Publicação
Comportamento de dominância e as interações sociais no cão
| Resumo: | Embora já existam evidências que apontem o contrário, os cães continuam a ser vistos como animais de matilha que se agrupam em hierarquias sociais estritas e que respondem a treinos baseados na dominância-submissão. A teoria da matilha, como método de treino canino, viu a sua difusão crescer e ganhar seguidores nas últimas décadas do século vinte. Esta teoria realçou que o cão é um animal dominante que constantemente tentará disputar a posição de “líder da matilha” com o seu proprietário. Assim, quase todos os comportamentos indesejados do cão que vão contra a vontade do proprietário, como a agressividade, são associados à dominância e a uma hierarquia incorreta dentro de casa. Porém, foram surgindo recentemente opiniões e trabalhos que contestam a veracidade de tal teoria. Alguns profissionais questionaram os benefícios do uso do conceito de dominância no diagnóstico e tratamento de cães que manifestaram agressividade, baseando-me nos seguintes pressupostos: a dominância é uma característica da relação entre dois indivíduos, e não um traço da sua personalidade, pelo que não devemos catalogar um individuo como dominante; a teoria da matilha encontra o seu fundamento em estudos desatualizados de lobos, e parte também do pressuposto que o comportamento dos lobos foi pouco alterado com a domesticação; a dominância não deve ser vista como algo que irá determinar a relação que temos com os nossos cães. Os comportamentos mais desejáveis são facilmente alcançados e moldados através do reforço positivo e da aprendizagem associativa, não sendo necessário estabelecer hierarquias ou forçar o animal à submissão. Uma fixação com o conceito de dominância pode acarretar consequências negativas para a relação entre o proprietário e o seu cão. A análise das respostas obtidas num questionário realizado a 310 proprietários de cães, permitiu concluir que teoria da matilha e o conceito de líder da matilha são bastante difundidos e colocados em prática. A televisão foi o meio que mais contribuiu para divulgar esta informação entre os proprietários, embora os médicos veterinários também tenham contribuído significativamente. A maioria dos inquiridos concordou com os fundamentos e regras da matilha mas, os métodos mais agressivos como o “alpha-roll” foram os menos aplicados. Felizmente, a frequência de inquiridos que associou a dominância à agressividade foi inferior à esperada, e do total de inquiridos que afirmaram conhecer a teoria da matilha, uma percentagem significativa não concordou ou duvidou da mesma. O reforço positivo tem vindo a ganhar popularidade, e foi um método de treino com uma aceitação maioritária, embora não tenha sido a escolha de eleição da maioria dos proprietários face a comportamentos agressivos do seu animal. Os casos mais comuns de agressividade foram associados a aproximação de cães e pessoas desconhecidas, situações que beneficiavam do uso do reforço positivo, mas nas quais predominou a punição verbal. Com este estudo notou-se que a grande maioria dos inquiridos não soube identificar os sinais caninos indicativos de ansiedade ou stresse, sendo estes aqueles que antecedem um possível comportamento agonístico e que deveriam gerar uma mudança de atitude por parte dos proprietários. |
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| Autores principais: | Costa, Vânia Cristina Ferreira da |
| Assunto: | Comportamento animal Predomínio social Agressividade Cão Teoria da matilha |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Embora já existam evidências que apontem o contrário, os cães continuam a ser vistos como animais de matilha que se agrupam em hierarquias sociais estritas e que respondem a treinos baseados na dominância-submissão. A teoria da matilha, como método de treino canino, viu a sua difusão crescer e ganhar seguidores nas últimas décadas do século vinte. Esta teoria realçou que o cão é um animal dominante que constantemente tentará disputar a posição de “líder da matilha” com o seu proprietário. Assim, quase todos os comportamentos indesejados do cão que vão contra a vontade do proprietário, como a agressividade, são associados à dominância e a uma hierarquia incorreta dentro de casa. Porém, foram surgindo recentemente opiniões e trabalhos que contestam a veracidade de tal teoria. Alguns profissionais questionaram os benefícios do uso do conceito de dominância no diagnóstico e tratamento de cães que manifestaram agressividade, baseando-me nos seguintes pressupostos: a dominância é uma característica da relação entre dois indivíduos, e não um traço da sua personalidade, pelo que não devemos catalogar um individuo como dominante; a teoria da matilha encontra o seu fundamento em estudos desatualizados de lobos, e parte também do pressuposto que o comportamento dos lobos foi pouco alterado com a domesticação; a dominância não deve ser vista como algo que irá determinar a relação que temos com os nossos cães. Os comportamentos mais desejáveis são facilmente alcançados e moldados através do reforço positivo e da aprendizagem associativa, não sendo necessário estabelecer hierarquias ou forçar o animal à submissão. Uma fixação com o conceito de dominância pode acarretar consequências negativas para a relação entre o proprietário e o seu cão. A análise das respostas obtidas num questionário realizado a 310 proprietários de cães, permitiu concluir que teoria da matilha e o conceito de líder da matilha são bastante difundidos e colocados em prática. A televisão foi o meio que mais contribuiu para divulgar esta informação entre os proprietários, embora os médicos veterinários também tenham contribuído significativamente. A maioria dos inquiridos concordou com os fundamentos e regras da matilha mas, os métodos mais agressivos como o “alpha-roll” foram os menos aplicados. Felizmente, a frequência de inquiridos que associou a dominância à agressividade foi inferior à esperada, e do total de inquiridos que afirmaram conhecer a teoria da matilha, uma percentagem significativa não concordou ou duvidou da mesma. O reforço positivo tem vindo a ganhar popularidade, e foi um método de treino com uma aceitação maioritária, embora não tenha sido a escolha de eleição da maioria dos proprietários face a comportamentos agressivos do seu animal. Os casos mais comuns de agressividade foram associados a aproximação de cães e pessoas desconhecidas, situações que beneficiavam do uso do reforço positivo, mas nas quais predominou a punição verbal. Com este estudo notou-se que a grande maioria dos inquiridos não soube identificar os sinais caninos indicativos de ansiedade ou stresse, sendo estes aqueles que antecedem um possível comportamento agonístico e que deveriam gerar uma mudança de atitude por parte dos proprietários. |
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