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Efeito do chá verde no modelo cancro da bexiga em murganho

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cancro da bexiga é uma das neoplasias mais comuns do sistema urinário e está associado a uma elevada mortalidade e morbilidade. Os componentes alimentares com capacidade de retardar o envelhecimento celular e inibir o crescimento das células cancerosas, sem afectar o normal crescimento celular, têm adquirido especial atenção no âmbito das novas abordagens preventivas. O chá verde é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo. Devido às suas propriedades bioquímicas e farmacológicas e possível associação com a diminuição da incidência de cancro, este produto tem vindo a ser estudado em modelos in vivo e in vitro. Este trabalho teve como objectivo avaliar o efeito do chá verde nas lesões uroteliais induzidas quimicamente pela administração oral da N-butil-N-(-4-hidroxibutil)nitrosamina (BBN) em murganhos, machos e fêmeas. Foram adquiridos 21 murganhos machos e 20 fêmeas à empresa Harlan (Interfauna, Barcelona). Os animais foram divididos em seis grupos, Grupo: BBN+Chá verde (Grupo I e IV), Grupo: BBN (II e V) e Grupo: Chá verde (III e VI), separados por sexo. A BBN foi administrada por gavage durante 10 semanas. O chá verde foi preparado e disponibilizado diariamente numa concentração de 0,5%. Após 20 semanas os animais foram eutanasiados por overdose de pentobarbital sódico a 10% e foram recolhidas amostras da bexiga, do fígado, do baço, dos pulmões, dos rins e do coração para análise histopatológica. Também foram colhidas amostras de sangue por punção intracardíaca para avaliar possíveis alterações em alguns parâmetros bioquímicos. Com o intuito de avaliar o perfil químico do chá verde, recorreu-se à avaliação dos fenóis totais, flavonóides, capacidade antioxidante e recorreu-se ainda ao método HPLC com o intuito de caracterizar este produto quanto aos seus constituintes. Para além do chá disponibilizado aos animais foram avaliados mais 3 chá verdes com diferentes origens. Foram identificadas lesões pré-neoplásicas, hiperplasia simples, displasia, papiloma e metaplasia epidermóide com e sem queratinização. Nos urotélios dos animais machos observou-se uma maior incidência de lesões comparativamente aos animais do sexo feminino. Em ambos os sexos, os grupos tratados a chá verde (grupo III e VI) não apresentaram alterações histológicas do urotélio. Nas análises bioquímicas os valores demonstraram que o chá poderá ter efeito negativo sobre a função hepática, no entanto deve ser realizado outro estudo em que se utilize controlos de ambos os sexos. No que diz respeito à caracterização deste composto observou-se a sua riqueza em diversos compostos fenólicos (Catequinas, Kampferol, Quercetinas, Ácido gálico e Ácido isoclorogénico), e ainda na metilxantina mais conhecida a Cafeina. Verificou-se também a sua elevada capacidade antioxidante com valores que variaram entre 0,9 mg Trolox/g de infusão e os 3,80 mg de Trolox/g de infusão. Os chás apresentaram teores diferentes. No nosso trabalho apenas verificamos um efeito inibitório do chá verde no desenvolvimento das lesões pré-neoplásicas nas fêmeas, no entanto ainda existe pouco conhecimento acerca da sua farmacocinética, farmacodinâmica e aplicabilidade. É necessário efectuar mais estudos com o intuito de uma possível aplicação deste produto, como quimiopreventivo, no homem.
Autores principais:Henriques, Andreia Monteiro Almeida da Videira
Assunto:Cancro da bexiga Roedores Chá verde Quimioprevenção Murganho Tempos de infusão Condições edafoclimatéricas
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O cancro da bexiga é uma das neoplasias mais comuns do sistema urinário e está associado a uma elevada mortalidade e morbilidade. Os componentes alimentares com capacidade de retardar o envelhecimento celular e inibir o crescimento das células cancerosas, sem afectar o normal crescimento celular, têm adquirido especial atenção no âmbito das novas abordagens preventivas. O chá verde é uma das bebidas mais consumidas em todo o mundo. Devido às suas propriedades bioquímicas e farmacológicas e possível associação com a diminuição da incidência de cancro, este produto tem vindo a ser estudado em modelos in vivo e in vitro. Este trabalho teve como objectivo avaliar o efeito do chá verde nas lesões uroteliais induzidas quimicamente pela administração oral da N-butil-N-(-4-hidroxibutil)nitrosamina (BBN) em murganhos, machos e fêmeas. Foram adquiridos 21 murganhos machos e 20 fêmeas à empresa Harlan (Interfauna, Barcelona). Os animais foram divididos em seis grupos, Grupo: BBN+Chá verde (Grupo I e IV), Grupo: BBN (II e V) e Grupo: Chá verde (III e VI), separados por sexo. A BBN foi administrada por gavage durante 10 semanas. O chá verde foi preparado e disponibilizado diariamente numa concentração de 0,5%. Após 20 semanas os animais foram eutanasiados por overdose de pentobarbital sódico a 10% e foram recolhidas amostras da bexiga, do fígado, do baço, dos pulmões, dos rins e do coração para análise histopatológica. Também foram colhidas amostras de sangue por punção intracardíaca para avaliar possíveis alterações em alguns parâmetros bioquímicos. Com o intuito de avaliar o perfil químico do chá verde, recorreu-se à avaliação dos fenóis totais, flavonóides, capacidade antioxidante e recorreu-se ainda ao método HPLC com o intuito de caracterizar este produto quanto aos seus constituintes. Para além do chá disponibilizado aos animais foram avaliados mais 3 chá verdes com diferentes origens. Foram identificadas lesões pré-neoplásicas, hiperplasia simples, displasia, papiloma e metaplasia epidermóide com e sem queratinização. Nos urotélios dos animais machos observou-se uma maior incidência de lesões comparativamente aos animais do sexo feminino. Em ambos os sexos, os grupos tratados a chá verde (grupo III e VI) não apresentaram alterações histológicas do urotélio. Nas análises bioquímicas os valores demonstraram que o chá poderá ter efeito negativo sobre a função hepática, no entanto deve ser realizado outro estudo em que se utilize controlos de ambos os sexos. No que diz respeito à caracterização deste composto observou-se a sua riqueza em diversos compostos fenólicos (Catequinas, Kampferol, Quercetinas, Ácido gálico e Ácido isoclorogénico), e ainda na metilxantina mais conhecida a Cafeina. Verificou-se também a sua elevada capacidade antioxidante com valores que variaram entre 0,9 mg Trolox/g de infusão e os 3,80 mg de Trolox/g de infusão. Os chás apresentaram teores diferentes. No nosso trabalho apenas verificamos um efeito inibitório do chá verde no desenvolvimento das lesões pré-neoplásicas nas fêmeas, no entanto ainda existe pouco conhecimento acerca da sua farmacocinética, farmacodinâmica e aplicabilidade. É necessário efectuar mais estudos com o intuito de uma possível aplicação deste produto, como quimiopreventivo, no homem.