Publicação
Danos no DNA induzidos por agentes ambientais: um estudo in vitro em espermatozoides humanos
| Resumo: | O DNA é uma molécula suscetível a danos induzidos por fontes exógenas e/ ou endógenas. Sendo o das células espermáticas particularmente vulnerável a danos resultantes da exposição a agentes ambientais e estilos de vida que podem levar à produção excessiva de espécies reativas de oxigénio, entre outros, levando a um aumento de infertilidade. O objetivo deste estudo foi avaliar, in vitro, os danos do DNA de células espermáticas expostas a vários agentes a que os indivíduos do sexo masculino, em idade de reprodução, estão expostos. Agentes esses escolhidos com base num questionário online de forma a estimar quais os diferentes estilos de vida e a que agentes genotóxicos este grupo populacional (n=158) está normalmente exposto. Através dos inquéritos, constatou-se que a maioria dos indivíduos reside em áreas urbanas, consome 4 a 14 porções de frutas e legumes por semana, alimentos com cafeína, bebidas alcoólicas apenas em momentos de convívio, não toma suplementos vitamínicos, não fuma, pratica desporto e são utilizadores frequentes de telemóveis. Com base nestes resultados, realizou-se o ensaio do cometa in vitro, em células espermáticas sujeitas aos tratamentos in gel, de um indivíduo saudável com baixo nível de dano basal. Dos vários ensaios que existem para detetar danos no DNA, utilizou-se o ensaio do cometa, por ser uma técnica rápida, simples e sensível, e que permite detetar roturas de cadeia simples e dupla, sítios alcalilábeis, bem como outros tipos de dano. As células foram expostas aos seguintes tratamentos: café (5 e 10 min); gases de escape de motor a gasolina (10 e 20 min); herbicida Roundup® (25 mg/ L e 50 mg/ L); fumo do tabaco (10 e 20 min); telemóvel em chamada (10 e 20 min); suplemento de vitamina C (5 e 10 min) seguido de H2O2 (5 min), sumo de kiwi fresco (5 e 10 min) seguido de H2O2 (5 min) e UVC (1 J/ m2 ), além dos respetivos controlos (células sem tratamento e células expostas a H2O2 (1 mM)). O estudo realizou-se em triplicado, com células do mesmo indivíduo, separadas no tempo por um mês. Os resultados mostraram que os danos no DNA, aquando da exposição das células espermáticas ao café, aos gases de escape de motor a gasolina, ao Roundup®, ao tabaco, às radiações de telemóveis e UVC, foram significativamente maiores do que os danos detetados no controlo. Por outro lado, quando expostas as células ao kiwi e H2O2, observou-se uma redução estatisticamente significativa relativamente ao controlo positivo. Quando expostas à vitamina C (5 min) e H2O2 apresentaram danos semelhantes ao controlo positivo, contudo, o dano do DNA dos espermatozoides diminuiu significativamente (p<0,01), relativamente ao controlo positivo, no tratamento com duração de 10 min. Assim, concluiu-se que, enquanto, o café, os gases de escape, o Roundup®, o tabaco, as radiações de telemóvel e as radiações UVC apresentaram aumento de dano relativamente ao controlo, destacando-se sobretudo o Roundup® e as radiações do telemóvel, por sua vez o Kiwi e o suplemento de vitamina C indicam uma ação protetora sobre os danos no DNA espermático. Embora estes resultados sejam in vitro, são indicativos dos danos a que as células estão expostas in vivo, e como tal mimetizam efeitos de comportamentos e estilos de vida que contribuem para o atual aumento da infertilidade masculina. |
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| Autores principais: | Almeida, Ana Raquel Sequeira |
| Assunto: | genotoxicidade espermatozoides ensaio do cometa danos no DNA |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | O DNA é uma molécula suscetível a danos induzidos por fontes exógenas e/ ou endógenas. Sendo o das células espermáticas particularmente vulnerável a danos resultantes da exposição a agentes ambientais e estilos de vida que podem levar à produção excessiva de espécies reativas de oxigénio, entre outros, levando a um aumento de infertilidade. O objetivo deste estudo foi avaliar, in vitro, os danos do DNA de células espermáticas expostas a vários agentes a que os indivíduos do sexo masculino, em idade de reprodução, estão expostos. Agentes esses escolhidos com base num questionário online de forma a estimar quais os diferentes estilos de vida e a que agentes genotóxicos este grupo populacional (n=158) está normalmente exposto. Através dos inquéritos, constatou-se que a maioria dos indivíduos reside em áreas urbanas, consome 4 a 14 porções de frutas e legumes por semana, alimentos com cafeína, bebidas alcoólicas apenas em momentos de convívio, não toma suplementos vitamínicos, não fuma, pratica desporto e são utilizadores frequentes de telemóveis. Com base nestes resultados, realizou-se o ensaio do cometa in vitro, em células espermáticas sujeitas aos tratamentos in gel, de um indivíduo saudável com baixo nível de dano basal. Dos vários ensaios que existem para detetar danos no DNA, utilizou-se o ensaio do cometa, por ser uma técnica rápida, simples e sensível, e que permite detetar roturas de cadeia simples e dupla, sítios alcalilábeis, bem como outros tipos de dano. As células foram expostas aos seguintes tratamentos: café (5 e 10 min); gases de escape de motor a gasolina (10 e 20 min); herbicida Roundup® (25 mg/ L e 50 mg/ L); fumo do tabaco (10 e 20 min); telemóvel em chamada (10 e 20 min); suplemento de vitamina C (5 e 10 min) seguido de H2O2 (5 min), sumo de kiwi fresco (5 e 10 min) seguido de H2O2 (5 min) e UVC (1 J/ m2 ), além dos respetivos controlos (células sem tratamento e células expostas a H2O2 (1 mM)). O estudo realizou-se em triplicado, com células do mesmo indivíduo, separadas no tempo por um mês. Os resultados mostraram que os danos no DNA, aquando da exposição das células espermáticas ao café, aos gases de escape de motor a gasolina, ao Roundup®, ao tabaco, às radiações de telemóveis e UVC, foram significativamente maiores do que os danos detetados no controlo. Por outro lado, quando expostas as células ao kiwi e H2O2, observou-se uma redução estatisticamente significativa relativamente ao controlo positivo. Quando expostas à vitamina C (5 min) e H2O2 apresentaram danos semelhantes ao controlo positivo, contudo, o dano do DNA dos espermatozoides diminuiu significativamente (p<0,01), relativamente ao controlo positivo, no tratamento com duração de 10 min. Assim, concluiu-se que, enquanto, o café, os gases de escape, o Roundup®, o tabaco, as radiações de telemóvel e as radiações UVC apresentaram aumento de dano relativamente ao controlo, destacando-se sobretudo o Roundup® e as radiações do telemóvel, por sua vez o Kiwi e o suplemento de vitamina C indicam uma ação protetora sobre os danos no DNA espermático. Embora estes resultados sejam in vitro, são indicativos dos danos a que as células estão expostas in vivo, e como tal mimetizam efeitos de comportamentos e estilos de vida que contribuem para o atual aumento da infertilidade masculina. |
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