Publicação
Efeito da aplicação de extrato de Ascophyllum nodosum em pré-colheita na fisiologia da cerejeira e na expressão de genes envolvidos no rachamento da cereja
| Resumo: | A cereja (Prunus avium L.) é um dos frutos frescos mais apreciados pelos consumidores pelas excelentes características organoléticas e valor nutricional, com efeito benéfico na saúde. A sua precocidade em relação à maioria dos frutos frescos faz com que seja muito valorizada pelo mercado, gerando assim um bom rendimento aos produtores. Em Portugal a produção é modesta, embora tenha vindo a aumentar progressivamente na última década, sendo as principais regiões produtoras a Beira Interior, Trás-os-Montes e Douro Sul. É no concelho de Resende que surgem as primeiras cerejas da campanha e onde se centra a maior produção da região, e também por essa razão a sua grande importância na produção nacional. As condições edafoclimáticas são o fator mais influente na produção de cereja e se chuvas fortes ocorrerem no período de maturação da cereja, entre as fases de pintor e a colheita, provocam o rachamento da cereja. É um distúrbio fisiológico que leva a elevadas perdas financeiras para os produtores pelo que é premente desenvolver estratégias de mitigação, como seja a aplicação de bioestimulantes à base de extratos de algas. Neste contexto, este trabalho visa estudar o efeito da aplicação foliar do extrato de Ascophyllum nodosum na fisiologia da cerejeira e na expressão de genes envolvidos no rachamento de cerejas da cultivar Sweetheart. Foram estabelecidos três tratamentos: uma dose baixa e uma alta do produto comercial Foralg BMo® (75 mL/hL e 150mL/hL, T75 e T150, respetivamente, e o tratamento controlo, com aplicação de água, TC). A aplicação foi efetuada em dois estados fenológicos: na floração (F) e no fruto em desenvolvimento (J). O ensaio experimental decorreu num pomar situado no concelho de Resende, distrito de Viseu. Vários parâmetros foram determinados, como a produção por árvore e a produtividade, relações hídricas das árvores e fuga de eletrólitos. Ao nível do fruto foram avaliados; i) parâmetros biométricos: calibre e peso; ii) parâmetros cromáticos e de textura; e parâmetros químicos: teor em sólidos solúveis totais (SST), pH, acidez titulável e teor em ceras cuticulares solúveis. A aplicação de Foralg BMo® resultou num aumento da suculência das folhas, do teor em SST e do índice de maturação das cerejas. Quanto ao índice de rachamento, apesar dos resultados não serem significativos, foram encontradas cerejas menos rachadas em T75 e T150, e menos rachamento lateral em T150 o que se mostra promissor. De facto, no T150, registou-se menos refugo, cerejas maiores, mais firmes, com mais açúcares e índice de maturação. Ao nível dos genes envolvidos no rachamento houve um aumento da expressão do gene PaKCR1 nas cerejas T75 e T150. Para os genes PaWS, PaLTPG1 e PaPIP1;4 foi em T75 onde se verificou maior expressão dos genes, contrariamente para o gene PaATT1 foi em T150 que se verificou maior expressão do gene. Os restantes genes PaKCS6 e PaLACS2 apresentaram baixa expressão e relativamente semelhante entre todos os tratamentos. Para concluir, este estudo mostra resultados preliminares nesta área, sendo necessários mais anos de estudo para inferir acerca do efeito real deste composto. |
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| Autores principais: | Maia, Carolina Ferreira Martins Fernandes |
| Assunto: | Prunus avium Rachamento do fruto |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A cereja (Prunus avium L.) é um dos frutos frescos mais apreciados pelos consumidores pelas excelentes características organoléticas e valor nutricional, com efeito benéfico na saúde. A sua precocidade em relação à maioria dos frutos frescos faz com que seja muito valorizada pelo mercado, gerando assim um bom rendimento aos produtores. Em Portugal a produção é modesta, embora tenha vindo a aumentar progressivamente na última década, sendo as principais regiões produtoras a Beira Interior, Trás-os-Montes e Douro Sul. É no concelho de Resende que surgem as primeiras cerejas da campanha e onde se centra a maior produção da região, e também por essa razão a sua grande importância na produção nacional. As condições edafoclimáticas são o fator mais influente na produção de cereja e se chuvas fortes ocorrerem no período de maturação da cereja, entre as fases de pintor e a colheita, provocam o rachamento da cereja. É um distúrbio fisiológico que leva a elevadas perdas financeiras para os produtores pelo que é premente desenvolver estratégias de mitigação, como seja a aplicação de bioestimulantes à base de extratos de algas. Neste contexto, este trabalho visa estudar o efeito da aplicação foliar do extrato de Ascophyllum nodosum na fisiologia da cerejeira e na expressão de genes envolvidos no rachamento de cerejas da cultivar Sweetheart. Foram estabelecidos três tratamentos: uma dose baixa e uma alta do produto comercial Foralg BMo® (75 mL/hL e 150mL/hL, T75 e T150, respetivamente, e o tratamento controlo, com aplicação de água, TC). A aplicação foi efetuada em dois estados fenológicos: na floração (F) e no fruto em desenvolvimento (J). O ensaio experimental decorreu num pomar situado no concelho de Resende, distrito de Viseu. Vários parâmetros foram determinados, como a produção por árvore e a produtividade, relações hídricas das árvores e fuga de eletrólitos. Ao nível do fruto foram avaliados; i) parâmetros biométricos: calibre e peso; ii) parâmetros cromáticos e de textura; e parâmetros químicos: teor em sólidos solúveis totais (SST), pH, acidez titulável e teor em ceras cuticulares solúveis. A aplicação de Foralg BMo® resultou num aumento da suculência das folhas, do teor em SST e do índice de maturação das cerejas. Quanto ao índice de rachamento, apesar dos resultados não serem significativos, foram encontradas cerejas menos rachadas em T75 e T150, e menos rachamento lateral em T150 o que se mostra promissor. De facto, no T150, registou-se menos refugo, cerejas maiores, mais firmes, com mais açúcares e índice de maturação. Ao nível dos genes envolvidos no rachamento houve um aumento da expressão do gene PaKCR1 nas cerejas T75 e T150. Para os genes PaWS, PaLTPG1 e PaPIP1;4 foi em T75 onde se verificou maior expressão dos genes, contrariamente para o gene PaATT1 foi em T150 que se verificou maior expressão do gene. Os restantes genes PaKCS6 e PaLACS2 apresentaram baixa expressão e relativamente semelhante entre todos os tratamentos. Para concluir, este estudo mostra resultados preliminares nesta área, sendo necessários mais anos de estudo para inferir acerca do efeito real deste composto. |
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