Publicação
Utilização de antimicrobianos em feridas de equinos em Portugal
| Resumo: | A prevalência das feridas em Medicina Veterinária equina é um motivo de preocupação financeira, de bem-estar e saúde animal por parte dos Médicos Veterinários, proprietários e tratadores. Por sua vez, a baixa disponibilidade de medicamentos específicos para equinos leva a uma necessidade maior de recorrer ao uso extralabel de medicamentos. Se esta utilização não for realizada de forma correta pode levar ao aparecimento de bactérias multirresistentes. É importante ter em conta o conceito One Health, que permite uma abordagem integrada e visa equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde dos diversos ecossistemas. O presente trabalho teve como objetivos analisar os hábitos e preferências dos Médicos Veterinários de equinos relativamente ao uso de antimicrobianos com recurso a um inquérito online, assim como identificar a microbiota presente em feridas de cavalos, avaliar o perfil de suscetibilidade a antibióticos (através do aparelho Vitek® 2 Compact e pelo método de Kirby-Bauer) dos isolados obtidos e por fim, analisar as resistências aos carbapenemos (através da técnica de PCR) em alguns isolados obtidos de feridas de equinos aplicando uma abordagem One Health. Foi possível obter 31 respostas ao inquérito, em que 52% dos inquiridos assiste cavalos com feridas uma ou mais vezes por mês. Apenas um (3%) afirma colher uma amostra para realizar um antibiograma antes da prescrição do antimicrobiano. Mais de metade dos inquiridos (67%) indicaram a penicilina como sendo a sua primeira opção de tratamento para feridas aparentemente infetadas. Não se observou nenhuma relação estatisticamente significativa entre a área profissional a que se dedicam e a preferência de antimicrobianos. Neste estudo apenas foi realizado o teste de sensibilidade aos antimicrobianos de bactérias Gram-negativas. A espécie Escherichia coli (n=11; 38%) foi a mais frequentemente identificada, seguindo-se a Enterobacter cloacae complex (n=4; 14%) e Klebsiella pneumoniae (n=3; 10%). Nos resultados do teste de sensibilidade aos antimicrobianos, todos os isolados foram sensíveis à enrofloxacina e à marbofloxacina. O antimicrobiano que apresentou maior percentagem de resistência foi a cefalexina (n=16; 73%). Por fim, foram selecionados 3 isolados que apresentavam resistência ou sensibilidade intermédia aos carbapenemos, 2 pertencem à espécie Pseudomonas aeruginosa e um à Enterobacter cloacae complex. A estes, foi realizado um segundo teste de sensibilidade aos antimicrobianos utilizados em Medicina Humana e os isolados apresentaram resistências a alguns antimicrobianos que segundo a EMA devem ser evitados em Medicina Veterinária tais como, o aztreonam, imipenemo, ertapenemo, tigeciclina e fosfomicina. Os isolados utilizados neste trabalho não apresentaram os mesmos mecanismos de resistência aos carbapenemos mais frequentemente encontrados nos humanos (KPC, GES, IMP, VIM, NDM e OXA-48), o que indica que os equinos podem apresentar mecanismos ou genes de resistência diferentes e por isso é necessário realizar um estudo mais aprofundado dos mesmos. No entanto, não é descartado o facto de puder ocorrer transmissão de bactérias resistentes dos humanos para os animais e vice-versa. |
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| Autores principais: | Fernandes, Ana Luísa Pedrosa Sines |
| Assunto: | Equinos Feridas |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A prevalência das feridas em Medicina Veterinária equina é um motivo de preocupação financeira, de bem-estar e saúde animal por parte dos Médicos Veterinários, proprietários e tratadores. Por sua vez, a baixa disponibilidade de medicamentos específicos para equinos leva a uma necessidade maior de recorrer ao uso extralabel de medicamentos. Se esta utilização não for realizada de forma correta pode levar ao aparecimento de bactérias multirresistentes. É importante ter em conta o conceito One Health, que permite uma abordagem integrada e visa equilibrar e otimizar de forma sustentável a saúde dos diversos ecossistemas. O presente trabalho teve como objetivos analisar os hábitos e preferências dos Médicos Veterinários de equinos relativamente ao uso de antimicrobianos com recurso a um inquérito online, assim como identificar a microbiota presente em feridas de cavalos, avaliar o perfil de suscetibilidade a antibióticos (através do aparelho Vitek® 2 Compact e pelo método de Kirby-Bauer) dos isolados obtidos e por fim, analisar as resistências aos carbapenemos (através da técnica de PCR) em alguns isolados obtidos de feridas de equinos aplicando uma abordagem One Health. Foi possível obter 31 respostas ao inquérito, em que 52% dos inquiridos assiste cavalos com feridas uma ou mais vezes por mês. Apenas um (3%) afirma colher uma amostra para realizar um antibiograma antes da prescrição do antimicrobiano. Mais de metade dos inquiridos (67%) indicaram a penicilina como sendo a sua primeira opção de tratamento para feridas aparentemente infetadas. Não se observou nenhuma relação estatisticamente significativa entre a área profissional a que se dedicam e a preferência de antimicrobianos. Neste estudo apenas foi realizado o teste de sensibilidade aos antimicrobianos de bactérias Gram-negativas. A espécie Escherichia coli (n=11; 38%) foi a mais frequentemente identificada, seguindo-se a Enterobacter cloacae complex (n=4; 14%) e Klebsiella pneumoniae (n=3; 10%). Nos resultados do teste de sensibilidade aos antimicrobianos, todos os isolados foram sensíveis à enrofloxacina e à marbofloxacina. O antimicrobiano que apresentou maior percentagem de resistência foi a cefalexina (n=16; 73%). Por fim, foram selecionados 3 isolados que apresentavam resistência ou sensibilidade intermédia aos carbapenemos, 2 pertencem à espécie Pseudomonas aeruginosa e um à Enterobacter cloacae complex. A estes, foi realizado um segundo teste de sensibilidade aos antimicrobianos utilizados em Medicina Humana e os isolados apresentaram resistências a alguns antimicrobianos que segundo a EMA devem ser evitados em Medicina Veterinária tais como, o aztreonam, imipenemo, ertapenemo, tigeciclina e fosfomicina. Os isolados utilizados neste trabalho não apresentaram os mesmos mecanismos de resistência aos carbapenemos mais frequentemente encontrados nos humanos (KPC, GES, IMP, VIM, NDM e OXA-48), o que indica que os equinos podem apresentar mecanismos ou genes de resistência diferentes e por isso é necessário realizar um estudo mais aprofundado dos mesmos. No entanto, não é descartado o facto de puder ocorrer transmissão de bactérias resistentes dos humanos para os animais e vice-versa. |
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