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Estudo de anomalias e desequilíbrios genómicos numa coorte de indivíduos com infertilidade, dismorfias e/ou défice auditivo

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A perda auditiva é a deficiência sensorial mais comum em humanos, pelo que afeta em todo o mundo cerca de 466 milhões de pessoas. Relativamente à sua etiologia, é uma condição que pode ser causada pela idade e por fatores genéticos ou ambientais. A perda auditiva genética ocorre maioritariamente em formas não-sindrómicas, apesar de vários síndromes estarem associados ao seu aparecimento. Estão descritos centenas de genes associados à patologia, e muitos deles podem causar formas dominantes e/ou recessivas de perda auditiva. Para além disso, algumas mutações apenas num gene podem levar a vários fenótipos diferentes, pelo que esta condição apresenta uma expressividade variável. Dada a sua elevada prevalência, e as consequências adversas que representa na vida dos seus portadores, a perda auditiva é uma condição que pode ser beneficiada com uma deteção e diagnóstico molecular precoces, permitindo um acompanhamento e tratamento clínico mais direcionados. Por este motivo, este trabalho teve como principal objetivo a implementação de um método de diagnóstico de perda auditiva num laboratório clínico, pelo que simultaneamente, representou uma análise populacional relativamente às variantes genéticas mais prevalentes nos pacientes testados. No total, foram analisadas 23 amostras de sangue provenientes de probandos com perda auditiva. Para a genotipagem destes pacientes todas as amostras foram analisadas através do painel SALSA® MLPA® Probemix P163-E1 GJB-WFS1-POU3F4. Dos probandos analisados, cinco (21,7%) mostraram a presença de anomalias genéticas associadas à patologia, sendo que em quatro deles foi possível estabelecer uma etiologia genética para o aparecimento da condição. Dois probandos apresentaram no seu genoma a presença da mutação c.35delG no exão 2 do gene GJB2 em homozigotia, sendo esta a variante mais frequentemente reportada em casos de perda auditiva autossómica recessiva em todo o mundo. Num outro probando, foi detetada a mesma variante em heterozigotia, pelo que não ficou estabelecida a etiologia da sua perda auditiva, uma vez que esta mutação apenas está associada a casos autossómicos recessivos. Esta variante foi também encontrada em heterozigotia composta com uma deleção dos genes GJB6 e CRYL1. Foi também detetado um alelo GJB2 mutado com a variante c.101T>C no exão 2 do gene em heterozigotia, que foi considerada como a causadora da patologia no probando, uma vez que a sua presença monoalélica está reportada em casos autossómicos dominantes. Em resumo, 90% dos alelos mutados detetados neste estudo dizem respeito ao gene GJB2, e a variante c.35delG mostrou ser a mais frequente. Apesar da pequena amostragem utilizada neste estudo, os resultados obtidos com este trabalho permitiram concluir que o painel de MLPA utilizado é eficaz na deteção de anomalias associadas à perda auditiva. Para além disso, deste trabalho resultaram dados que contribuem para uma melhor caraterização da população portuguesa, relativamente às causas genéticas para o aparecimento de perda auditiva.
Autores principais:Alves, Carolina dos Santos
Assunto:Perda auditiva Etiologia
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A perda auditiva é a deficiência sensorial mais comum em humanos, pelo que afeta em todo o mundo cerca de 466 milhões de pessoas. Relativamente à sua etiologia, é uma condição que pode ser causada pela idade e por fatores genéticos ou ambientais. A perda auditiva genética ocorre maioritariamente em formas não-sindrómicas, apesar de vários síndromes estarem associados ao seu aparecimento. Estão descritos centenas de genes associados à patologia, e muitos deles podem causar formas dominantes e/ou recessivas de perda auditiva. Para além disso, algumas mutações apenas num gene podem levar a vários fenótipos diferentes, pelo que esta condição apresenta uma expressividade variável. Dada a sua elevada prevalência, e as consequências adversas que representa na vida dos seus portadores, a perda auditiva é uma condição que pode ser beneficiada com uma deteção e diagnóstico molecular precoces, permitindo um acompanhamento e tratamento clínico mais direcionados. Por este motivo, este trabalho teve como principal objetivo a implementação de um método de diagnóstico de perda auditiva num laboratório clínico, pelo que simultaneamente, representou uma análise populacional relativamente às variantes genéticas mais prevalentes nos pacientes testados. No total, foram analisadas 23 amostras de sangue provenientes de probandos com perda auditiva. Para a genotipagem destes pacientes todas as amostras foram analisadas através do painel SALSA® MLPA® Probemix P163-E1 GJB-WFS1-POU3F4. Dos probandos analisados, cinco (21,7%) mostraram a presença de anomalias genéticas associadas à patologia, sendo que em quatro deles foi possível estabelecer uma etiologia genética para o aparecimento da condição. Dois probandos apresentaram no seu genoma a presença da mutação c.35delG no exão 2 do gene GJB2 em homozigotia, sendo esta a variante mais frequentemente reportada em casos de perda auditiva autossómica recessiva em todo o mundo. Num outro probando, foi detetada a mesma variante em heterozigotia, pelo que não ficou estabelecida a etiologia da sua perda auditiva, uma vez que esta mutação apenas está associada a casos autossómicos recessivos. Esta variante foi também encontrada em heterozigotia composta com uma deleção dos genes GJB6 e CRYL1. Foi também detetado um alelo GJB2 mutado com a variante c.101T>C no exão 2 do gene em heterozigotia, que foi considerada como a causadora da patologia no probando, uma vez que a sua presença monoalélica está reportada em casos autossómicos dominantes. Em resumo, 90% dos alelos mutados detetados neste estudo dizem respeito ao gene GJB2, e a variante c.35delG mostrou ser a mais frequente. Apesar da pequena amostragem utilizada neste estudo, os resultados obtidos com este trabalho permitiram concluir que o painel de MLPA utilizado é eficaz na deteção de anomalias associadas à perda auditiva. Para além disso, deste trabalho resultaram dados que contribuem para uma melhor caraterização da população portuguesa, relativamente às causas genéticas para o aparecimento de perda auditiva.