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Efeito de extrato de Cytinus spp num modelo animal K14- HPV16

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As plantas medicinais têm contribuído fortemente para o desenvolvimento de formulações/produtos com potencial terapêutico porque muitos dos seus extratos possuem propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e antitumorais. Os extratos de Cytinus hypocistis possuem substâncias com propriedades antioxidante, anti-inflamatória, antibacteriana e antiproliferativa, sendo promissoras do ponto de vista terapêutico. As infeções por certos tipos de Vírus do Papiloma Humano (HPV), como o HPV16, estão associadas ao desenvolvimento de vários cancros humanos, incluindo o cancro do colo do útero, neoplasias anogenitais e um número crescente de cancros de cabeça e pescoço; deste modo, o HPV constitui um grande risco para a Saúde Pública. Pretendemos com este trabalho estudar a influência da aplicação tópica de um extrato obtido a partir de Cytinus hypocistis (L.) L. sobre parâmetros fisiológicos do murganho K14-HPV16 com o objetivo de compreender o seu efeito terapêutico nas lesões espontâneas desenvolvidas neste modelo animal. Para a realização deste estudo foram usados trinta murganhos fêmeas, da estirpe FVB/n, com idades compreendidas entre as 33-37 semanas, sendo 10 wild-type e 20 transgénicas: Grupo 1 (K14-HPV16, n=5) tratados com concentração 1 do extrato; grupo 2 (K14-HPV16, n=5) tratados com a concentração 2 do extrato; grupo 3 (K14-HPV16, n=5) tratados com a concentração 3 do extrato; grupo 4 (wild-type, n=5) tratados com a concentração 3 do extrato; os grupos 5 (K14-HPV16, n=5) e 6 (wild-type, n=5) foram usados como controlo. O extrato foi aplicado por via tópica no pavilhão auricular dos animais, uma vez por dia, ao longo de 28 dias, com exceção dos fins de semana, com auxílio de uma espátula. No final do ensaio os animais foram eutanasiados pela administração de uma overdose da associação de xilazina com ketamina, sendo realizada uma necrópsia completa. Os órgãos dos animais foram recolhidos, registada a sua massa e feita a sua análise histológica. O sangue foi recolhido por punção cardíaca direta para análise bioquímica, o microhematócrito também foi realizado. Verificou-se que a aplicação do extrato mostrou não ter influência na ingestão média de alimento (consumo final (g): G1-4,39; G2-4,10; G3-3,86; G-3,57; G5-4,23; G6-3,15) e de água (consumo final (g): G1-8,62; G2-8,82; G3-8,05; G4-4,7; G5-8,39; G6-3,99), na massa dos órgãos (media fígado (g): G1-1,496±0,042; G2-1,550±0,083; G3-1,424±0,092; G4- 1,550±0,118; G5-1,40±0,083; G6-1,238±0,062), no microhematócrito, no parâmetro de stresse XXII oxidativo e nos parâmetros bioquímicos. A histologia demonstrou a presença de lesões proliferativas na pele e na mucosa oral dos animais K14-HPV16, sem associação com a aplicação do extrato; foi observada a presença de infiltrado inflamatório nos órgãos internos de todos os grupos; os animais K14-HPV16 apresentaram uma diminuição na média de massa corporal ((g): G1-27,30±0,45; G2-24,69±0,66; G3-24,20±0,89; G4-30,08±1,69; G5- 25,54±0,93; G6-27,02±0,75), independentemente da concentração de extrato aplicado. Em conclusão, os resultados indicam que a aplicação do extrato de Cytinus hypocistis não teve influências nas lesões provocadas pelo HPV, sendo as diferenças observadas associadas ao fenótipo dos animais. No geral foi bem tolerado pelos animais, contudo estudos adicionais são necessários para explicitar o potencial genotóxico do extrato e a segurança da sua utilização.
Autores principais:Medeiros, Catarina Ferreira
Assunto:Animal In vivo
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:As plantas medicinais têm contribuído fortemente para o desenvolvimento de formulações/produtos com potencial terapêutico porque muitos dos seus extratos possuem propriedades anti-inflamatórias, antimicrobianas e antitumorais. Os extratos de Cytinus hypocistis possuem substâncias com propriedades antioxidante, anti-inflamatória, antibacteriana e antiproliferativa, sendo promissoras do ponto de vista terapêutico. As infeções por certos tipos de Vírus do Papiloma Humano (HPV), como o HPV16, estão associadas ao desenvolvimento de vários cancros humanos, incluindo o cancro do colo do útero, neoplasias anogenitais e um número crescente de cancros de cabeça e pescoço; deste modo, o HPV constitui um grande risco para a Saúde Pública. Pretendemos com este trabalho estudar a influência da aplicação tópica de um extrato obtido a partir de Cytinus hypocistis (L.) L. sobre parâmetros fisiológicos do murganho K14-HPV16 com o objetivo de compreender o seu efeito terapêutico nas lesões espontâneas desenvolvidas neste modelo animal. Para a realização deste estudo foram usados trinta murganhos fêmeas, da estirpe FVB/n, com idades compreendidas entre as 33-37 semanas, sendo 10 wild-type e 20 transgénicas: Grupo 1 (K14-HPV16, n=5) tratados com concentração 1 do extrato; grupo 2 (K14-HPV16, n=5) tratados com a concentração 2 do extrato; grupo 3 (K14-HPV16, n=5) tratados com a concentração 3 do extrato; grupo 4 (wild-type, n=5) tratados com a concentração 3 do extrato; os grupos 5 (K14-HPV16, n=5) e 6 (wild-type, n=5) foram usados como controlo. O extrato foi aplicado por via tópica no pavilhão auricular dos animais, uma vez por dia, ao longo de 28 dias, com exceção dos fins de semana, com auxílio de uma espátula. No final do ensaio os animais foram eutanasiados pela administração de uma overdose da associação de xilazina com ketamina, sendo realizada uma necrópsia completa. Os órgãos dos animais foram recolhidos, registada a sua massa e feita a sua análise histológica. O sangue foi recolhido por punção cardíaca direta para análise bioquímica, o microhematócrito também foi realizado. Verificou-se que a aplicação do extrato mostrou não ter influência na ingestão média de alimento (consumo final (g): G1-4,39; G2-4,10; G3-3,86; G-3,57; G5-4,23; G6-3,15) e de água (consumo final (g): G1-8,62; G2-8,82; G3-8,05; G4-4,7; G5-8,39; G6-3,99), na massa dos órgãos (media fígado (g): G1-1,496±0,042; G2-1,550±0,083; G3-1,424±0,092; G4- 1,550±0,118; G5-1,40±0,083; G6-1,238±0,062), no microhematócrito, no parâmetro de stresse XXII oxidativo e nos parâmetros bioquímicos. A histologia demonstrou a presença de lesões proliferativas na pele e na mucosa oral dos animais K14-HPV16, sem associação com a aplicação do extrato; foi observada a presença de infiltrado inflamatório nos órgãos internos de todos os grupos; os animais K14-HPV16 apresentaram uma diminuição na média de massa corporal ((g): G1-27,30±0,45; G2-24,69±0,66; G3-24,20±0,89; G4-30,08±1,69; G5- 25,54±0,93; G6-27,02±0,75), independentemente da concentração de extrato aplicado. Em conclusão, os resultados indicam que a aplicação do extrato de Cytinus hypocistis não teve influências nas lesões provocadas pelo HPV, sendo as diferenças observadas associadas ao fenótipo dos animais. No geral foi bem tolerado pelos animais, contudo estudos adicionais são necessários para explicitar o potencial genotóxico do extrato e a segurança da sua utilização.