Publicação
Perceção das Áreas de Conhecimento e Intervenção do Enfermeiro do Trabalho: Construção de uma Proposta Formativa
| Resumo: | No âmbito da intervenção em Saúde Ocupacional, os enfermeiros são o grupo profissional com maior significado do ponto de vista estatístico, mas também do ponto de vista da proximidade na prestação de cuidados e do conhecimento concreto da realidade laboral, pois são estes profissionais da área da saúde que mais tempo passam com os trabalhadores nos seus locais de trabalho. Contemplada na legislação vigente, a Enfermagem do Trabalho é uma área de exercício profissional dos enfermeiros, com exigência de formação complementar pela Direção-Geral da Saúde e pela Ordem dos Enfermeiros para atribuição da competência acrescida, não sendo, no entanto, considerada uma especialização em enfermagem. Partindo destes pressupostos, face à necessidade de preencher uma lacuna existente na literatura científica, foi levado a cabo um amplo trabalho de investigação que visava conhecer a perceção dos enfermeiros do trabalho e dos peritos no que respeita às áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, para prosseguir com a construção de uma proposta formativa no âmbito da Enfermagem do Trabalho, confrontando a adequação dos atuais referenciais formativos para esta área do exercício profissional dos enfermeiros. Nesta determinação, a opção metodológica deste estudo científico recaiu numa investigação de métodos mistos, recorrendo à combinação das abordagens, quantitativa e qualitativa. O estudo de natureza quantitativa, do tipo descritivo e transversal, envolveu uma amostra de 472 enfermeiros do trabalho, utilizando como instrumento de recolha de dados, um questionário, construído para o efeito, alicerçado nas “áreas nucleares de conhecimentos e competências do enfermeiro do trabalho”, descritas pela Organização Mundial da Saúde, em 2001. O estudo qualitativo envolveu como técnica de recolha de informação, a entrevista de focus group com cinco peritos em Enfermagem do Trabalho, bem como o recurso à análise documental de documentos chave. Destaca-se a construção da Escala de Perceção das Áreas de Conhecimento e Intervenção do Enfermeiro do Trabalho (EPACIET), que apresentou um valor muito bom de consistência interna global (Alpha de Cronbach α=0,947), estando validada para a população portuguesa. Permitiu a identificação e análise de oito áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, por ordem decrescente de valorização: Conselheiro, Educador para a Saúde, Especialista, Gestor, Coordenador, Investigador, Consultor e Clínico. Da análise ao perfil sociodemográfico e socioprofissional dos enfermeiros do trabalho inquiridos, sublinha-se a existência de uma evidente desvalorização ou falta de reconhecimento da Enfermagem do Trabalho enquanto área de exercício, sendo encarada pela maioria como uma atividade profissional transitória, concretamente pelo facto de ser exercida como complemento financeiro à atividade principal ou porque não conseguiram colocação na área de exercício profissional da sua preferência. Na perspetiva dos peritos em Enfermagem do Trabalho, foram identificadas áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, concretamente: clínico, especialista, gestor, coordenador, consultor, educador para a saúde, conselheiro e investigador. Os resultados obtidos são claros, ficando explícita a convergência das diferentes perspetivas que consideram a oferta formativa para o enfermeiro do trabalho insuficiente face às suas competências e o desígnio de um maior investimento na formação em Enfermagem do Trabalho. Concretamente, ambicionam formação ao nível de especialização em enfermagem, contribuindo para uma prática profissional de qualidade, em áreas de conhecimento e intervenção específicas do enfermeiro do trabalho e para melhorar a eficácia da sua atuação no seio da equipa de Saúde Ocupacional. A proposta formativa no âmbito da Enfermagem do Trabalho, construída no âmbito deste estudo científico, afigura-se como a sua grande finalidade. Congrega o que os participantes neste estudo de investigação acreditam ser fundamental e necessário para o desenvolvimento da formação nesta área, integra os atuais referenciais formativos nacionais e europeus, a legislação em vigor e o quadro legal e conceptual da profissão. Propõe-se a qualificação de graduação académica de licenciatura, com exigência de formação complementar de nível de pós-graduação, para um modelo de formação de graduação académica ao nível de mestrado, contemplando uma matriz curricular constituída por áreas temáticas consideradas nucleares. Pretende constituir-se como um referencial orientador para a elaboração de cursos de formação adequados para os enfermeiros do trabalho, pelas instituições de ensino superior, com responsabilidade nesta área de formação, contribuindo para estimular o crescimento do conhecimento em Enfermagem e para o desenvolvimento da profissão. O desenvolvimento desta investigação que produziu saberes específicos sobre uma realidade complexa revelou-se pertinente, na medida em que o recurso a outras disciplinas científicas ampliou o conhecimento científico em Ciências da Educação, contribuindo, concretamente para o desenvolvimento da Enfermagem do Trabalho. |
|---|---|
| Autores principais: | Machado, Vítor Manuel Teixeira |
| Assunto: | Enfermagem do Trabalho Perceção dos enfermeiros do trabalho |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | No âmbito da intervenção em Saúde Ocupacional, os enfermeiros são o grupo profissional com maior significado do ponto de vista estatístico, mas também do ponto de vista da proximidade na prestação de cuidados e do conhecimento concreto da realidade laboral, pois são estes profissionais da área da saúde que mais tempo passam com os trabalhadores nos seus locais de trabalho. Contemplada na legislação vigente, a Enfermagem do Trabalho é uma área de exercício profissional dos enfermeiros, com exigência de formação complementar pela Direção-Geral da Saúde e pela Ordem dos Enfermeiros para atribuição da competência acrescida, não sendo, no entanto, considerada uma especialização em enfermagem. Partindo destes pressupostos, face à necessidade de preencher uma lacuna existente na literatura científica, foi levado a cabo um amplo trabalho de investigação que visava conhecer a perceção dos enfermeiros do trabalho e dos peritos no que respeita às áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, para prosseguir com a construção de uma proposta formativa no âmbito da Enfermagem do Trabalho, confrontando a adequação dos atuais referenciais formativos para esta área do exercício profissional dos enfermeiros. Nesta determinação, a opção metodológica deste estudo científico recaiu numa investigação de métodos mistos, recorrendo à combinação das abordagens, quantitativa e qualitativa. O estudo de natureza quantitativa, do tipo descritivo e transversal, envolveu uma amostra de 472 enfermeiros do trabalho, utilizando como instrumento de recolha de dados, um questionário, construído para o efeito, alicerçado nas “áreas nucleares de conhecimentos e competências do enfermeiro do trabalho”, descritas pela Organização Mundial da Saúde, em 2001. O estudo qualitativo envolveu como técnica de recolha de informação, a entrevista de focus group com cinco peritos em Enfermagem do Trabalho, bem como o recurso à análise documental de documentos chave. Destaca-se a construção da Escala de Perceção das Áreas de Conhecimento e Intervenção do Enfermeiro do Trabalho (EPACIET), que apresentou um valor muito bom de consistência interna global (Alpha de Cronbach α=0,947), estando validada para a população portuguesa. Permitiu a identificação e análise de oito áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, por ordem decrescente de valorização: Conselheiro, Educador para a Saúde, Especialista, Gestor, Coordenador, Investigador, Consultor e Clínico. Da análise ao perfil sociodemográfico e socioprofissional dos enfermeiros do trabalho inquiridos, sublinha-se a existência de uma evidente desvalorização ou falta de reconhecimento da Enfermagem do Trabalho enquanto área de exercício, sendo encarada pela maioria como uma atividade profissional transitória, concretamente pelo facto de ser exercida como complemento financeiro à atividade principal ou porque não conseguiram colocação na área de exercício profissional da sua preferência. Na perspetiva dos peritos em Enfermagem do Trabalho, foram identificadas áreas de conhecimento e intervenção do enfermeiro do trabalho, concretamente: clínico, especialista, gestor, coordenador, consultor, educador para a saúde, conselheiro e investigador. Os resultados obtidos são claros, ficando explícita a convergência das diferentes perspetivas que consideram a oferta formativa para o enfermeiro do trabalho insuficiente face às suas competências e o desígnio de um maior investimento na formação em Enfermagem do Trabalho. Concretamente, ambicionam formação ao nível de especialização em enfermagem, contribuindo para uma prática profissional de qualidade, em áreas de conhecimento e intervenção específicas do enfermeiro do trabalho e para melhorar a eficácia da sua atuação no seio da equipa de Saúde Ocupacional. A proposta formativa no âmbito da Enfermagem do Trabalho, construída no âmbito deste estudo científico, afigura-se como a sua grande finalidade. Congrega o que os participantes neste estudo de investigação acreditam ser fundamental e necessário para o desenvolvimento da formação nesta área, integra os atuais referenciais formativos nacionais e europeus, a legislação em vigor e o quadro legal e conceptual da profissão. Propõe-se a qualificação de graduação académica de licenciatura, com exigência de formação complementar de nível de pós-graduação, para um modelo de formação de graduação académica ao nível de mestrado, contemplando uma matriz curricular constituída por áreas temáticas consideradas nucleares. Pretende constituir-se como um referencial orientador para a elaboração de cursos de formação adequados para os enfermeiros do trabalho, pelas instituições de ensino superior, com responsabilidade nesta área de formação, contribuindo para estimular o crescimento do conhecimento em Enfermagem e para o desenvolvimento da profissão. O desenvolvimento desta investigação que produziu saberes específicos sobre uma realidade complexa revelou-se pertinente, na medida em que o recurso a outras disciplinas científicas ampliou o conhecimento científico em Ciências da Educação, contribuindo, concretamente para o desenvolvimento da Enfermagem do Trabalho. |
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