Publicação

Potencial de comportamento do fogo em manchas de pinhal bravo remanescentes de incêndio

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As manchas de pinhal bravo (Pinus pinaster) remanescentes de incêndios florestais são ecologicamente importantes e poderão dar orientações úteis no âmbito da mitigação do risco de incêndio, já que as suas características estruturais e de acumulação de combustível poderão ser extrapoladas para povoamentos de produção ou faixas de gestão de combustível e adotadas como recomendações de silvicultura preventiva. Neste trabalho estudaram-se 50 manchas remanescentes de pinhal distribuídas por três zonas nas serras do Alvão, Marão e Montemuro. Simulou-se o comportamento potencial de fogo para cada uma das manchas utilizando dois programas de simulação, respetivamente BehavePlus 5 e CFIS, e com as equações de transição para fogo de copas e de altura de copa dessecada de Van Wagner. Os dados das simulações foram analisados estatisticamente para se quantificar os efeitos das variáveis envolvidas no comportamento do fogo e de que forma aquelas determinam o tipo de fogo e o seu efeito no povoamento. O modelo de combustível mais frequente nestas manchas é o V-MH com 44% do total de parcelas. É também aquele com menor carga de combustível e que origina fogos de menor intensidade. Globalmente, de todas as simulações realizadas o fogo de superfície predominou largamente, representando 85% das observações. O cenário mais grave, fogo ativo de copas, representou apenas 9% das observações, mostrando que estas manchas têm uma resistência estrutural natural ao fogo. Concluiu-se que a direção do vento combinada com a direção de propagação do fogo é a variável que mais influência tem no tipo de fogo e nos danos provocados no povoamento. A variável do povoamento mais significativa foi a altura da base da copa viva, seguida do modelo de combustível (com os modelos de menor carga de combustível a favorecer a sobrevivência das árvores). Na análise CART do tipo de fogo a área basal e o número de árvores por hectare foram identificadas como variáveis importantes pela sua ligação à densidade foliar da copa. O efeito dominante da interação entre o vento e a topografia pode portanto ser mitigado pela silvicultura preventiva, a qual deve ser feita forma integrada com intervenções em todas as variáveis que condicionam a severidade do fogo, pois em condições mais extremas a intervenção num só estrato do povoamento pode não ser suficiente. As intervenções devem assim considerar a redução da carga dos combustíveis de superfície, com desramas e desbastes para aumentar a distância ao solo e diminuir a densidade de copas, e incluir o posicionamento adequado das infraestruturas de apoio ao combate como as faixas de gestão de combustível.
Autores principais:Silva, João Henrique Cruz Loureiro da
Assunto:Pinus pinaster Silvicultura (preventiva) Simulação do comportamento do fogo Floresta remanescente
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:As manchas de pinhal bravo (Pinus pinaster) remanescentes de incêndios florestais são ecologicamente importantes e poderão dar orientações úteis no âmbito da mitigação do risco de incêndio, já que as suas características estruturais e de acumulação de combustível poderão ser extrapoladas para povoamentos de produção ou faixas de gestão de combustível e adotadas como recomendações de silvicultura preventiva. Neste trabalho estudaram-se 50 manchas remanescentes de pinhal distribuídas por três zonas nas serras do Alvão, Marão e Montemuro. Simulou-se o comportamento potencial de fogo para cada uma das manchas utilizando dois programas de simulação, respetivamente BehavePlus 5 e CFIS, e com as equações de transição para fogo de copas e de altura de copa dessecada de Van Wagner. Os dados das simulações foram analisados estatisticamente para se quantificar os efeitos das variáveis envolvidas no comportamento do fogo e de que forma aquelas determinam o tipo de fogo e o seu efeito no povoamento. O modelo de combustível mais frequente nestas manchas é o V-MH com 44% do total de parcelas. É também aquele com menor carga de combustível e que origina fogos de menor intensidade. Globalmente, de todas as simulações realizadas o fogo de superfície predominou largamente, representando 85% das observações. O cenário mais grave, fogo ativo de copas, representou apenas 9% das observações, mostrando que estas manchas têm uma resistência estrutural natural ao fogo. Concluiu-se que a direção do vento combinada com a direção de propagação do fogo é a variável que mais influência tem no tipo de fogo e nos danos provocados no povoamento. A variável do povoamento mais significativa foi a altura da base da copa viva, seguida do modelo de combustível (com os modelos de menor carga de combustível a favorecer a sobrevivência das árvores). Na análise CART do tipo de fogo a área basal e o número de árvores por hectare foram identificadas como variáveis importantes pela sua ligação à densidade foliar da copa. O efeito dominante da interação entre o vento e a topografia pode portanto ser mitigado pela silvicultura preventiva, a qual deve ser feita forma integrada com intervenções em todas as variáveis que condicionam a severidade do fogo, pois em condições mais extremas a intervenção num só estrato do povoamento pode não ser suficiente. As intervenções devem assim considerar a redução da carga dos combustíveis de superfície, com desramas e desbastes para aumentar a distância ao solo e diminuir a densidade de copas, e incluir o posicionamento adequado das infraestruturas de apoio ao combate como as faixas de gestão de combustível.