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Paisagens e técnicas distintas, motivos semelhantes. A dispersão da arte-rupestre no Rio Tocantins, o caso de Palmas e Lajeado – TO, Brasil

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Resumo:Esta tese teve como finalidade o estudo das manifestações de arte rupestre gravadas e pintadas do Complexo do Lajeado, área delimitada para esta investigação. Esta área compreende geograficamente os municípios de Palmas e Lajeado, no Estado do Tocantins, Brasil e inclui duas feições geomorfológicas: a Depressão do Tocantins e o Planalto Residual o Tocantins. No Complexo do Lajeado são atualmente conhecidos 30 sítios de arte rupestre cinco deles inéditos. Todos estes sítios estão aqui apresentados e descritos, contudo foram eleitos como estudos de caso dois sítios sendo um sítio de cada uma das unidades geomorfológicas referidas. Então, foi estudado o sitio Foz do Lajeado, com 16 rochas gravadas inéditas, na confluência do rio Lajeado e Tocantins na Depressão do Tocantins e o sítio, já conhecido, Vão Grande, na Serra do Lajeado no Planalto Residual do Tocantins. A analise de ambas as áreas inclui comparação com todo os demais sítios conhecido no Complexo do Lajedo. A aplicação de conceitos provenientes da Arqueologia Rupestre e Arqueologia da Paisagem teve em conta a relação entre a arte rupestre o contexto arqueológico e a sua disposição no território. Quanto a Arqueologia Rupestre analisamos a relação da arte rupestre com os demais vestígios arqueológicos, líticos e cerâmicos, a fim de contextualiza-la no espaço e no tempo. Com quinze datações relacionadas a sítios com arte rupestre nesta zona, podemos inferir que a pelo menos oito mil anos era conhecida a técnica de gravura nesta região. Contudo, há certos motivos que comparados com dados etnográficos e confrontados com evidencias arqueológicas nos remete a uma realidade mais recente já em contexto ceramista de aproximadamente dois mil anos até trezentos anos. Ainda como critério da Arqueologia Rupestre elaboramos os levantamentos totais dos sítios, sem a segregação e eleição de elementos para análise, logo temos os sítios descritos e compreendidos por completo. No quesito Arqueologia da Paisagem buscamos identificar cada sítio e sua implantação na paisagem, com análises da paisagem interna do sítios, micro escala, sua proveniência geomorfológica, meso escala, e por último as relações estabelecidas entre sítios em paisagem diferentes, macro escala. Entretanto, foi bastante limitador os trabalhos em Arqueologia da Paisagem nesta área já que esta foi afetada por uma grande barragem, UHELajeado, alagando parte de uma área que contava com dezenas de rochas gravadas, que muito contribuiria para o esclarecimento de certos pontos aqui tratados. As análises rupestres e paisagísticas resultaram em dinâmicas, nunca antes notadas. Por isto iniciamos uma série de análises petrográficas e químicas a fim de melhor compreender a relação entre os sítios e suas características geológicas e geomorfológicas resultando ainda na compreensão de dinâmicas de conservação da arte rupestre gravada e pintada. As análises petrográficas resultaram em um maior conhecimento do suporte rochoso, dando mais abrangência com relação as afinidades do suporte ao resultado das gravuras e a conservação no caso das pinturas e gravuras. Contudo foi no estudo das gravuras que esta análise nos deu maiores informações, já que constatamos quesitos importantes no ato de gravar. Estes quesitos são a resistência, textura e coloração. A resistência da rocha ao picoteamento e a textura deu-nos duas maneiras diferentes de empreender as gravuras, mesmo que com técnica igual, sendo estilos bem distintos resultantes e/ou condicionado destas diferenças do suporte, decorrente da sua origem, geologia. A coloração interna da rocha é diferente da cor atualmente visível no exterior da rocha e no interior dos picoteamento, assim sendo estas gravuras eram mais visíveis por ter uma pátina semelhante a do interior da rocha, ampliando o seu raio de visualização, tornando-as muito mais visíveis que atualmente, ampliando a escala de interação com a paisagem e demais rochas. A analise dos pigmentos levou a identificação dos seus principais componentes e abre uma janela bastante relevante no debate estilístico da arte rupestre pintada, já que notamos algumas transformações pontuais dos pigmentos, que podem ser provenientes de transformações físico-químicas no decorrer do tempo de exposição às intempéries e não somente de escolhas estilísticas e técnicas dos autores. Em fim, com tantas novas hipóteses geradas por este primeiro estudo, temos aqui uma base de trabalho que poderá ser útil para a continuidade das investigações rupestres no Complexo do Lajeado e Tocantins, em geral.
Autores principais:Braga, Ariana Silva
Assunto:Arte rupestre Brasil Gravuras Pinturas Paisagem Arqueologia
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Esta tese teve como finalidade o estudo das manifestações de arte rupestre gravadas e pintadas do Complexo do Lajeado, área delimitada para esta investigação. Esta área compreende geograficamente os municípios de Palmas e Lajeado, no Estado do Tocantins, Brasil e inclui duas feições geomorfológicas: a Depressão do Tocantins e o Planalto Residual o Tocantins. No Complexo do Lajeado são atualmente conhecidos 30 sítios de arte rupestre cinco deles inéditos. Todos estes sítios estão aqui apresentados e descritos, contudo foram eleitos como estudos de caso dois sítios sendo um sítio de cada uma das unidades geomorfológicas referidas. Então, foi estudado o sitio Foz do Lajeado, com 16 rochas gravadas inéditas, na confluência do rio Lajeado e Tocantins na Depressão do Tocantins e o sítio, já conhecido, Vão Grande, na Serra do Lajeado no Planalto Residual do Tocantins. A analise de ambas as áreas inclui comparação com todo os demais sítios conhecido no Complexo do Lajedo. A aplicação de conceitos provenientes da Arqueologia Rupestre e Arqueologia da Paisagem teve em conta a relação entre a arte rupestre o contexto arqueológico e a sua disposição no território. Quanto a Arqueologia Rupestre analisamos a relação da arte rupestre com os demais vestígios arqueológicos, líticos e cerâmicos, a fim de contextualiza-la no espaço e no tempo. Com quinze datações relacionadas a sítios com arte rupestre nesta zona, podemos inferir que a pelo menos oito mil anos era conhecida a técnica de gravura nesta região. Contudo, há certos motivos que comparados com dados etnográficos e confrontados com evidencias arqueológicas nos remete a uma realidade mais recente já em contexto ceramista de aproximadamente dois mil anos até trezentos anos. Ainda como critério da Arqueologia Rupestre elaboramos os levantamentos totais dos sítios, sem a segregação e eleição de elementos para análise, logo temos os sítios descritos e compreendidos por completo. No quesito Arqueologia da Paisagem buscamos identificar cada sítio e sua implantação na paisagem, com análises da paisagem interna do sítios, micro escala, sua proveniência geomorfológica, meso escala, e por último as relações estabelecidas entre sítios em paisagem diferentes, macro escala. Entretanto, foi bastante limitador os trabalhos em Arqueologia da Paisagem nesta área já que esta foi afetada por uma grande barragem, UHELajeado, alagando parte de uma área que contava com dezenas de rochas gravadas, que muito contribuiria para o esclarecimento de certos pontos aqui tratados. As análises rupestres e paisagísticas resultaram em dinâmicas, nunca antes notadas. Por isto iniciamos uma série de análises petrográficas e químicas a fim de melhor compreender a relação entre os sítios e suas características geológicas e geomorfológicas resultando ainda na compreensão de dinâmicas de conservação da arte rupestre gravada e pintada. As análises petrográficas resultaram em um maior conhecimento do suporte rochoso, dando mais abrangência com relação as afinidades do suporte ao resultado das gravuras e a conservação no caso das pinturas e gravuras. Contudo foi no estudo das gravuras que esta análise nos deu maiores informações, já que constatamos quesitos importantes no ato de gravar. Estes quesitos são a resistência, textura e coloração. A resistência da rocha ao picoteamento e a textura deu-nos duas maneiras diferentes de empreender as gravuras, mesmo que com técnica igual, sendo estilos bem distintos resultantes e/ou condicionado destas diferenças do suporte, decorrente da sua origem, geologia. A coloração interna da rocha é diferente da cor atualmente visível no exterior da rocha e no interior dos picoteamento, assim sendo estas gravuras eram mais visíveis por ter uma pátina semelhante a do interior da rocha, ampliando o seu raio de visualização, tornando-as muito mais visíveis que atualmente, ampliando a escala de interação com a paisagem e demais rochas. A analise dos pigmentos levou a identificação dos seus principais componentes e abre uma janela bastante relevante no debate estilístico da arte rupestre pintada, já que notamos algumas transformações pontuais dos pigmentos, que podem ser provenientes de transformações físico-químicas no decorrer do tempo de exposição às intempéries e não somente de escolhas estilísticas e técnicas dos autores. Em fim, com tantas novas hipóteses geradas por este primeiro estudo, temos aqui uma base de trabalho que poderá ser útil para a continuidade das investigações rupestres no Complexo do Lajeado e Tocantins, em geral.