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Efeitos da doença uterina na eficiência reprodutiva de bovinos leiteiros

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O período do pós-parto é um período de grande importância na vida reprodutiva de uma vaca leiteira, em que é bastante comum o desenvolvimento de doença uterina. A função uterina no pós-parto está frequentemente comprometida devido à contaminação bacteriana presente neste período, e pela persistência de microrganismos no lúmen uterino, causando assim doença e consequentemente infertilidade. Esta doença está associada a taxas de conceção mais baixas, aumenta o intervalo desde o parto à primeira inseminação e conceção. Aumenta também a taxa de refugo nas explorações. O desenvolvimento desta doença estará sempre dependente do balanço entre fatores tais como a imunidade do animal, outros fatores intrínsecos, número e patogenicidade dos microrganismos e o próprio ambiente uterino. Sabe-se que cerca de 25-40% dos animais apresentam metrite puerperal nas duas primeiras semanas do pós-parto, sendo que em 20% dos mesmos há persistência da doença para endometrite clínica. Foi objetivo deste trabalho o estudo do efeito da doença uterina na performance reprodutiva de bovinos leiteiros de 11 explorações distintas, na bacia leiteira de Vila do Conde. A recolha de dados compreendeu o ano de partos e período pós-parto de 2015. Para esse efeito usaram-se os seguintes parâmetros: intervalo parto-1ªIA, intervalo parto-conceção, intervalo 1ªIA-IA fecundante, taxa de prenhez e número de IA. Além destes parâmetros foi ainda estudada a relação da doença uterina com outros fatores tais como tamanho da exploração, uso de protocolo de sincronização, tempo decorrido entre parto-observação do animal e número de lactações. Neste estudo verificou-se que a incidência de doença uterina nas explorações foi de 42%. Em relação à sua correlação com os parâmetros reprodutivos mencionados, verificou-se que essa não foi estatisticamente significativa. Apesar deste facto, foram verificadas correlações estatisticamente significativas entre doença uterina e a probabilidade de uma vaca vir a ficar gestante novamente (p <0,001), assim como uma correlação altamente significativa entre a idade ao parto e a ocorrência de metrite, sendo que as vacas mais velhas tinham uma maior probabilidade de vir a ter a doença (p <0,001). Além da correlação entre doença uterina e os parâmetros reprodutivos estudados, foram ainda estudadas correlações entre outros parâmetros, como o caso da correlação da idade ao parto e tamanho da exploração (p <0,010). Ou seja explorações mais pequenas apresentam animais mais velhos a parir, este facto dá-nos informação sobre o tipo de maneio que está a ser feito nessas mesmas explorações, sendo que presumivelmente os animais são refugados mais tarde.
Autores principais:Pires, Maria João de Almeida
Assunto:Vaca leiteira Doença uterina Período pós-parto Infecções bacterianas Desempenho reprodutivo
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O período do pós-parto é um período de grande importância na vida reprodutiva de uma vaca leiteira, em que é bastante comum o desenvolvimento de doença uterina. A função uterina no pós-parto está frequentemente comprometida devido à contaminação bacteriana presente neste período, e pela persistência de microrganismos no lúmen uterino, causando assim doença e consequentemente infertilidade. Esta doença está associada a taxas de conceção mais baixas, aumenta o intervalo desde o parto à primeira inseminação e conceção. Aumenta também a taxa de refugo nas explorações. O desenvolvimento desta doença estará sempre dependente do balanço entre fatores tais como a imunidade do animal, outros fatores intrínsecos, número e patogenicidade dos microrganismos e o próprio ambiente uterino. Sabe-se que cerca de 25-40% dos animais apresentam metrite puerperal nas duas primeiras semanas do pós-parto, sendo que em 20% dos mesmos há persistência da doença para endometrite clínica. Foi objetivo deste trabalho o estudo do efeito da doença uterina na performance reprodutiva de bovinos leiteiros de 11 explorações distintas, na bacia leiteira de Vila do Conde. A recolha de dados compreendeu o ano de partos e período pós-parto de 2015. Para esse efeito usaram-se os seguintes parâmetros: intervalo parto-1ªIA, intervalo parto-conceção, intervalo 1ªIA-IA fecundante, taxa de prenhez e número de IA. Além destes parâmetros foi ainda estudada a relação da doença uterina com outros fatores tais como tamanho da exploração, uso de protocolo de sincronização, tempo decorrido entre parto-observação do animal e número de lactações. Neste estudo verificou-se que a incidência de doença uterina nas explorações foi de 42%. Em relação à sua correlação com os parâmetros reprodutivos mencionados, verificou-se que essa não foi estatisticamente significativa. Apesar deste facto, foram verificadas correlações estatisticamente significativas entre doença uterina e a probabilidade de uma vaca vir a ficar gestante novamente (p <0,001), assim como uma correlação altamente significativa entre a idade ao parto e a ocorrência de metrite, sendo que as vacas mais velhas tinham uma maior probabilidade de vir a ter a doença (p <0,001). Além da correlação entre doença uterina e os parâmetros reprodutivos estudados, foram ainda estudadas correlações entre outros parâmetros, como o caso da correlação da idade ao parto e tamanho da exploração (p <0,010). Ou seja explorações mais pequenas apresentam animais mais velhos a parir, este facto dá-nos informação sobre o tipo de maneio que está a ser feito nessas mesmas explorações, sendo que presumivelmente os animais são refugados mais tarde.