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Qualidade da ligação aos pares em adolescentes: auto-estima e coping em institucionalização e famílias tradicionais

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Resumo:A institucionalização constitui um tema que tem vindo a ser pouco abordado em Portugal no que concerne à qualidade das relações estabelecidas pelos adolescentes. O confronto com uma nova casa onde não escolheram estar traduz em muitos casos um sentimento de abandono e rejeição que recria situações de risco e vulnerabilidade nos jovens. O papel das figuras significativas, como os pares, que acompanham o percurso dos jovens, tem vindo a ser descrito na literatura enquanto facilitador do seu processo adaptativo. O objectivo do presente estudo prende-se com a análise da qualidade dos laços afectivos aos pares e o seu efeito preditor no desenvolvimento do coping e auto-estima dos jovens. Pretende-se ainda testar o papel moderador da configuração familiar (institucionalização e famílias tradicionais) e do género na associação entre a ligação aos pares e a auto-estima e coping. A amostra é composta por 311 adolescentes, 145 institucionalizados e 166 de famílias tradicionais, entre os 14 e os 18 anos, de ambos os géneros. Os auto-relatos foram recolhidos através do Rosenberg Self-esteem Scale (Rosenberg, 1965), o Inventory of Peer and Parental Attachment (Armsden & Greenberg, 1987) e o COPE Inventory (Carver, Weintraub & Scheider, 1989). Os resultados foram discutidos à luz da teoria da vinculação e o significado da vivência institucional, onde o desenvolvimento de ligações seguras com figuras significativas parece facilitar o desenvolvimento do processo resiliente nos jovens. Neste sentido, a autoestima ressalta-se enquanto preditora de estratégias de coping adaptativas. Para além disso, observamos que a comunicação e confiança com os pares, prediz resultados de coping adaptativos perante as dificuldades. Foi igualmente conclusivo que o efeito da qualidade da ligação aos pares na auto-estima e nas estratégias de coping, não é afectado pelo género dos jovens. Por outro lado, na presente amostra os resultados enfatizam a ideia de que a configuração familiar parece não estar directamente associada com indicadores de bem-estar dos adolescentes, especificamente a auto-estima. Por sua vez, a configuração familiar dos adolescentes, revelou diferenças significativas nas dimensões de coping activo e negação. Verificando-se que um elevado índice de segurança nos jovens institucionalizados tem menor negação e maior uso de coping activo, em comparação com os jovens provenientes de famílias tradicionais. Por último, a auto-estima parece não exercer um efeito moderador entre a qualidade da vinculação aos pares e o desenvolvimento do coping. Sublinha-se a necessidade de entender a instituição como parte da rede de apoio social e afectivo dos adolescentes, capaz de promover um espaço para o desenvolvimento saudável dos mesmos, nomeadamente, ao nível da adaptação psicossocial e da construção de representações mais favoráveis acerca de si.
Autores principais:Costa, Mónica Raquel Saraiva da
Assunto:Adolescentes Comportamento de vinculação Autoestima Institucionalização Famílias tradicionais Coping
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:A institucionalização constitui um tema que tem vindo a ser pouco abordado em Portugal no que concerne à qualidade das relações estabelecidas pelos adolescentes. O confronto com uma nova casa onde não escolheram estar traduz em muitos casos um sentimento de abandono e rejeição que recria situações de risco e vulnerabilidade nos jovens. O papel das figuras significativas, como os pares, que acompanham o percurso dos jovens, tem vindo a ser descrito na literatura enquanto facilitador do seu processo adaptativo. O objectivo do presente estudo prende-se com a análise da qualidade dos laços afectivos aos pares e o seu efeito preditor no desenvolvimento do coping e auto-estima dos jovens. Pretende-se ainda testar o papel moderador da configuração familiar (institucionalização e famílias tradicionais) e do género na associação entre a ligação aos pares e a auto-estima e coping. A amostra é composta por 311 adolescentes, 145 institucionalizados e 166 de famílias tradicionais, entre os 14 e os 18 anos, de ambos os géneros. Os auto-relatos foram recolhidos através do Rosenberg Self-esteem Scale (Rosenberg, 1965), o Inventory of Peer and Parental Attachment (Armsden & Greenberg, 1987) e o COPE Inventory (Carver, Weintraub & Scheider, 1989). Os resultados foram discutidos à luz da teoria da vinculação e o significado da vivência institucional, onde o desenvolvimento de ligações seguras com figuras significativas parece facilitar o desenvolvimento do processo resiliente nos jovens. Neste sentido, a autoestima ressalta-se enquanto preditora de estratégias de coping adaptativas. Para além disso, observamos que a comunicação e confiança com os pares, prediz resultados de coping adaptativos perante as dificuldades. Foi igualmente conclusivo que o efeito da qualidade da ligação aos pares na auto-estima e nas estratégias de coping, não é afectado pelo género dos jovens. Por outro lado, na presente amostra os resultados enfatizam a ideia de que a configuração familiar parece não estar directamente associada com indicadores de bem-estar dos adolescentes, especificamente a auto-estima. Por sua vez, a configuração familiar dos adolescentes, revelou diferenças significativas nas dimensões de coping activo e negação. Verificando-se que um elevado índice de segurança nos jovens institucionalizados tem menor negação e maior uso de coping activo, em comparação com os jovens provenientes de famílias tradicionais. Por último, a auto-estima parece não exercer um efeito moderador entre a qualidade da vinculação aos pares e o desenvolvimento do coping. Sublinha-se a necessidade de entender a instituição como parte da rede de apoio social e afectivo dos adolescentes, capaz de promover um espaço para o desenvolvimento saudável dos mesmos, nomeadamente, ao nível da adaptação psicossocial e da construção de representações mais favoráveis acerca de si.