivém (NES, 2002) e da AF (total, escolar, desportiva e de lazer) utilizando o questionário de Baecke (Baecke, et al., 1982). O peso foi avaliado com a balança SECA 702 e a altura com o estadiómetro SECA 220, sendo a classificação do IMC realizada de acordo com os critérios estabelecidos por Cole et al (2000). A categorização do PC obedeceu às normas instituídas pela IDF (2007) e para todas as medidas antropométricas foram determinados os erros técnicos. A qualidade de vida relacionada à saúde foi apreciada através do questionário Kidscreen 27 (Gaspar & Matos, 2008) e a análise estatística inclui testes t para amostras independentes e análises de regressão múltipla stepwise, sendo considerado um grau de significância estatística de 5%. As raparigas apresentaram, em relação aos rapazes, menores níveis (p≤ 0,01) de aptidão aeróbia (-8,07 percursos) e de AF (-1,09 pontos), sobretudo no que diz respeito à componente desportiva, evidenciando também um menor bem-estar físico (-1,22 pontos, p≤0,05). A maioria dos elementos da amostra revelou um PC normal e a ausência de excesso de peso, sendo identificadas 23,7% das raparigas e 58% dos rapazes com níveis de aptidão aeróbia dentro da zona saudável de aptidão física. O IMC (β=-0,267 nas raparigas e β= -0,546 nos rapazes, p≤0,01) e a AF (β= 0,340 e β= 0,409 respetivamente, p≤0,01) revelaram-se preditores significativos do bem-estar físico, explicando uma maior proporção da variação desta dimensão no género masculino. As raparigas mais ativas documentam um melhor ambiente escolar, independentemente dos níveis de aptidão aeróbia e de adiposidade total e central. A dimensão social/grupo de pares foi influenciada de forma adversa pelo IMC nos rapazes (β =-0,387, p≤0,01) e favorecida pela presença de maiores níveis de AF nas raparigas. A confrontação dos valores médios das várias dimensões da qualidade de vida entre pais e filhos denunciou diferenças para todas as dimensões no género masculino e para 3 delas no feminino (autonomia e relação com os pais, suporte social/grupo de pares e ambiente escolar), sendo restrito o número de correlações significativas entre eles, particularmente nos rapazes. Os nossos resultados sugerem, em função dos preditores selecionados, que a qualidade de vida das raparigas é mais determinada pela AF, enquanto nos rapazes a sua maior variação é explicada pelo IMC. Os adolescentes tendem a apresentar uma maior perceção da sua própria qualidade de vida em relação à manifestada pelo pais, exceto nas raparigas em relação ao bem-estar físico e psicológico.