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Valorização nutricional de subprodutos da produção vinícola com fungos de podridão branca para a alimentação animal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da aplicação de fungos de podridão branca sobre o valor nutritivo do engaço de uva. Foram utilizados 3 fungos: Lentinula edodes, Pleurotus eryngii e Pleurotus citrinopileatus, para colonizar 50g de engaço com cerca de 2g de inóculo fúngico durante 42 dias em estufas com temperatura e humidade controladas. Posteriormente, foram analisados diversos parâmetros de composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) do engaço tratado. Verificou-se um efeito significativo (P<0,001) do tratamento com fungos de podridão branca na composição química e na DIVMO do engaço de uva. De facto, ocorreu uma diminuição média de 2,1% do teor em matéria orgânica (MO) nos tratamentos, comparativamente ao controlo, sendo que a maior diminuição (3%) verificou-se no tratamento do engaço de uva com P. citrinopileatus. Observou-se um aumento médio do teor em proteína bruta (PB) de 55,4% comparativamente ao controlo, sendo que o aumento mais acentuado foi apresentado pelo tratamento com P. citrinopileatus (cerca de 74%). O tratamento com L. edodes permitiu uma maior degradação dos constituintes da parede celular no engaço de uva, sendo a diminuição dos constituintes da fibra de detergente neutro (NDF), fibra do detergente ácido (ADF) e lenhina da ordem dos 8,8%, 14,8% e 34%, respetivamente. Também o tratamento com L. edodes no engaço foi o que proporcionou maior aumento da DIVMO, em cerca de 50% comparativamente ao controlo. O período de incubação também afetou significativamente (P<0,05) o valor nutritivo do engaço de uva. No que se refere ao teor em PB, verificou-se aumento médio de 24% nos períodos de incubação, comparativamente ao dia 0, sendo que o aumento mais acentuado foi obtido aos 42 dias (28,2%). Para o teor em lenhina do engaço, a redução mais acentuada (13,3%) também se observou aos 42 dias de incubação. Ao analisar individualmente o efeito que cada fungo ao longo do período de incubação teve ao nível da DIVMO, nota-se que o melhor tratamento foi o L. edodes aos 42 dias de incubação, com um aumento de cerca de 95%. Os resultados deste estudo indicam o potencial de utilização dos fungos de podridão branca no tratamento e valorização nutricional do engaço de uva. No entanto, cremos ser plausível a possibilidade de otimizar o processo de fermentação sólida de modo a que os valores de digestibilidade possam ser melhorados. Neste sentido, estudos futuros deverão incidir sobre o aumento da eficiência de deslenhificação por parte das estirpes selecionadas procurando avaliar quais as condições de crescimento que favorecem a atuação das enzimas lenhinolíticas. Paralelemente, estudos adicionais in vivo no sentido de avaliar a incorporação desta matéria-prima na alimentação animal deverão também ser equacionados.
Autores principais:Anunciação, Mariana de Sousa
Assunto:Engaço de uva fungos de podridão branca valorização nutricional alimentação animal
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da aplicação de fungos de podridão branca sobre o valor nutritivo do engaço de uva. Foram utilizados 3 fungos: Lentinula edodes, Pleurotus eryngii e Pleurotus citrinopileatus, para colonizar 50g de engaço com cerca de 2g de inóculo fúngico durante 42 dias em estufas com temperatura e humidade controladas. Posteriormente, foram analisados diversos parâmetros de composição química e digestibilidade in vitro da matéria orgânica (DIVMO) do engaço tratado. Verificou-se um efeito significativo (P<0,001) do tratamento com fungos de podridão branca na composição química e na DIVMO do engaço de uva. De facto, ocorreu uma diminuição média de 2,1% do teor em matéria orgânica (MO) nos tratamentos, comparativamente ao controlo, sendo que a maior diminuição (3%) verificou-se no tratamento do engaço de uva com P. citrinopileatus. Observou-se um aumento médio do teor em proteína bruta (PB) de 55,4% comparativamente ao controlo, sendo que o aumento mais acentuado foi apresentado pelo tratamento com P. citrinopileatus (cerca de 74%). O tratamento com L. edodes permitiu uma maior degradação dos constituintes da parede celular no engaço de uva, sendo a diminuição dos constituintes da fibra de detergente neutro (NDF), fibra do detergente ácido (ADF) e lenhina da ordem dos 8,8%, 14,8% e 34%, respetivamente. Também o tratamento com L. edodes no engaço foi o que proporcionou maior aumento da DIVMO, em cerca de 50% comparativamente ao controlo. O período de incubação também afetou significativamente (P<0,05) o valor nutritivo do engaço de uva. No que se refere ao teor em PB, verificou-se aumento médio de 24% nos períodos de incubação, comparativamente ao dia 0, sendo que o aumento mais acentuado foi obtido aos 42 dias (28,2%). Para o teor em lenhina do engaço, a redução mais acentuada (13,3%) também se observou aos 42 dias de incubação. Ao analisar individualmente o efeito que cada fungo ao longo do período de incubação teve ao nível da DIVMO, nota-se que o melhor tratamento foi o L. edodes aos 42 dias de incubação, com um aumento de cerca de 95%. Os resultados deste estudo indicam o potencial de utilização dos fungos de podridão branca no tratamento e valorização nutricional do engaço de uva. No entanto, cremos ser plausível a possibilidade de otimizar o processo de fermentação sólida de modo a que os valores de digestibilidade possam ser melhorados. Neste sentido, estudos futuros deverão incidir sobre o aumento da eficiência de deslenhificação por parte das estirpes selecionadas procurando avaliar quais as condições de crescimento que favorecem a atuação das enzimas lenhinolíticas. Paralelemente, estudos adicionais in vivo no sentido de avaliar a incorporação desta matéria-prima na alimentação animal deverão também ser equacionados.