Publicação
Fluxos de mineralização e lixiviação de azoto em chorume tratado aplicado ao solo
| Resumo: | Uma parte considerável das estratégias para minimizar os impactes da aplicação de chorumes ao solo está baseada na redução das perdas de N por volatilização. Estas têm como base a alteração das características físico-químicas dos materiais por alteração do respetivo pH, separação física dos materiais ou técnicas relacionadas com a aplicação destes materiais ao solo. Todavia, estas estratégias têm sido desenvolvidas sem terem em consideração possíveis efeitos que podem apresentar em processos como a mineralização ou lixiviação do N. Assim, o trabalho agora apresentado tem como objetivo avaliar o efeito que as diferentes técnicas utilizadas na redução das perdas gasosas de N por volatização, exercem a nível de outros processos como a mineralização e lixiviação de N de um chorume de suíno aplicado ao solo. Para o efeito, foi instalado um ensaio de incubação em condições de campo, com base em reatores abertos, com resinas de troca iónica no topo inferior, relativo a 5 tratamentos nos quais se aplicou uma dose de chorume de suíno equivalente a 80 kg N por hectare na forma de: (i) Efluente bruto não acidificado à superfície (BS) (T1); (ii) Efluente bruto acidificado à superfície (BAS) (T2); (iii) Efluente bruto enterrado (BE) (T3); (iv) Fração líquida não acidificada à superfície (FLS) (T4) e (v) Fração líquida acidificada à superfície (FLAS) (T5). Um sexto tratamento foi, também, considerado no qual não se fez aplicação de matéria orgânica, servindo como testemunha (T6). Em cada data de amostragem, os reatores foram destruídos procedendo-se à avaliação dos teores de N mineral no solo e adsorvido pelas resinas de troca iónica com base numa solução extrativa de KCl 1M. A lixiviação potencial foi determinada com base na diferença entre as quantidades de N adsorvido pelas resinas nos tratamentos (T1, T2, T3, T4 e T5) e a testemunha (T6). Por sua vez, a mineralização foi determinada com base no somatório do N lixiviado acumulado e a variação do N mineral no solo entre os tratamentos com matéria orgânica e a testemunha para cada período. Ambos os processos foram expressos em termos de mg N g-1 N adicionado. Os resultados obtidos revelaram quantidades de N mineralizado e lixiviado mais significativas (p<0,05) nos materiais acidificados e com aplicação em profundidade. O efeito da acidificação foi mais elevado no efluente bruto do que na fração líquida, com os acréscimos nas quantidades de N mineralizado e lixiviado a registar valores de 7,4 e 7,2, entre o BAS e BS, e 2,8 e 1,8 entre a FLAS e FLS, respetivamente. Por sua vez, no BE os aumentos observados foram na ordem dos 4,4 para o N mineralizado e 3,2 para o N lixiviado em relação ao BS. Em relação à separação física o efluente líquido promoveu, simultaneamente, maior mineralização e lixiviação de N que o efluente bruto, com os resultados mais elevados a registarem-se nas frações acidificadas, com valores de 406,6 e 430,9 na FLAS e 356,2 e 397,1 mg g-1 N adicionado no BAS, respetivamente. As diferenças de resultados são explicadas pela maior qualidade química e menores perdas gasosas por volatilização promovidas pela acidificação. O controlo das perdas gasosas explica, também, as diferenças observadas entre as frações de efluente estudadas, FLS e BS, as quais são minimizadas através do efeito da acidificação. Os resultados obtidos evidenciam que as estratégias usadas no controlo das perdas gasosas permitem aumentos das quantidades mineralizadas e respetiva disponibilidade de N mineral do solo para as plantas mas, também, do potencial de lixiviação. Importa, por isso, que as épocas de aplicação deste tipo de resíduo orgânico sejam baseadas em estudos de mineralização in-situ, de modo a melhorar o sincronismo entre a disponibilidade de N e as fases de maior necessidade das plantas aumentando, assim, a eficiência de nutrientes na forma orgânica. |
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| Autores principais: | Costa, Pedro Joel Rodrigues da |
| Assunto: | Chorume Acidificação Mineralização Lixiviação Azoto |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Uma parte considerável das estratégias para minimizar os impactes da aplicação de chorumes ao solo está baseada na redução das perdas de N por volatilização. Estas têm como base a alteração das características físico-químicas dos materiais por alteração do respetivo pH, separação física dos materiais ou técnicas relacionadas com a aplicação destes materiais ao solo. Todavia, estas estratégias têm sido desenvolvidas sem terem em consideração possíveis efeitos que podem apresentar em processos como a mineralização ou lixiviação do N. Assim, o trabalho agora apresentado tem como objetivo avaliar o efeito que as diferentes técnicas utilizadas na redução das perdas gasosas de N por volatização, exercem a nível de outros processos como a mineralização e lixiviação de N de um chorume de suíno aplicado ao solo. Para o efeito, foi instalado um ensaio de incubação em condições de campo, com base em reatores abertos, com resinas de troca iónica no topo inferior, relativo a 5 tratamentos nos quais se aplicou uma dose de chorume de suíno equivalente a 80 kg N por hectare na forma de: (i) Efluente bruto não acidificado à superfície (BS) (T1); (ii) Efluente bruto acidificado à superfície (BAS) (T2); (iii) Efluente bruto enterrado (BE) (T3); (iv) Fração líquida não acidificada à superfície (FLS) (T4) e (v) Fração líquida acidificada à superfície (FLAS) (T5). Um sexto tratamento foi, também, considerado no qual não se fez aplicação de matéria orgânica, servindo como testemunha (T6). Em cada data de amostragem, os reatores foram destruídos procedendo-se à avaliação dos teores de N mineral no solo e adsorvido pelas resinas de troca iónica com base numa solução extrativa de KCl 1M. A lixiviação potencial foi determinada com base na diferença entre as quantidades de N adsorvido pelas resinas nos tratamentos (T1, T2, T3, T4 e T5) e a testemunha (T6). Por sua vez, a mineralização foi determinada com base no somatório do N lixiviado acumulado e a variação do N mineral no solo entre os tratamentos com matéria orgânica e a testemunha para cada período. Ambos os processos foram expressos em termos de mg N g-1 N adicionado. Os resultados obtidos revelaram quantidades de N mineralizado e lixiviado mais significativas (p<0,05) nos materiais acidificados e com aplicação em profundidade. O efeito da acidificação foi mais elevado no efluente bruto do que na fração líquida, com os acréscimos nas quantidades de N mineralizado e lixiviado a registar valores de 7,4 e 7,2, entre o BAS e BS, e 2,8 e 1,8 entre a FLAS e FLS, respetivamente. Por sua vez, no BE os aumentos observados foram na ordem dos 4,4 para o N mineralizado e 3,2 para o N lixiviado em relação ao BS. Em relação à separação física o efluente líquido promoveu, simultaneamente, maior mineralização e lixiviação de N que o efluente bruto, com os resultados mais elevados a registarem-se nas frações acidificadas, com valores de 406,6 e 430,9 na FLAS e 356,2 e 397,1 mg g-1 N adicionado no BAS, respetivamente. As diferenças de resultados são explicadas pela maior qualidade química e menores perdas gasosas por volatilização promovidas pela acidificação. O controlo das perdas gasosas explica, também, as diferenças observadas entre as frações de efluente estudadas, FLS e BS, as quais são minimizadas através do efeito da acidificação. Os resultados obtidos evidenciam que as estratégias usadas no controlo das perdas gasosas permitem aumentos das quantidades mineralizadas e respetiva disponibilidade de N mineral do solo para as plantas mas, também, do potencial de lixiviação. Importa, por isso, que as épocas de aplicação deste tipo de resíduo orgânico sejam baseadas em estudos de mineralização in-situ, de modo a melhorar o sincronismo entre a disponibilidade de N e as fases de maior necessidade das plantas aumentando, assim, a eficiência de nutrientes na forma orgânica. |
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