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Estudo retrospetivo de lesões esplénicas em cães e a sua relação com índices e rácios sanguíneos periféricos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Existe um grande espetro de lesões esplénicas, que engloba lesões benignas a lesões altamente agressivas associadas a curtos tempos de sobrevida. Apesar da sua elevada frequência na prática clínica, estas lesões nem sempre são diagnosticadas e tratadas adequadamente. Na literatura de medicina humana existem vários estudos que avaliam a relação entre os valores obtidos através da contagem diferencial dos componentes celulares sanguíneos, bem como os rácios neutrófilo-linfócito (NLR), neutrófilo-eritrócito (NRR) e plaqueta-linfócito (PLR) com o prognóstico de diversas neoplasias. No entanto, em medicina veterinária, e particularmente no que diz respeito às lesões esplénicas, a informação neste domínio ainda é escassa. Neste sentido, foi realizado um estudo retrospetivo em 154 cães submetidos a esplenectomia entre 2018-2022. Foram incluídos animais que apresentassem diagnóstico histopatológico da lesão esplénica bem como, realização de hemograma pré-cirúrgico com um analisador automático de hematologia BC 5000 VET da Mindray®. Foram excluídos os animais que apresentavam neoplasias com localização extra esplénica, com registos incompletos ou sem seguimento clínico. As lesões foram agrupadas quanto à sua natureza: não neoplásica ou neoplásica benigna versus neoplásica maligna. No grupo designado por ”lesões esplénicas não neoplásicas ou neoplásicas benignas” (n=67), foram incluídas todas as lesões esplénicas nãoneoplásicas e neoplásicas benignas. No grupo designado por “lesões esplénicas neoplásicas malignas” (n=87) foram incluídas todas as neoplasias malignas como o hemangiossarcoma, o linfoma e sarcomas esplénicos. Os dados foram sujeitos a analise estatística no software SPSS Statistics 26. Foi ainda realizada análise de sobrevida total com recurso a curvas de Kaplan-Meier e análise regressiva de Cox. Os resultados obtidos revelaram que valores mais elevados de eritrócitos (5,67±1,71 vs 4,85±1,5), hematócrito (37,22±12,27 vs 32,16±9,76), hemoglobina (129,46±35,98 vs 109,9±33,81), plaquetas (273,37±230,24 vs 176,9±135,3) e do rácio plaqueta-linfócito (226,12±190,29 vs 198,7±278,3) estão positivamente correlacionados com o diagnóstico de uma lesão esplénica não-neoplásica ou de uma neoplasia benigna (p<0,05). Além disso, verificou-se que valores elevados de neutrófilos (14,91±9,71 vs 12,6±9,56) e do rácio neutrófilo-eritrócito (3,7±2,59 vs 2,65±3,65) estão positivamente correlacionados com o diagnóstico histopatológico de hemangiossarcoma esplénico (p<0,05). Os resultados sugerem ainda que valores elevados do NRR estão associados a menores tempos de sobrevivência (p=0,012) e maior risco de recidiva (p=0,002) em animais diagnosticados com hemangiossarcoma esplénico (HSA), ao contrário do PLR, em que valores mais elevados estão associados a um menor risco de morte (p=0,033) e recidiva (p=0,015). O tempo mediano até à recidiva foi de 101 dias e o tempo mediano até à morte foi de 125 dias. Que seja do nosso conhecimento, não existem estudos similares realizados no cão. Os resultados obtidos podem orientar o clínico para um diagnóstico mais rápido das lesões esplénicas, no entanto, são necessários estudos futuros prospetivos para confirmar estes resultados.
Autores principais:Marques, Ana Margarida da Silva
Assunto:Lesão esplénica esplenectomia
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Existe um grande espetro de lesões esplénicas, que engloba lesões benignas a lesões altamente agressivas associadas a curtos tempos de sobrevida. Apesar da sua elevada frequência na prática clínica, estas lesões nem sempre são diagnosticadas e tratadas adequadamente. Na literatura de medicina humana existem vários estudos que avaliam a relação entre os valores obtidos através da contagem diferencial dos componentes celulares sanguíneos, bem como os rácios neutrófilo-linfócito (NLR), neutrófilo-eritrócito (NRR) e plaqueta-linfócito (PLR) com o prognóstico de diversas neoplasias. No entanto, em medicina veterinária, e particularmente no que diz respeito às lesões esplénicas, a informação neste domínio ainda é escassa. Neste sentido, foi realizado um estudo retrospetivo em 154 cães submetidos a esplenectomia entre 2018-2022. Foram incluídos animais que apresentassem diagnóstico histopatológico da lesão esplénica bem como, realização de hemograma pré-cirúrgico com um analisador automático de hematologia BC 5000 VET da Mindray®. Foram excluídos os animais que apresentavam neoplasias com localização extra esplénica, com registos incompletos ou sem seguimento clínico. As lesões foram agrupadas quanto à sua natureza: não neoplásica ou neoplásica benigna versus neoplásica maligna. No grupo designado por ”lesões esplénicas não neoplásicas ou neoplásicas benignas” (n=67), foram incluídas todas as lesões esplénicas nãoneoplásicas e neoplásicas benignas. No grupo designado por “lesões esplénicas neoplásicas malignas” (n=87) foram incluídas todas as neoplasias malignas como o hemangiossarcoma, o linfoma e sarcomas esplénicos. Os dados foram sujeitos a analise estatística no software SPSS Statistics 26. Foi ainda realizada análise de sobrevida total com recurso a curvas de Kaplan-Meier e análise regressiva de Cox. Os resultados obtidos revelaram que valores mais elevados de eritrócitos (5,67±1,71 vs 4,85±1,5), hematócrito (37,22±12,27 vs 32,16±9,76), hemoglobina (129,46±35,98 vs 109,9±33,81), plaquetas (273,37±230,24 vs 176,9±135,3) e do rácio plaqueta-linfócito (226,12±190,29 vs 198,7±278,3) estão positivamente correlacionados com o diagnóstico de uma lesão esplénica não-neoplásica ou de uma neoplasia benigna (p<0,05). Além disso, verificou-se que valores elevados de neutrófilos (14,91±9,71 vs 12,6±9,56) e do rácio neutrófilo-eritrócito (3,7±2,59 vs 2,65±3,65) estão positivamente correlacionados com o diagnóstico histopatológico de hemangiossarcoma esplénico (p<0,05). Os resultados sugerem ainda que valores elevados do NRR estão associados a menores tempos de sobrevivência (p=0,012) e maior risco de recidiva (p=0,002) em animais diagnosticados com hemangiossarcoma esplénico (HSA), ao contrário do PLR, em que valores mais elevados estão associados a um menor risco de morte (p=0,033) e recidiva (p=0,015). O tempo mediano até à recidiva foi de 101 dias e o tempo mediano até à morte foi de 125 dias. Que seja do nosso conhecimento, não existem estudos similares realizados no cão. Os resultados obtidos podem orientar o clínico para um diagnóstico mais rápido das lesões esplénicas, no entanto, são necessários estudos futuros prospetivos para confirmar estes resultados.