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Nutritional value of by-products of wine production for animal feed

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Resumo:A indústria do vinho é uma importante atividade económica e social a nível mundial, especialmente na área do Mediterrâneo. A Organização Internacional da Vinha e do Vinho estimou uma produção mundial de vinho de 250 milhões de hL em 2021 e 60% dessa produção é realizada por países da União Europeia, onde Portugal é o 11º maior produtor de vinho. A indústria vitivinícola está relacionada com a geração de grandes quantidades de resíduos agrícolas, suscitando preocupações relacionadas com a gestão de resíduos e que podem causar problemas ambientais. Uma abordagem interessante baseada no uso de resíduos agrícolas é usálos como matéria-prima na alimentação animal. No entanto, o uso desses resíduos agrícolas como matéria-prima apresenta limitações como baixa digestibilidade, baixo teor de proteína e alto teor de fibras, incluindo alto teor de lenhina. Os tratamentos biológicos com microrganismos são uma abordagem atraente ecologicamente e costumam ser usados para ultrapassar essas limitações: aumentar o valor nutricional e as propriedades como palatabilidade, textura e disponibilidade de nutrientes. Microrganismos lignocelulolíticos, especialmente fungos de podridão branca, têm atraído o interesse como eficientes na degradação da lenhina devido à sua capacidade de produzir grandes quantidades de enzimas lignocelulolíticas. Um desses resíduos sólidos é o engaço da uva que é o resíduo utilizado neste trabalho. O engaço de uva é caracterizado química e nutricionalmente e demonstraram ser um alimento com alto teor de componentes da parede celular, baixo valor proteico e alto teor de lenhina que tem uma influência negativa na digestibilidade in vitro. O trabalho neste capítulo também teve como objetivo avaliar a capacidade de três fungos da podridão branca para degradar a lenhina e aumentar o valor nutritivo do engaço de uva. Lentinula edodes, Pleurotus eryngii e Pleurotus citrinopileatus foram usados em 6 diferentes períodos de incubação. Os resultados indicaram que L. edodes com 42 dias de incubação teve melhor produção de enzimas lignocelulolíticas e efeito degradação da lenhina, evidenciando o potencial para o aumento do valor nutritivo do engaço de uva como matéria-prima alternativa. Após a seleção do melhor fungo e do período de incubação para o tratamento biológico, grandes quantidades de engaço foram inoculadas para serem incorporadas em dietas animais. Um dos trabalhos teve como objetivo avaliar o efeito da incorporação de engaço de uva não tratados (UGS) e engaço de uva tratado com fungos (Lentinula edodes, TGS) em dietas para coelhos. O grupo controlo foi alimentado com uma dieta sem incorporação de engaço de uva (C), dois grupos experimentais foram alimentados com dietas com 5% e 10% de incorporação de UGS (5UGS e 10UGS), e dois com 5% e 10% de incorporação de TGS (5TGS e 10TGS). Coelhos alimentados com dietas TGS apresentaram maior ganho de peso diário (p = 0,034), conversão alimentar (p = 0,002), peso de carcaça (p = 0,038) e peso referência de carcaça (p = 0,03) quando comparados à dieta C. Além disso, os animais alimentados com dietas TGS apresentaram aumento no comprimento do ceco (p = 0,015) e do intestino delgado (p = 0,021) e no teor de ácidos gordos voláteis totais (p = 0,005) em relação aos animais alimentados com dietas UGS. Os níveis de triglicerídeos no sangue foram menores nos animais alimentados com dietas TGS em comparação com as dietas UGS (p = 0,005) e C (p ≤ 0,001) (12% e 19% menores, respectivamente), e foi observada uma tendência para níveis mais baixos de colesterol (p = 0,071). A carne de coelhos alimentados com dietas TGS apresentou níveis mais elevados de ácido linoleico, γ-linoleico, Σ-6, ΣPUFA e relação ΣPUFA/ΣSFA em comparação com coelhos alimentados com a dieta C. Os resultados indicaram que o engaço de uva (UGS e TGS) pode ser efetivamente utilizado como matéria-prima alternativa na dieta de coelhos sem comprometer a performance animal. Através dos resultados após a introdução de engaço de uva em coelhos observou-se que pode estimular alguma atividade prebiótica com benefícios para a saúde animal. Na nutrição animal é crescente o interesse dos investigadores para o aumento da capacidade de resistência a doenças e aumento de imunidade, de forma a potencializar a redução do uso de antibióticos ou outros medicamentos. Como o engaço de uva nunca foi incorporado em dietas de peixes, é necessário avaliar a capacidade digestiva desta nova matérias-primas antes de realizar um estudo de crescimento e imunidade. O trabalho final teve como objetivo investigar os coeficientes de digestibilidade aparente da incorporação de UGS e TGS em Tilápia do Nilo. Os dados indicam que é mais rentável incorporar UGS e estudos in vivo para avaliação da imunidade são necessários para entender se a incorporação de GS promoverá atividades prebióticas em animais devido à presença de biocompostos.
Autores principais:Silva, Valéria Regina da Costa e
Assunto:Produção de vinho Subprodutos
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:inglês
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A indústria do vinho é uma importante atividade económica e social a nível mundial, especialmente na área do Mediterrâneo. A Organização Internacional da Vinha e do Vinho estimou uma produção mundial de vinho de 250 milhões de hL em 2021 e 60% dessa produção é realizada por países da União Europeia, onde Portugal é o 11º maior produtor de vinho. A indústria vitivinícola está relacionada com a geração de grandes quantidades de resíduos agrícolas, suscitando preocupações relacionadas com a gestão de resíduos e que podem causar problemas ambientais. Uma abordagem interessante baseada no uso de resíduos agrícolas é usálos como matéria-prima na alimentação animal. No entanto, o uso desses resíduos agrícolas como matéria-prima apresenta limitações como baixa digestibilidade, baixo teor de proteína e alto teor de fibras, incluindo alto teor de lenhina. Os tratamentos biológicos com microrganismos são uma abordagem atraente ecologicamente e costumam ser usados para ultrapassar essas limitações: aumentar o valor nutricional e as propriedades como palatabilidade, textura e disponibilidade de nutrientes. Microrganismos lignocelulolíticos, especialmente fungos de podridão branca, têm atraído o interesse como eficientes na degradação da lenhina devido à sua capacidade de produzir grandes quantidades de enzimas lignocelulolíticas. Um desses resíduos sólidos é o engaço da uva que é o resíduo utilizado neste trabalho. O engaço de uva é caracterizado química e nutricionalmente e demonstraram ser um alimento com alto teor de componentes da parede celular, baixo valor proteico e alto teor de lenhina que tem uma influência negativa na digestibilidade in vitro. O trabalho neste capítulo também teve como objetivo avaliar a capacidade de três fungos da podridão branca para degradar a lenhina e aumentar o valor nutritivo do engaço de uva. Lentinula edodes, Pleurotus eryngii e Pleurotus citrinopileatus foram usados em 6 diferentes períodos de incubação. Os resultados indicaram que L. edodes com 42 dias de incubação teve melhor produção de enzimas lignocelulolíticas e efeito degradação da lenhina, evidenciando o potencial para o aumento do valor nutritivo do engaço de uva como matéria-prima alternativa. Após a seleção do melhor fungo e do período de incubação para o tratamento biológico, grandes quantidades de engaço foram inoculadas para serem incorporadas em dietas animais. Um dos trabalhos teve como objetivo avaliar o efeito da incorporação de engaço de uva não tratados (UGS) e engaço de uva tratado com fungos (Lentinula edodes, TGS) em dietas para coelhos. O grupo controlo foi alimentado com uma dieta sem incorporação de engaço de uva (C), dois grupos experimentais foram alimentados com dietas com 5% e 10% de incorporação de UGS (5UGS e 10UGS), e dois com 5% e 10% de incorporação de TGS (5TGS e 10TGS). Coelhos alimentados com dietas TGS apresentaram maior ganho de peso diário (p = 0,034), conversão alimentar (p = 0,002), peso de carcaça (p = 0,038) e peso referência de carcaça (p = 0,03) quando comparados à dieta C. Além disso, os animais alimentados com dietas TGS apresentaram aumento no comprimento do ceco (p = 0,015) e do intestino delgado (p = 0,021) e no teor de ácidos gordos voláteis totais (p = 0,005) em relação aos animais alimentados com dietas UGS. Os níveis de triglicerídeos no sangue foram menores nos animais alimentados com dietas TGS em comparação com as dietas UGS (p = 0,005) e C (p ≤ 0,001) (12% e 19% menores, respectivamente), e foi observada uma tendência para níveis mais baixos de colesterol (p = 0,071). A carne de coelhos alimentados com dietas TGS apresentou níveis mais elevados de ácido linoleico, γ-linoleico, Σ-6, ΣPUFA e relação ΣPUFA/ΣSFA em comparação com coelhos alimentados com a dieta C. Os resultados indicaram que o engaço de uva (UGS e TGS) pode ser efetivamente utilizado como matéria-prima alternativa na dieta de coelhos sem comprometer a performance animal. Através dos resultados após a introdução de engaço de uva em coelhos observou-se que pode estimular alguma atividade prebiótica com benefícios para a saúde animal. Na nutrição animal é crescente o interesse dos investigadores para o aumento da capacidade de resistência a doenças e aumento de imunidade, de forma a potencializar a redução do uso de antibióticos ou outros medicamentos. Como o engaço de uva nunca foi incorporado em dietas de peixes, é necessário avaliar a capacidade digestiva desta nova matérias-primas antes de realizar um estudo de crescimento e imunidade. O trabalho final teve como objetivo investigar os coeficientes de digestibilidade aparente da incorporação de UGS e TGS em Tilápia do Nilo. Os dados indicam que é mais rentável incorporar UGS e estudos in vivo para avaliação da imunidade são necessários para entender se a incorporação de GS promoverá atividades prebióticas em animais devido à presença de biocompostos.