Publicação
Inspeção sanitária em aves
| Resumo: | A inspeção sanitária (IS) representa um controlo oficial, realizado num matadouro pelo Médico Veterinário Oficial (MVO), tem como principais objetivos a proteção da saúde e bem-estar animal (BEA), assim como garantir a segurança sanitária dos alimentos colocados no mercado para consumo humano. A atividade do MVO deve ser baseada na avaliação do risco que cada bando representa e os seus resultados devem ser utilizados em programas de monitorização da saúde e BEA. Neste âmbito, pretendeu-se com o presente estudo, avaliar os parâmetros indicativos de risco de BEA, dando particular ênfase ao estudo dos traumatismos e às lesões post mortem (PM) englobadas no “Welfare Quality® - Assessment Protocol for Poultry” (WQ®) e respetivos potenciais fatores de risco associados. Este estudo identificou uma correlação estatisticamente significativa entre a idade (r=0,271; p=0,016), peso (r=0,276; p=0,014), taxa de mortalidade acumulada (TMA) (r=0,282; p=0,013) e taxa de mortalidade no transporte (r=0,314; p=0,005), com a taxa de rejeição por doença (RTD), apontando-os como bons indicadores de risco do bando. Neste estudo podem destacar-se as miopatias como a principal causa de rejeição de frango industrial (20,39%), sugerindo que mais estudos devem ser realizados sobre esta, a qual representa perdas económicas importantes para o setor. Dos vários indicadores de BEA analisados, destaca-se como atual indicador iceberg de BEA em frangos as dermatites das almofadas plantares (DAPs), que não evidenciaram associações significativas com outras variáveis de BEA, como a TMA ou a RTD. Assim, questiona-se a real importância destas lesões como indicadores iceberg do nível de BEA na exploração. Relativamente à avaliação criteriosa e objetiva dos traumatismos (local, antiguidade, dimensão e presença/ausência de fratura/desarticulação), a asa destaca-se como o principal local de ocorrência destas lesões (83,85%) e a maioria das lesões (60,89%) eram recentes, remetendo para problemas na pendura dos animais na linha de abate. Assim, deverá ser reforçada a formação das equipas de pendura, assegurar um lugar calmo, com baixa intensidade luminosa e um manuseamento cauteloso das aves, principalmente das mais pesadas nas quais os ganchos poderão ficar justos às patas. Todo o stresse, dor ou desconforto nesta etapa pode resultar num bater vigoroso das asas quepode levar a traumatismos. Pode-se referir a influência da idade (r=0,513; p=0,001) e peso (r=0,402; p=0,012) na predisposição para uma maior ocorrência de traumatismos, devendo existir um maior cuidado no manuseamento desses bandos. Salienta-se que segundo o manual da DGAV (2011), apenas os traumatismos extensos (2,28%) são contabilizados para a avaliação do BEA do bando, mas a maioria dos traumatismos registados (97,72%) foram parciais, não sendo contabilizados pelo MVO, contribuindo para uma subvalorização deste parâmetro. Assim, futuramente, deverá prestar-se maior atenção às rejeições parciais por traumatismos. Analisando as lesões PM englobadas no WQ® deverá ser dada especial atenção ao estado das camas, pois as dermatites de contacto no peito e tarso foram as lesões mais comuns (61,20%). Com o presente trabalho, salienta-se a importância da IS na monitorização do BEA e da necessidade de reavaliar a importância relativa dos diversos indicadores de BEA que podem ser analisados no decurso desta atividade. |
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| Autores principais: | Remoaldo, Maria Beatriz Pereira |
| Assunto: | Frango industria inspeção sanitária |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A inspeção sanitária (IS) representa um controlo oficial, realizado num matadouro pelo Médico Veterinário Oficial (MVO), tem como principais objetivos a proteção da saúde e bem-estar animal (BEA), assim como garantir a segurança sanitária dos alimentos colocados no mercado para consumo humano. A atividade do MVO deve ser baseada na avaliação do risco que cada bando representa e os seus resultados devem ser utilizados em programas de monitorização da saúde e BEA. Neste âmbito, pretendeu-se com o presente estudo, avaliar os parâmetros indicativos de risco de BEA, dando particular ênfase ao estudo dos traumatismos e às lesões post mortem (PM) englobadas no “Welfare Quality® - Assessment Protocol for Poultry” (WQ®) e respetivos potenciais fatores de risco associados. Este estudo identificou uma correlação estatisticamente significativa entre a idade (r=0,271; p=0,016), peso (r=0,276; p=0,014), taxa de mortalidade acumulada (TMA) (r=0,282; p=0,013) e taxa de mortalidade no transporte (r=0,314; p=0,005), com a taxa de rejeição por doença (RTD), apontando-os como bons indicadores de risco do bando. Neste estudo podem destacar-se as miopatias como a principal causa de rejeição de frango industrial (20,39%), sugerindo que mais estudos devem ser realizados sobre esta, a qual representa perdas económicas importantes para o setor. Dos vários indicadores de BEA analisados, destaca-se como atual indicador iceberg de BEA em frangos as dermatites das almofadas plantares (DAPs), que não evidenciaram associações significativas com outras variáveis de BEA, como a TMA ou a RTD. Assim, questiona-se a real importância destas lesões como indicadores iceberg do nível de BEA na exploração. Relativamente à avaliação criteriosa e objetiva dos traumatismos (local, antiguidade, dimensão e presença/ausência de fratura/desarticulação), a asa destaca-se como o principal local de ocorrência destas lesões (83,85%) e a maioria das lesões (60,89%) eram recentes, remetendo para problemas na pendura dos animais na linha de abate. Assim, deverá ser reforçada a formação das equipas de pendura, assegurar um lugar calmo, com baixa intensidade luminosa e um manuseamento cauteloso das aves, principalmente das mais pesadas nas quais os ganchos poderão ficar justos às patas. Todo o stresse, dor ou desconforto nesta etapa pode resultar num bater vigoroso das asas quepode levar a traumatismos. Pode-se referir a influência da idade (r=0,513; p=0,001) e peso (r=0,402; p=0,012) na predisposição para uma maior ocorrência de traumatismos, devendo existir um maior cuidado no manuseamento desses bandos. Salienta-se que segundo o manual da DGAV (2011), apenas os traumatismos extensos (2,28%) são contabilizados para a avaliação do BEA do bando, mas a maioria dos traumatismos registados (97,72%) foram parciais, não sendo contabilizados pelo MVO, contribuindo para uma subvalorização deste parâmetro. Assim, futuramente, deverá prestar-se maior atenção às rejeições parciais por traumatismos. Analisando as lesões PM englobadas no WQ® deverá ser dada especial atenção ao estado das camas, pois as dermatites de contacto no peito e tarso foram as lesões mais comuns (61,20%). Com o presente trabalho, salienta-se a importância da IS na monitorização do BEA e da necessidade de reavaliar a importância relativa dos diversos indicadores de BEA que podem ser analisados no decurso desta atividade. |
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