Publicação
Leishmaniose canina: estudo de casos na Cova da Beira
| Resumo: | As doenças caninas transmitidas por vetores (CVBD) constituem um problema mundial emergente, devido à sua frequência, morbilidade e mortalidade. A leishmaniose é uma doença zoonótica cujos agentes são transmitidos maioritariamente por insetos flebotomíneos, sendo o cão o reservatório principal do parasita Leishmania infantum. A leishmaniose canina (LCan) é uma doença parasitária de grande importância na bacia Mediterrânea e, em Portugal, a sub-região da Cova da Beira é conhecida pela elevada seroprevalência. Nesta área geográfica, na Clínica Veterinária da Covilhã (CVC), foi desenvolvido o presente estudo com o objetivo de caraterizar a população com LCan no momento do diagnóstico, em termos de género, idade, raça, estilo de vida, sinais clínicos, análises sanguíneas, meio de diagnóstico, mês do diagnóstico e tratamento instituído. Dos 28 animais com LCan estudados, existe uma maior predominância de animais do sexo masculino e a maioria foi diagnosticada entre os 4 e os 9 anos. Os cães sem raça definida encontravam-se em menor número comparativamente aos cães de raça. Estiveram presentes animais de 12 raças diferentes, sendo os mais frequentes animais de grande porte. Em metade dos casos foi possível determinar que passavam a maior parte do tempo no exterior. Esta doença sistémica crónica foi caraterizada por um pleomorfismo de sinais clínicos e as manifestações clínicas predominantemente apresentadas foram as alterações dermatológicas. Outros sinais clínicos inespecíficos como perda de peso, linfadenomegalia, epistaxe, sinais oculares, gastrointestinais e articulares também foram reportados. Relativamente ao hemograma, a maioria apresentava anemia normocítica normocrómica. As principais alterações bioquímicas foram o aumento dos níveis séricos de ureia e de creatinina e a hiperproteinemia. O diagnóstico foi obtido na maioria das vezes pela combinação das técnicas serológicas qualitativa e quantitativa. O tratamento de eleição consistiu na combinação antimoniato de meglumina e alopurinol. Os resultados obtidos permitem concluir que, numa zona endémica, a LCan é um diagnóstico diferencial importante a ter em conta, pois qualquer canídeo pode ser afetado e os sinais clínicos e achados clinicopatológicos são variados. |
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| Autores principais: | Dias, Ana Vitória Cassapo |
| Assunto: | Cão Leishmaniose Cova da Beira (Distrito de Castelo Branco, Portugal) Doenças endémicas Diagnóstico diferencial Zoonoses |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | As doenças caninas transmitidas por vetores (CVBD) constituem um problema mundial emergente, devido à sua frequência, morbilidade e mortalidade. A leishmaniose é uma doença zoonótica cujos agentes são transmitidos maioritariamente por insetos flebotomíneos, sendo o cão o reservatório principal do parasita Leishmania infantum. A leishmaniose canina (LCan) é uma doença parasitária de grande importância na bacia Mediterrânea e, em Portugal, a sub-região da Cova da Beira é conhecida pela elevada seroprevalência. Nesta área geográfica, na Clínica Veterinária da Covilhã (CVC), foi desenvolvido o presente estudo com o objetivo de caraterizar a população com LCan no momento do diagnóstico, em termos de género, idade, raça, estilo de vida, sinais clínicos, análises sanguíneas, meio de diagnóstico, mês do diagnóstico e tratamento instituído. Dos 28 animais com LCan estudados, existe uma maior predominância de animais do sexo masculino e a maioria foi diagnosticada entre os 4 e os 9 anos. Os cães sem raça definida encontravam-se em menor número comparativamente aos cães de raça. Estiveram presentes animais de 12 raças diferentes, sendo os mais frequentes animais de grande porte. Em metade dos casos foi possível determinar que passavam a maior parte do tempo no exterior. Esta doença sistémica crónica foi caraterizada por um pleomorfismo de sinais clínicos e as manifestações clínicas predominantemente apresentadas foram as alterações dermatológicas. Outros sinais clínicos inespecíficos como perda de peso, linfadenomegalia, epistaxe, sinais oculares, gastrointestinais e articulares também foram reportados. Relativamente ao hemograma, a maioria apresentava anemia normocítica normocrómica. As principais alterações bioquímicas foram o aumento dos níveis séricos de ureia e de creatinina e a hiperproteinemia. O diagnóstico foi obtido na maioria das vezes pela combinação das técnicas serológicas qualitativa e quantitativa. O tratamento de eleição consistiu na combinação antimoniato de meglumina e alopurinol. Os resultados obtidos permitem concluir que, numa zona endémica, a LCan é um diagnóstico diferencial importante a ter em conta, pois qualquer canídeo pode ser afetado e os sinais clínicos e achados clinicopatológicos são variados. |
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