Publicação
Biossegurança em cuniculturas e sua relação com a ocorrência de patologias do foro digestivo compatíveis com etiologia infeciosa
| Resumo: | O setor da cunicultura, em Portugal, tem-se afirmado no panorama da produção animal, principalmente a partir do século XXI. Este crescimento e desenvolvimento foram possíveis, em parte, devido ao acompanhamento das inovações que foram ocorrendo nos outros países da União Europeia, nomeadamente a modernização das instalações e dos equipamentos e a adoção de novas práticas de maneio. Todavia, a atualização e adoção de planos de biossegurança cada vez mais completos e adaptados às diferentes explorações tem contribuído significativamente para a redução da taxa de mortalidade do efetivo, para o aumento do estatuto sanitário e condições de bem-estar das cuniculturas e para uma maior rentabilidade das mesmas. Durante o período de setembro de 2020 a maio de 2021 e acompanhado pelo Dr. José Manuel Monteiro, foi-me permitido observar de perto o funcionamento de várias explorações de coelhos. Para fins académicos, foram realizados inquéritos sobre biossegurança e analisados relatórios dos diagnósticos anatomopatológicos. Este trabalho teve como principal objetivo avaliar as condições de biossegurança das explorações visitadas e a sua relação com a ocorrência de patologias do foro digestivo compatíveis com etiologia infeciosa. Nas explorações abordadas, a média de ocorrência de enterotoxemia foi a mais elevada (28,8%), com um desvio-padrão de 22,2%, seguida da média de ocorrência de colibacilose (23,9%), com um desvio-padrão de 26,2%, e de enterocolite epizoótica (22,9%), cujo desvio-padrão é de 19,6%. Com médias de ocorrência inferiores, surgem a enterotiflite (13,2%), desvio-padrão de 13,9%, e a disbiose (12,8%), desvio-padrão de 20,9%. Neste estudo destaca-se a associação entre as explorações terem ventilação controlada (p=0,034), assim como terem pedilúvios entre zona suja e limpa (p=0,020), e apresentarem valores de colibacilose inferior à média. Evidencia-se a associação entre as explorações terem medidas específicas de higiene ao contactar com animais em quarentena (p=0,036), tal como explorações em que usavam calçado da exploração (p=0,009), e apresentaram valores de ocorrência de enterocolite epizoótica inferior à média. Realça-se, também, a associação entre as explorações em que havia divisão no balneário entre zona suja e zona limpa (p=0,002), assim como racionamento alimentar (p=0,017), e apresentaram valores de enterotoxemia inferiores à média. Os resultados obtidos sugerem que se deve investir na biossegurança, com vista a obter melhores parâmetros produtivos e económicos e não comprometer a saúde pública e a saúde dos animais. |
|---|---|
| Autores principais: | Morais, Daniel Gonçalves |
| Assunto: | Biossegurança cunicultura |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | O setor da cunicultura, em Portugal, tem-se afirmado no panorama da produção animal, principalmente a partir do século XXI. Este crescimento e desenvolvimento foram possíveis, em parte, devido ao acompanhamento das inovações que foram ocorrendo nos outros países da União Europeia, nomeadamente a modernização das instalações e dos equipamentos e a adoção de novas práticas de maneio. Todavia, a atualização e adoção de planos de biossegurança cada vez mais completos e adaptados às diferentes explorações tem contribuído significativamente para a redução da taxa de mortalidade do efetivo, para o aumento do estatuto sanitário e condições de bem-estar das cuniculturas e para uma maior rentabilidade das mesmas. Durante o período de setembro de 2020 a maio de 2021 e acompanhado pelo Dr. José Manuel Monteiro, foi-me permitido observar de perto o funcionamento de várias explorações de coelhos. Para fins académicos, foram realizados inquéritos sobre biossegurança e analisados relatórios dos diagnósticos anatomopatológicos. Este trabalho teve como principal objetivo avaliar as condições de biossegurança das explorações visitadas e a sua relação com a ocorrência de patologias do foro digestivo compatíveis com etiologia infeciosa. Nas explorações abordadas, a média de ocorrência de enterotoxemia foi a mais elevada (28,8%), com um desvio-padrão de 22,2%, seguida da média de ocorrência de colibacilose (23,9%), com um desvio-padrão de 26,2%, e de enterocolite epizoótica (22,9%), cujo desvio-padrão é de 19,6%. Com médias de ocorrência inferiores, surgem a enterotiflite (13,2%), desvio-padrão de 13,9%, e a disbiose (12,8%), desvio-padrão de 20,9%. Neste estudo destaca-se a associação entre as explorações terem ventilação controlada (p=0,034), assim como terem pedilúvios entre zona suja e limpa (p=0,020), e apresentarem valores de colibacilose inferior à média. Evidencia-se a associação entre as explorações terem medidas específicas de higiene ao contactar com animais em quarentena (p=0,036), tal como explorações em que usavam calçado da exploração (p=0,009), e apresentaram valores de ocorrência de enterocolite epizoótica inferior à média. Realça-se, também, a associação entre as explorações em que havia divisão no balneário entre zona suja e zona limpa (p=0,002), assim como racionamento alimentar (p=0,017), e apresentaram valores de enterotoxemia inferiores à média. Os resultados obtidos sugerem que se deve investir na biossegurança, com vista a obter melhores parâmetros produtivos e económicos e não comprometer a saúde pública e a saúde dos animais. |
|---|