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Análise molecular da resistência a antibióticos, factores de virulência e grupos filogenéticos em Escherichia coli e Enterococcus spp. de animais

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Resumo:O reconhecimento da resistência antimicrobiana como um fenómeno emergente em saúde pública, tem constituído um problema a nível mundial A comunidade científica constatou a necessidade de realizar a avaliação da susceptibilidade aos antibióticos em “bactérias indicadoras” de diversas origens, como uma medida para combater o aumento da resistência antimicrobiana. As bactérias comensais Escherichia coli e Enterococcusspp. são colonizadoras do tracto gastrintestinal da maioria dos animais e humanos permitindo realizar estudos de emergência, ocorrência e disseminação da resistência aos antibióticos. Este trabalho teve por objectivo estudar a taxa de resistência a antibióticos em isolados fecais de E. coli e Enterococcus spp. de diferentes origens animais, detectar factores de virulência e analisar os grupos filogenéticos dos isolados de E. coli.Um total de 209 amostras fecais (54 de avestruz, 13 de burro, 30 de suíno comercial, 35 de suíno bísaro e 77 de javali) foram semeadas em Slanetz-Bartley (suplementado e não suplementado com vancomicina) e em Levine (suplementado e não suplementado com cefotaxima). Testou-se a susceptibilidade aos antibióticos pelo método da difusão em disco de acordo com as normas do CLSI, usando-se 16 antibióticos em E. coli: ampicilina, amoxicilina+ácido clavulânico, cefoxitina, cefotaxima, ceftazidima, aztreonam, imipenemo, gentamicina, amicacina, tobramicina, estreptomicina, ácido nalidíxico, ciprofloxacina, trimetropim-sulfametoxazol, tetraciclina e cloranfenicol. Em Enterococcus spp. utilizaram-se 11 antibióticos: ampicilina, ciprofloxacina, cloranfenicol, eritromicina, quinupristina-dalfopristina, tetraciclina, teicoplanina, vancomicina, e aminoglicosídeos de elevada carga (estreptomicina, gentamicina e canamicina). Obtiveram-se sete isolados de Enterococcus spp. resistentes à vancomicina (VRE) de amostras fecais de avestruz e 17 isolados de E. coli produtores de -lactamases de amplo espectro (BLAE) de amostras fecais de burro e de suínos (comercial e bísaro). Seis dos sete isolados VRE (quatro isolados da espécie E. duransonde foi detectado o gene vanA e em três isolados onde foi detectado o gene vanC1 que codifica uma resistência intrínseca à vancomicina em E. gallinarum) mostraram resistência à tetraciclina e em todos eles foi detectado o gene tet(M). O gene erm(B) foi detectado nos cinco isolados que mostraram resistência à eritromicina. A pesquisa de factores de virulência permitiu identificar o gene hyl, codificador da hialuronidase, nos três isolados VRE da espécie E. gallinarum.Dos 17 isolados BLAE, 16 manifestaram a presença do gene blaCTX-M1 e oito a presença do gene blaTEM (sete em combinação com o gene blaCTX-M1 e um em combinação com o gene blaCTX-M14).O gene tet(A)outet(B) foi encontrado em 13 de 15 isolados resistentes à tetraciclina. O gene aadA foi encontrado em nove de 10 isolados resistentes à estreptomicina. Em um isolado resistente ao cloranfenicol e um resistente ao sulfametoxazol-trimetropim não foram detectados os genes que codificam a respectiva resistência (cmlA e sul1,sul2 ou sul3, respectivamente). Os genes gyrA e parC foram amplificados e posteriormente sequenciados nos isolados resistentes às quinolonas. Num isolado resistente ao ácido nalidíxico e à ciprofloxacina foram identificadas duas alterações aminoacídicas no gene gyrA (Ser83Leu + Asp87Asn) e uma no gene parC (Ser80Ile). A pesquisa de factores de virulência evidenciou a presença do gene fimA na totalidade dos isolados BLAE e o gene aer em seis destes. Dos 17 isolados BLAE estudados, 14 pertenceram ao grupo filogenético A e três ao grupo filogenético B1. O estudo da relação clonal dos isolados de E. coli produtores de BLAE permitiu identificar nove padrões de restrição diferentes, sendo alguns dos padrões idênticos em isolados provenientes de diferentes animais. Os isolados de E. coli obtidos de meios não suplementados com cefotaxima apresentaram uma elevada percentagem de resistência à tetraciclina (60,7%), à ampicilina (24,8%) e à estreptomicina (21,3%). Os isolados de Enterococcus spp. obtidos de meios não suplementados com vancomicina apresentaram fenótipos de resistência à tetraciclina (68,1%), eritromicina (21%), canamicina (5%), estreptomicina (4,2%), quinupristina-dalfopristina (3,4%), gentamicina (1,7%) e ampicilina (0,8%). Neste estudo, dependendo das diferentes amostras fecais analisadas, foram detectados diferentes níveis de colonização de enterococos com o gene vanA e também diferentes percentagens de isolados de E. coli produtoras de -lactamases de amplo espectro. Uma pequena variedade de genes codificadores de factores de virulência foi encontrada nos isolados BLAE. O estudo da resistência antimicrobiana em E. coli eEnterococcus spp.,isolados a partir de meios não suplementados com antibiótico,permitiu detectar variações na resistência entre os isolados obtidos de diferentes espécies animais. Os dados obtidos neste estudo são importantes para estabelecer políticas de uso prudente de antibióticos tanto em animais como em humanos bem como, advertir a população humana para os riscos do uso inadequado destes agentes.
Autores principais:Gonçalves, Alexandre Fradeira
Assunto:Escherichia coli Enterococcus spp. BLAE VRE Antibióticos
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O reconhecimento da resistência antimicrobiana como um fenómeno emergente em saúde pública, tem constituído um problema a nível mundial A comunidade científica constatou a necessidade de realizar a avaliação da susceptibilidade aos antibióticos em “bactérias indicadoras” de diversas origens, como uma medida para combater o aumento da resistência antimicrobiana. As bactérias comensais Escherichia coli e Enterococcusspp. são colonizadoras do tracto gastrintestinal da maioria dos animais e humanos permitindo realizar estudos de emergência, ocorrência e disseminação da resistência aos antibióticos. Este trabalho teve por objectivo estudar a taxa de resistência a antibióticos em isolados fecais de E. coli e Enterococcus spp. de diferentes origens animais, detectar factores de virulência e analisar os grupos filogenéticos dos isolados de E. coli.Um total de 209 amostras fecais (54 de avestruz, 13 de burro, 30 de suíno comercial, 35 de suíno bísaro e 77 de javali) foram semeadas em Slanetz-Bartley (suplementado e não suplementado com vancomicina) e em Levine (suplementado e não suplementado com cefotaxima). Testou-se a susceptibilidade aos antibióticos pelo método da difusão em disco de acordo com as normas do CLSI, usando-se 16 antibióticos em E. coli: ampicilina, amoxicilina+ácido clavulânico, cefoxitina, cefotaxima, ceftazidima, aztreonam, imipenemo, gentamicina, amicacina, tobramicina, estreptomicina, ácido nalidíxico, ciprofloxacina, trimetropim-sulfametoxazol, tetraciclina e cloranfenicol. Em Enterococcus spp. utilizaram-se 11 antibióticos: ampicilina, ciprofloxacina, cloranfenicol, eritromicina, quinupristina-dalfopristina, tetraciclina, teicoplanina, vancomicina, e aminoglicosídeos de elevada carga (estreptomicina, gentamicina e canamicina). Obtiveram-se sete isolados de Enterococcus spp. resistentes à vancomicina (VRE) de amostras fecais de avestruz e 17 isolados de E. coli produtores de -lactamases de amplo espectro (BLAE) de amostras fecais de burro e de suínos (comercial e bísaro). Seis dos sete isolados VRE (quatro isolados da espécie E. duransonde foi detectado o gene vanA e em três isolados onde foi detectado o gene vanC1 que codifica uma resistência intrínseca à vancomicina em E. gallinarum) mostraram resistência à tetraciclina e em todos eles foi detectado o gene tet(M). O gene erm(B) foi detectado nos cinco isolados que mostraram resistência à eritromicina. A pesquisa de factores de virulência permitiu identificar o gene hyl, codificador da hialuronidase, nos três isolados VRE da espécie E. gallinarum.Dos 17 isolados BLAE, 16 manifestaram a presença do gene blaCTX-M1 e oito a presença do gene blaTEM (sete em combinação com o gene blaCTX-M1 e um em combinação com o gene blaCTX-M14).O gene tet(A)outet(B) foi encontrado em 13 de 15 isolados resistentes à tetraciclina. O gene aadA foi encontrado em nove de 10 isolados resistentes à estreptomicina. Em um isolado resistente ao cloranfenicol e um resistente ao sulfametoxazol-trimetropim não foram detectados os genes que codificam a respectiva resistência (cmlA e sul1,sul2 ou sul3, respectivamente). Os genes gyrA e parC foram amplificados e posteriormente sequenciados nos isolados resistentes às quinolonas. Num isolado resistente ao ácido nalidíxico e à ciprofloxacina foram identificadas duas alterações aminoacídicas no gene gyrA (Ser83Leu + Asp87Asn) e uma no gene parC (Ser80Ile). A pesquisa de factores de virulência evidenciou a presença do gene fimA na totalidade dos isolados BLAE e o gene aer em seis destes. Dos 17 isolados BLAE estudados, 14 pertenceram ao grupo filogenético A e três ao grupo filogenético B1. O estudo da relação clonal dos isolados de E. coli produtores de BLAE permitiu identificar nove padrões de restrição diferentes, sendo alguns dos padrões idênticos em isolados provenientes de diferentes animais. Os isolados de E. coli obtidos de meios não suplementados com cefotaxima apresentaram uma elevada percentagem de resistência à tetraciclina (60,7%), à ampicilina (24,8%) e à estreptomicina (21,3%). Os isolados de Enterococcus spp. obtidos de meios não suplementados com vancomicina apresentaram fenótipos de resistência à tetraciclina (68,1%), eritromicina (21%), canamicina (5%), estreptomicina (4,2%), quinupristina-dalfopristina (3,4%), gentamicina (1,7%) e ampicilina (0,8%). Neste estudo, dependendo das diferentes amostras fecais analisadas, foram detectados diferentes níveis de colonização de enterococos com o gene vanA e também diferentes percentagens de isolados de E. coli produtoras de -lactamases de amplo espectro. Uma pequena variedade de genes codificadores de factores de virulência foi encontrada nos isolados BLAE. O estudo da resistência antimicrobiana em E. coli eEnterococcus spp.,isolados a partir de meios não suplementados com antibiótico,permitiu detectar variações na resistência entre os isolados obtidos de diferentes espécies animais. Os dados obtidos neste estudo são importantes para estabelecer políticas de uso prudente de antibióticos tanto em animais como em humanos bem como, advertir a população humana para os riscos do uso inadequado destes agentes.