Publicação
Cardiotoxicidade induzida pela doxorrubicina em cães
| Resumo: | A doxorrubicina é um agente antineoplásico bastante utilizado em Medicina Veterinária, integrando a escolha no tratamento de uma série de tumores sólidos e hematopoiéticos. Contudo, está descrito que o seu uso poderá estar associado ao desenvolvimento de cardiotoxicidade em cães, que pode ser classificada como aguda ou crónica, diferindo entre si pela apresentação clínica e prognóstico. Em cães, são vários os estudos que relatam o desenvolvimento de cardiomiopatia secundária ao uso do fármaco, que é em tudo semelhante a cardiomiopatia dilatada canina. A cardiotoxicidade crónica é considerada dose dependente e surge, mais comumente, quando é atingida a dose cumulativa de 240 mg/m2, contudo já foi descrita com dose de apenas 90mg/m2. O prognóstico é considerado grave, dado que a progressão poderá induzir insuficiência cardíaca congestiva refratária e/ou arritmias fatais. Desta forma, o objetivo deste trabalho incidiu na avaliação das implicações da doxorrubicina a nível cardíaco, avaliando uma série de parâmetros no decorrer do protocolo de quimioterapia, por forma a permitir o diagnóstico precoce de cardiotoxicidade, otimizando o uso do fármaco, antes do desenvolvimento de disfunção cardíaca. No trabalho prático foram avaliados 5 casos clínicos (1 prospetivo e 4 retrospetivos) de cães submetidos a tratamento simples ou combinado com doxorrubicina no Hospital Veterinário do Porto. A dose cumulativa máxima atingida no trabalho foi de 120mg/m2 e a mínima de 30mg/m2. Apenas 2 dos 5 cães manifestaram alterações consideradas significativas e sugestivas de cardiotoxicidade induzida pela doxorrubicina. Neste trabalho foi possível depreender que a cardiotoxicidade pode iniciar a sua manifestação em fases muito precoces do tratamento, com dose cumulativa de apenas 30 mg/m2. Curiosamente, os animais que foram submetidos a dose cumulativa menor manifestaram alterações mais significativas, quando comparados com os animais que receberam dose mais elevada. Não foi verificada maior predisposição dos animais com doença cardíaca pré-existente para desenvolvimento de cardiotoxicidade. Da mesma forma, não foi denotado desenvolvimento de alterações de condução ou ritmo, sugestivas de cardiotoxicidade aguda. Este trabalho demonstrou que a monitorização dos cães, com recurso à associação de ecocardiografia e biomarcadores cardíacos, tornou possível a deteção precoce de alterações cardíacas, sugestivas de cardiotoxicidade induzida pela doxorrubicina. |
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| Autores principais: | Pereira, Helena Maria Moutinho |
| Assunto: | Antineoplásicos Doxorrubicina Cardiotoxicidade Cães Cardiopatias |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A doxorrubicina é um agente antineoplásico bastante utilizado em Medicina Veterinária, integrando a escolha no tratamento de uma série de tumores sólidos e hematopoiéticos. Contudo, está descrito que o seu uso poderá estar associado ao desenvolvimento de cardiotoxicidade em cães, que pode ser classificada como aguda ou crónica, diferindo entre si pela apresentação clínica e prognóstico. Em cães, são vários os estudos que relatam o desenvolvimento de cardiomiopatia secundária ao uso do fármaco, que é em tudo semelhante a cardiomiopatia dilatada canina. A cardiotoxicidade crónica é considerada dose dependente e surge, mais comumente, quando é atingida a dose cumulativa de 240 mg/m2, contudo já foi descrita com dose de apenas 90mg/m2. O prognóstico é considerado grave, dado que a progressão poderá induzir insuficiência cardíaca congestiva refratária e/ou arritmias fatais. Desta forma, o objetivo deste trabalho incidiu na avaliação das implicações da doxorrubicina a nível cardíaco, avaliando uma série de parâmetros no decorrer do protocolo de quimioterapia, por forma a permitir o diagnóstico precoce de cardiotoxicidade, otimizando o uso do fármaco, antes do desenvolvimento de disfunção cardíaca. No trabalho prático foram avaliados 5 casos clínicos (1 prospetivo e 4 retrospetivos) de cães submetidos a tratamento simples ou combinado com doxorrubicina no Hospital Veterinário do Porto. A dose cumulativa máxima atingida no trabalho foi de 120mg/m2 e a mínima de 30mg/m2. Apenas 2 dos 5 cães manifestaram alterações consideradas significativas e sugestivas de cardiotoxicidade induzida pela doxorrubicina. Neste trabalho foi possível depreender que a cardiotoxicidade pode iniciar a sua manifestação em fases muito precoces do tratamento, com dose cumulativa de apenas 30 mg/m2. Curiosamente, os animais que foram submetidos a dose cumulativa menor manifestaram alterações mais significativas, quando comparados com os animais que receberam dose mais elevada. Não foi verificada maior predisposição dos animais com doença cardíaca pré-existente para desenvolvimento de cardiotoxicidade. Da mesma forma, não foi denotado desenvolvimento de alterações de condução ou ritmo, sugestivas de cardiotoxicidade aguda. Este trabalho demonstrou que a monitorização dos cães, com recurso à associação de ecocardiografia e biomarcadores cardíacos, tornou possível a deteção precoce de alterações cardíacas, sugestivas de cardiotoxicidade induzida pela doxorrubicina. |
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