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Composição da carcaça de borregos da raça Churra da Terra Quente - efeito da dieta

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Resumo:Na Europa há atualmente enormes desafios relacionados com a disponibilidade de fontes proteicas para a alimentação animal. A redução da dependência externa das fontes proteicas convencionais como a soja e a utilização de fontes proteicas de produção local como as diversas espécies de Lupinus têm merecido maior atenção da política da União Europeia. As leguminosas do género Lupinus spp. são espécies bem-adaptadas às condições edafo-climáticas da região mediterrânea e são boas fontes de proteína (cerca de 20-45%) e energia, sendo por isso possíveis alternativas às fontes proteicas importadas para a alimentação animal, como é o caso da soja. No entanto e apesar destas potencialidades, o cultivo desta espécie de leguminosa em Portugal tem diminuído nos últimos anos. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da substituição parcial de bagaço de soja por grão de Lupinus albus (tremoço) ou Lupinus luteus (tremocilha) na alimentação de borregos da raça Churra da Terra Quente na composição da carcaça e na qualidade da carne. Para o efeito, foram utilizados 12 borregos inteiros da raça Churra da Terra Quente, provenientes do efetivo animal da UTAD, com 92 a 110 dias de idade e com um peso vivo inicial médio de 18,10 ± 2,83 kg. Os animais foram distribuídos por 3 grupos, de modo a obter um peso vivo médio semelhante para cada grupo e submetidos a 3 dietas isoproteicas e isoenergéticas. As dietas utilizadas foram a dieta controlo constituída por feno, grão de trigo e bagaço de soja, a dieta com substituição do bagaço de soja por L. luteus (33%, DLL) e a dieta com substituição do bagaço de soja por L. albus (27%, DLA). Os animais foram abatidos na sala experimental de abate das instalações da UTAD quando atingiram o peso pretendido (25-27 kg). As carcaças foram divididas e separadas em peças, para posterior dissecação total. Foram registados o pH e a cor da carne e foram recolhidas amostras de músculo longissimus thoracis et lumborum para a determinação da capacidade de retenção da água e da força de corte. Os resultados obtidos indicam que a substituição parcial do bagaço de soja por L. luteus e L. albus na dieta de borregos, de uma forma geral, não afetou a composição da carcaça. No entanto, os valores registados de percentagem de músculo e de gordura subcutânea na carcaça foram inferiores aos registados noutros estudos e na mesma raça. Quanto à qualidade da carne, a cor, as perdas por cocção e a tenrura não foram influenciadas pelo tipo de dieta e encontram-se dentro dos valores registados noutros estudos. Estes resultados indicam a possibilidade de utilização destas fontes proteicas como matérias primas na alimentação de borregos. No entanto, devem ser realizados mais estudos com um número maior de animais e avaliação de níveis mais elevados de incorporação de Lupinus.
Autores principais:Carloto, Daniela Mariana de Carvalho Salgado
Assunto:ovinos tremoço
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Na Europa há atualmente enormes desafios relacionados com a disponibilidade de fontes proteicas para a alimentação animal. A redução da dependência externa das fontes proteicas convencionais como a soja e a utilização de fontes proteicas de produção local como as diversas espécies de Lupinus têm merecido maior atenção da política da União Europeia. As leguminosas do género Lupinus spp. são espécies bem-adaptadas às condições edafo-climáticas da região mediterrânea e são boas fontes de proteína (cerca de 20-45%) e energia, sendo por isso possíveis alternativas às fontes proteicas importadas para a alimentação animal, como é o caso da soja. No entanto e apesar destas potencialidades, o cultivo desta espécie de leguminosa em Portugal tem diminuído nos últimos anos. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo avaliar o efeito da substituição parcial de bagaço de soja por grão de Lupinus albus (tremoço) ou Lupinus luteus (tremocilha) na alimentação de borregos da raça Churra da Terra Quente na composição da carcaça e na qualidade da carne. Para o efeito, foram utilizados 12 borregos inteiros da raça Churra da Terra Quente, provenientes do efetivo animal da UTAD, com 92 a 110 dias de idade e com um peso vivo inicial médio de 18,10 ± 2,83 kg. Os animais foram distribuídos por 3 grupos, de modo a obter um peso vivo médio semelhante para cada grupo e submetidos a 3 dietas isoproteicas e isoenergéticas. As dietas utilizadas foram a dieta controlo constituída por feno, grão de trigo e bagaço de soja, a dieta com substituição do bagaço de soja por L. luteus (33%, DLL) e a dieta com substituição do bagaço de soja por L. albus (27%, DLA). Os animais foram abatidos na sala experimental de abate das instalações da UTAD quando atingiram o peso pretendido (25-27 kg). As carcaças foram divididas e separadas em peças, para posterior dissecação total. Foram registados o pH e a cor da carne e foram recolhidas amostras de músculo longissimus thoracis et lumborum para a determinação da capacidade de retenção da água e da força de corte. Os resultados obtidos indicam que a substituição parcial do bagaço de soja por L. luteus e L. albus na dieta de borregos, de uma forma geral, não afetou a composição da carcaça. No entanto, os valores registados de percentagem de músculo e de gordura subcutânea na carcaça foram inferiores aos registados noutros estudos e na mesma raça. Quanto à qualidade da carne, a cor, as perdas por cocção e a tenrura não foram influenciadas pelo tipo de dieta e encontram-se dentro dos valores registados noutros estudos. Estes resultados indicam a possibilidade de utilização destas fontes proteicas como matérias primas na alimentação de borregos. No entanto, devem ser realizados mais estudos com um número maior de animais e avaliação de níveis mais elevados de incorporação de Lupinus.