Publicação
Caracterização de populações de castanheiro (Castanea spp.) resistentes e susceptíveis à doença da tinta : uma abordagem polifásica
| Resumo: | O castanheiro europeu (Castanea sativa Mill) é uma espécie economicamente importante e por isso o seu cultivo tem induzido a perda de variabilidade genética, resultando num aumento de sensibilidade dos povoamentos aos fungos responsáveis por doenças como, por exemplo, a doença da tinta. A presente tese pretende contribuir para alargar o conhecimento acerca da variabilidade genética de populações de castanheiro Castanea spp, dedicando-se o capítulo 1 a uma descrição do estado actual do conhecimento da espécie e que engloba a sua origem, características botânicas e ecológico-culturais, patologia e alguns aspectos sobre a sua conservação genética. No trabalho experimental utilizaram-se dois tipos de marcadores moleculares: i) os marcadores bioquímicos que pretendem detectar polimorfismos a nível das isoenzimas e, ii) os marcadores de DNA (Ácido Desoxirribonucleico), baseados em técnicas de PCR (Reacção em Cadeia pela Polimerase), nomeadamente os RAPD (Polimorfismos de DNA Amplificados Aleatoriamente). Numa primeira fase descrita no capítulo 2 estudaram-se os seguintes marcadores moleculares isoenzimáticos: i) β-EST (β-esterase); ii) DIA (diaforase); iii) GOT (glutamato-oxalacetato-transaminase); iv) MDH (malato-desidrogenase); v) PGI (fosfoglucose-isomerase); vi) 6-PGD (6-fosfogluconato-desidrogenase) and, vii) PER (peroxidase). Estes permitiram, com êxito, a distinção genética das quatro populações escolhidas para este trabalho: de castanheiros resistentes; de castanheiros susceptíveis; de castanheiros híbridos e de cultivares portuguesas. Na quantificação da variabilidade genética, foram utilizados os seguintes parâmetros genéticos: índice de polimorfismo; número médio de alelos por locus; frequências alélicas; heterozigocidade; diversidade genética total, inter e intrapopulacional e o coeficiente de diferenciação genética. A metodologia utilizada na análise estatística das relações genéticas entre as populações compreendeu a ACP (Análise em Componentes Principais) e a análise de cluster. Concluiu-se que o sistema enzimático PGI permitiu uma boa distinção entre as populações contudo, os restantes sistemas enzimáticos também são marcadores aceitáveis na distinção de populações. As populações de híbridos e de cultivares portuguesas eram constituídas por variedades diferentes, contudo, as árvores pertencentes à mesma variedade apresentaram o mesmo genótipo indiciando a presença de clones idênticos. Apresenta-se no capítulo 3 a caracterização genética das mesmas populações através da técnica de RAPD. Os resultados foram concordantes com os obtidos na análise isoenzimática, confirmando o pressuposto da utilização destes marcadores na descrição da estrutura genética das populações. A metodologia empregue na análise estatística da variabilidade RAPD foi em todo idêntica à que foi utilizada na análise isoenzimática. As isoenzimas revelaram-se úteis na distinção interpopulacional, enquanto os RAPD poderão ser utilizados de uma forma eficaz na distinção intrapopulacional. O capítulo 4 inclui um estudo de caracterização dos compostos fenólicos em folhas de castanheiro, atendendo a que estes compostos possuem um papel importante na defesa das plantas contra os ataques de microorganismos e insectos. Além deste estudo, fez-se a avaliação, in vitro, do efeito dos compostos fenólicos no crescimento de Phytophthora cinnamomi Rands. A separação, identificação e quantificação dos compostos fenólicos foi realizada por HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência). A análise estatística dos resultados obtidos incidiu num modelo de análise de variância. No estudo estatístico das eventuais relações genéticas entre as árvores utilizou-se a ACP. Tanto o processo de extracção como o de quantificação de compostos fenólicos, por HPLC, revelaram-se métodos adequados para o material em estudo. Ao longo de toda a tese torna-se evidente a singularidade do clone COLUTAD, que é considerado um clone resistente à doença da tinta e que poderá, por isso, ser alvo de um estudo mais abrangente com vista ao melhoramento da espécie. |
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| Autores principais: | Anjos, Rosário |
| Assunto: | Castanea sativa Castanheiro Variação genética Marcadores genéticos |
| Ano: | 2003 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | O castanheiro europeu (Castanea sativa Mill) é uma espécie economicamente importante e por isso o seu cultivo tem induzido a perda de variabilidade genética, resultando num aumento de sensibilidade dos povoamentos aos fungos responsáveis por doenças como, por exemplo, a doença da tinta. A presente tese pretende contribuir para alargar o conhecimento acerca da variabilidade genética de populações de castanheiro Castanea spp, dedicando-se o capítulo 1 a uma descrição do estado actual do conhecimento da espécie e que engloba a sua origem, características botânicas e ecológico-culturais, patologia e alguns aspectos sobre a sua conservação genética. No trabalho experimental utilizaram-se dois tipos de marcadores moleculares: i) os marcadores bioquímicos que pretendem detectar polimorfismos a nível das isoenzimas e, ii) os marcadores de DNA (Ácido Desoxirribonucleico), baseados em técnicas de PCR (Reacção em Cadeia pela Polimerase), nomeadamente os RAPD (Polimorfismos de DNA Amplificados Aleatoriamente). Numa primeira fase descrita no capítulo 2 estudaram-se os seguintes marcadores moleculares isoenzimáticos: i) β-EST (β-esterase); ii) DIA (diaforase); iii) GOT (glutamato-oxalacetato-transaminase); iv) MDH (malato-desidrogenase); v) PGI (fosfoglucose-isomerase); vi) 6-PGD (6-fosfogluconato-desidrogenase) and, vii) PER (peroxidase). Estes permitiram, com êxito, a distinção genética das quatro populações escolhidas para este trabalho: de castanheiros resistentes; de castanheiros susceptíveis; de castanheiros híbridos e de cultivares portuguesas. Na quantificação da variabilidade genética, foram utilizados os seguintes parâmetros genéticos: índice de polimorfismo; número médio de alelos por locus; frequências alélicas; heterozigocidade; diversidade genética total, inter e intrapopulacional e o coeficiente de diferenciação genética. A metodologia utilizada na análise estatística das relações genéticas entre as populações compreendeu a ACP (Análise em Componentes Principais) e a análise de cluster. Concluiu-se que o sistema enzimático PGI permitiu uma boa distinção entre as populações contudo, os restantes sistemas enzimáticos também são marcadores aceitáveis na distinção de populações. As populações de híbridos e de cultivares portuguesas eram constituídas por variedades diferentes, contudo, as árvores pertencentes à mesma variedade apresentaram o mesmo genótipo indiciando a presença de clones idênticos. Apresenta-se no capítulo 3 a caracterização genética das mesmas populações através da técnica de RAPD. Os resultados foram concordantes com os obtidos na análise isoenzimática, confirmando o pressuposto da utilização destes marcadores na descrição da estrutura genética das populações. A metodologia empregue na análise estatística da variabilidade RAPD foi em todo idêntica à que foi utilizada na análise isoenzimática. As isoenzimas revelaram-se úteis na distinção interpopulacional, enquanto os RAPD poderão ser utilizados de uma forma eficaz na distinção intrapopulacional. O capítulo 4 inclui um estudo de caracterização dos compostos fenólicos em folhas de castanheiro, atendendo a que estes compostos possuem um papel importante na defesa das plantas contra os ataques de microorganismos e insectos. Além deste estudo, fez-se a avaliação, in vitro, do efeito dos compostos fenólicos no crescimento de Phytophthora cinnamomi Rands. A separação, identificação e quantificação dos compostos fenólicos foi realizada por HPLC (Cromatografia Líquida de Alta Eficiência). A análise estatística dos resultados obtidos incidiu num modelo de análise de variância. No estudo estatístico das eventuais relações genéticas entre as árvores utilizou-se a ACP. Tanto o processo de extracção como o de quantificação de compostos fenólicos, por HPLC, revelaram-se métodos adequados para o material em estudo. Ao longo de toda a tese torna-se evidente a singularidade do clone COLUTAD, que é considerado um clone resistente à doença da tinta e que poderá, por isso, ser alvo de um estudo mais abrangente com vista ao melhoramento da espécie. |
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