Publicação

A educação sexual no ensino profissional: um estudo quasi-experimental envolvendo uma proposta de intervenção com recurso à animação sociocultural

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Atualmente, os jovens, na escola ou fora dela, no meio familiar, no grupo de pares ou imersos nos meios de comunicação, têm de se situar num conjunto de mensagens, de condutas e de modelos ligados à sexualidade que são muitas vezes confusos e contraditórios. Estão sujeitos a perceções estereotipadas, idealizadas e fragmentadas sobre a sexualidade. Torna-se, por isso, necessário a reflexão e a discussão sobre esta problemática, em todos os contextos. A Educação Sexual poderá contribuir para o desenvolvimento global do jovem, tendo em conta que este tema é sinónimo de educar. Os conteúdos da Educação Sexual podem e devem ser interligados com outras áreas de conteúdo, assumindo, assim, uma posição transversal, em termos curriculares. Nas escolas, é possível realizarem-se atividades motivadoras que envolvam os estudantes, onde estes possam discutir, resgatar e expor as suas conceções, revendo ideias de senso comum e construindo conhecimento baseado no conhecimento científico. O educador deve ter plena consciência de que pode e deve, dentro da comunidade escolar, e fora dela, provocar mudanças nesta área do conhecimento, ainda que estas possam parecer pequenas, mas serão certamente importantes num contexto futuro. Com este estudo pretendeu-se, em termos gerais, identificar os conhecimentos e atitudes face à sexualidade, dos alunos do ensino profissional, de duas escolas com ensino profissional da região norte do país. Tratou-se de um estudo quasi-experimental que contemplou três momentos: primeiro – elaboração, validação e aplicação de um questionário que utilizámos para recolha de dados (pré-teste); segundo – planeamento e execução de uma proposta de intervenção com os alunos de uma das escolas, e terceiro - aplicação do questionário (pós-teste). Para o tratamento de dados utilizámos o programa SPSS (Statistical Package for social Sciences versão 19.1, testes não paramétricos de Kruskal-Wallis). A amostra foi de conveniência e incluiu 452 estudantes, distribuídos por 16 turmas, com idades compreendidas entre os 14 e os 21 anos. Para a elaboração da proposta de intervenção, recorremos às práticas da Animação Sociocultural, pois consideramos que esta pode potenciar a capacidade humana de entrega, de convivência e de entreajuda, acreditando que tudo é possível, se todos nos unirmos para a criação de projetos comuns, com o objetivo de alcançar uma melhor qualidade de vida e um renovado bem-estar social. A escolha pela envolvência do Ensino Profissional deveu-se ao facto de este ser considerado um ensino de segunda escolha, frequentado de uma maneira geral, por um perfil de alunos, cujos trajetos e percursos escolares são sobretudo pautados por casos de insucesso, e origens socioeconómicas também mais desfavoráveis, pelo que nem sempre estes alunos usufruem da Educação Sexual quer em casa quer no meio escolar. Da análise dos resultados, constatámos que os alunos reconheceram a importância da Educação Sexual em contexto escolar. A maioria dos jovens refere já ter iniciado as relações sexuais, sendo a principal razão para a iniciação sexual, o facto de quererem experimentar, referindo que utilizaram como método contracetivo o preservativo masculino. Tendo em conta as respostas dadas relativamente aos conhecimentos demonstrados, são na sua maioria satisfatórios no que se refere as infeções sexualmente transmissíveis (IST´s), os modos de transmissão do VIH/SIDA, a utilização de métodos contracetivos e da pílula do dia seguinte/emergência. Verificámos ainda que os alunos da escola A não evidenciaram melhores resultados (no pré-teste) que os da escola B, no entanto, esses resultados melhoraram significativamente, em alguns parâmetros, após o desenvolvimento da intervenção. Constatámos também, que existem diferenças significativas do pré-teste para o pós-teste, aplicado na escola A, ao nível do conceito de sexualidade, métodos contracetivos e a função da Educação Sexual na escola. Este estudo permitiu perceber que as práticas de Animação Sociocultural são uma mais-valia no desenvolvimento de projetos de Educação Sexual, dado que permitem dotar os jovens de ferramentas, que os tornam agentes do seu próprio processo de desenvolvimento e das comunidades em que se inserem. Assim, no que concerne às implicações da Educação Sexual em meio escolar, salientamos que o seu contributo visa a promoção de uma vivência multidimensional da sexualidade, para esse efeito o seu desenvolvimento requer um trabalho multidisciplinar.
Autores principais:Novais, Ana Isabel Oliveira
Assunto:Jovens Educação Sexual Ensino Profissional Animação Sociocultural
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Atualmente, os jovens, na escola ou fora dela, no meio familiar, no grupo de pares ou imersos nos meios de comunicação, têm de se situar num conjunto de mensagens, de condutas e de modelos ligados à sexualidade que são muitas vezes confusos e contraditórios. Estão sujeitos a perceções estereotipadas, idealizadas e fragmentadas sobre a sexualidade. Torna-se, por isso, necessário a reflexão e a discussão sobre esta problemática, em todos os contextos. A Educação Sexual poderá contribuir para o desenvolvimento global do jovem, tendo em conta que este tema é sinónimo de educar. Os conteúdos da Educação Sexual podem e devem ser interligados com outras áreas de conteúdo, assumindo, assim, uma posição transversal, em termos curriculares. Nas escolas, é possível realizarem-se atividades motivadoras que envolvam os estudantes, onde estes possam discutir, resgatar e expor as suas conceções, revendo ideias de senso comum e construindo conhecimento baseado no conhecimento científico. O educador deve ter plena consciência de que pode e deve, dentro da comunidade escolar, e fora dela, provocar mudanças nesta área do conhecimento, ainda que estas possam parecer pequenas, mas serão certamente importantes num contexto futuro. Com este estudo pretendeu-se, em termos gerais, identificar os conhecimentos e atitudes face à sexualidade, dos alunos do ensino profissional, de duas escolas com ensino profissional da região norte do país. Tratou-se de um estudo quasi-experimental que contemplou três momentos: primeiro – elaboração, validação e aplicação de um questionário que utilizámos para recolha de dados (pré-teste); segundo – planeamento e execução de uma proposta de intervenção com os alunos de uma das escolas, e terceiro - aplicação do questionário (pós-teste). Para o tratamento de dados utilizámos o programa SPSS (Statistical Package for social Sciences versão 19.1, testes não paramétricos de Kruskal-Wallis). A amostra foi de conveniência e incluiu 452 estudantes, distribuídos por 16 turmas, com idades compreendidas entre os 14 e os 21 anos. Para a elaboração da proposta de intervenção, recorremos às práticas da Animação Sociocultural, pois consideramos que esta pode potenciar a capacidade humana de entrega, de convivência e de entreajuda, acreditando que tudo é possível, se todos nos unirmos para a criação de projetos comuns, com o objetivo de alcançar uma melhor qualidade de vida e um renovado bem-estar social. A escolha pela envolvência do Ensino Profissional deveu-se ao facto de este ser considerado um ensino de segunda escolha, frequentado de uma maneira geral, por um perfil de alunos, cujos trajetos e percursos escolares são sobretudo pautados por casos de insucesso, e origens socioeconómicas também mais desfavoráveis, pelo que nem sempre estes alunos usufruem da Educação Sexual quer em casa quer no meio escolar. Da análise dos resultados, constatámos que os alunos reconheceram a importância da Educação Sexual em contexto escolar. A maioria dos jovens refere já ter iniciado as relações sexuais, sendo a principal razão para a iniciação sexual, o facto de quererem experimentar, referindo que utilizaram como método contracetivo o preservativo masculino. Tendo em conta as respostas dadas relativamente aos conhecimentos demonstrados, são na sua maioria satisfatórios no que se refere as infeções sexualmente transmissíveis (IST´s), os modos de transmissão do VIH/SIDA, a utilização de métodos contracetivos e da pílula do dia seguinte/emergência. Verificámos ainda que os alunos da escola A não evidenciaram melhores resultados (no pré-teste) que os da escola B, no entanto, esses resultados melhoraram significativamente, em alguns parâmetros, após o desenvolvimento da intervenção. Constatámos também, que existem diferenças significativas do pré-teste para o pós-teste, aplicado na escola A, ao nível do conceito de sexualidade, métodos contracetivos e a função da Educação Sexual na escola. Este estudo permitiu perceber que as práticas de Animação Sociocultural são uma mais-valia no desenvolvimento de projetos de Educação Sexual, dado que permitem dotar os jovens de ferramentas, que os tornam agentes do seu próprio processo de desenvolvimento e das comunidades em que se inserem. Assim, no que concerne às implicações da Educação Sexual em meio escolar, salientamos que o seu contributo visa a promoção de uma vivência multidimensional da sexualidade, para esse efeito o seu desenvolvimento requer um trabalho multidisciplinar.