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Relação entre coordenação motora e desempenho cognitivo em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem entre os 6 - 10 anos de idade

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Resumo:As dificuldades de aprendizagem são uma realidade nas escolas. Por vezes, o trabalho executado no âmbito das dificuldades de aprendizagem, com as crianças, reduz-se ao trabalho de mesa. É importante então que se conheça o desenvolvimento cognitivo das crianças e a relação que têm com outros aspetos para que dessa forma se possa perceber como deve ser influenciado a fim de obter resultados positivos quando este apresenta algum défice. A faixa etária dos 6 aos 10 anos de idade, é um período onde acontecem muitas transformações e onde há a possibilidade de se detetarem determinados problemas que comprometam o desenvolvimento global da criança e é também nesta fase que uma intervenção atempada pode ter resultados expectantes. Com isto, este estudo torna-se pertinente na medida que procura perceber a relação entre o desempenho cognitivo e desenvolvimento motor da criança podendo alertar para a importância da coexistência destes dois fatores num desenvolvimento saudável da criança. As crianças, cada vez mais, têm um estilo de vida sedentária, torna-se então essencial que se perceba os malefícios que o sedentarismo acarreta para que haja um alerta e uma intervenção nas crianças e adolescentes. Face ao exposto, a presente dissertação objetiva perceber a relação entre coordenação motora e desempenho cognitivo em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem, integrando dois estudos com diferentes objetivos. O estudo I objetiva a caracterização do Desenvolvimento Motor e Desempenho Cognitivo, em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem entre os 6-10 anos de idade, de acordo com o género, ano de escolaridade e com e sem dificuldades de aprendizagem em crianças com idades compreendidas entre os 6 – 10 anos e o estudo II objetiva analisar a influência entre o Desempenho cognitivo e Desenvolvimento Motor em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem com idades entre 6 – 10 anos de idade. A amostra foi constituída por 142 crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos de idade (8,06± 1,04), 73 raparigas (51,4 %) e 69 rapazes (48,6 %), frequentando 9 (6,3%) o 1º ano, 30 (21,1%) o 2º ano, 48 (33,8%) o 3º ano e 55 (38,7%) o 4º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico, de três escolas públicas de Vila Real. Na amostra 60 (42,3%) das crianças apresentavam dificuldades de aprendizagem e 82 (57,7%) crianças não apresentavam dificuldades de aprendizagem. Para a avaliação do desempenho cognitivo recorreu-se ao teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR) e para a avaliação do desenvolvimento motor recorreu-se ao teste Körperkoordinations-test für Kinder (KTK). Para a análise estatística recorreu-se à estatística descritiva para descritiva dos dados através de uma tabela de frequências e percentagens para descrever as variáveis medidas em escalas nominais e ordinais e da média e desvio-padrão para as variáveis medidas em escalas contínuas. Recorreu-se ao t test de Student, para proceder a comparação dos resultados de acordo com o género, ano de escolaridade e presença ou ausência de DA, no teste KTK e das MPCR. Aplicou-se o teste de coeficiente de correlação de Pearson para determinar o grau de relação entre as variáveis em estudo. Para verificar o efeito principal e a interação das variáveis independentes (ano de escolaridade, género e DA) no teste KTK e no teste das MPCR foi aplicado o Modelo Linear Generalizado. Conclusões do estudo I: Verificou-se que as crianças sem dificuldades de aprendizagem apresentam melhores resultados que as crianças com dificuldades de aprendizagem no teste das MPCR (sig. = 0,000), as crianças mais velhas apresentam melhores resultados (sig. = 0,002) e quanto ao género não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. No teste KTK as crianças sem dificuldades de aprendizagem apresentaram melhores resultados (sig. = 0,017), os mais novos apresentaram melhores resultados (sig. = 0,018) e foi o género masculino que apresentou resultados superiores (sig. = 0,010). Conclusões do estudo II: Existe uma correlação de 0,189 entres as Matrizes Progressivas coloridas de Raven e uma das tarefas do teste KTK, “Saltos Monopedais”, nas crianças sem DA. Indicando melhores resultados totais na resolução das MPCR estão associados a melhores resultados nesta tarefa; Verificou-se uma correlação, significativa positiva, entre as MPCR e a idade, nas crianças sem DA e com DA, indicando que crianças mais velhas apresentam melhores resultados nas MPCR (total); As Dificuldades de Aprendizagem apresentaram um efeito no QM total (p = 0,012), nas MPCR (total) (p=0,003) e nas tarefas “Trave de Equilíbrio” (p= 0,040), “Saltos Monopedais” (p = 0,006) e “Saltos Laterais” (p = 0,007), indicando que as crianças sem DA apresentam melhores resultados nestes parâmetros; O ano de escolaridade tem influência no QM (total) ” (p= 0,001), nas tarefas do teste KTK “Saltos Monopedais” (p=0,003) e “Transferência de Plataformas” (p= 0,003) sendo que com o aumento da idade há um decréscimo em todos estes parâmetros. O ano de escolaridade também influenciou os resultados totais das MPCR (total) (p = 0,023), os resultados totais das MPCR aumentam com a idade; Verificou-se o efeito Ano de Escolaridade x Género na tarefa do teste KTK “Saltos Laterais”, sendo o género masculino e as crianças mais novas (1º e 2º ano), um conjunto de condições preponderantes a melhores resultados nesta tarefa.
Autores principais:Nascimento, Marina Junqueira do
Assunto:Desenvolvimento motor Crianças Desempenho cognitivo
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:As dificuldades de aprendizagem são uma realidade nas escolas. Por vezes, o trabalho executado no âmbito das dificuldades de aprendizagem, com as crianças, reduz-se ao trabalho de mesa. É importante então que se conheça o desenvolvimento cognitivo das crianças e a relação que têm com outros aspetos para que dessa forma se possa perceber como deve ser influenciado a fim de obter resultados positivos quando este apresenta algum défice. A faixa etária dos 6 aos 10 anos de idade, é um período onde acontecem muitas transformações e onde há a possibilidade de se detetarem determinados problemas que comprometam o desenvolvimento global da criança e é também nesta fase que uma intervenção atempada pode ter resultados expectantes. Com isto, este estudo torna-se pertinente na medida que procura perceber a relação entre o desempenho cognitivo e desenvolvimento motor da criança podendo alertar para a importância da coexistência destes dois fatores num desenvolvimento saudável da criança. As crianças, cada vez mais, têm um estilo de vida sedentária, torna-se então essencial que se perceba os malefícios que o sedentarismo acarreta para que haja um alerta e uma intervenção nas crianças e adolescentes. Face ao exposto, a presente dissertação objetiva perceber a relação entre coordenação motora e desempenho cognitivo em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem, integrando dois estudos com diferentes objetivos. O estudo I objetiva a caracterização do Desenvolvimento Motor e Desempenho Cognitivo, em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem entre os 6-10 anos de idade, de acordo com o género, ano de escolaridade e com e sem dificuldades de aprendizagem em crianças com idades compreendidas entre os 6 – 10 anos e o estudo II objetiva analisar a influência entre o Desempenho cognitivo e Desenvolvimento Motor em crianças com e sem dificuldades de aprendizagem com idades entre 6 – 10 anos de idade. A amostra foi constituída por 142 crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos de idade (8,06± 1,04), 73 raparigas (51,4 %) e 69 rapazes (48,6 %), frequentando 9 (6,3%) o 1º ano, 30 (21,1%) o 2º ano, 48 (33,8%) o 3º ano e 55 (38,7%) o 4º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico, de três escolas públicas de Vila Real. Na amostra 60 (42,3%) das crianças apresentavam dificuldades de aprendizagem e 82 (57,7%) crianças não apresentavam dificuldades de aprendizagem. Para a avaliação do desempenho cognitivo recorreu-se ao teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (MPCR) e para a avaliação do desenvolvimento motor recorreu-se ao teste Körperkoordinations-test für Kinder (KTK). Para a análise estatística recorreu-se à estatística descritiva para descritiva dos dados através de uma tabela de frequências e percentagens para descrever as variáveis medidas em escalas nominais e ordinais e da média e desvio-padrão para as variáveis medidas em escalas contínuas. Recorreu-se ao t test de Student, para proceder a comparação dos resultados de acordo com o género, ano de escolaridade e presença ou ausência de DA, no teste KTK e das MPCR. Aplicou-se o teste de coeficiente de correlação de Pearson para determinar o grau de relação entre as variáveis em estudo. Para verificar o efeito principal e a interação das variáveis independentes (ano de escolaridade, género e DA) no teste KTK e no teste das MPCR foi aplicado o Modelo Linear Generalizado. Conclusões do estudo I: Verificou-se que as crianças sem dificuldades de aprendizagem apresentam melhores resultados que as crianças com dificuldades de aprendizagem no teste das MPCR (sig. = 0,000), as crianças mais velhas apresentam melhores resultados (sig. = 0,002) e quanto ao género não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. No teste KTK as crianças sem dificuldades de aprendizagem apresentaram melhores resultados (sig. = 0,017), os mais novos apresentaram melhores resultados (sig. = 0,018) e foi o género masculino que apresentou resultados superiores (sig. = 0,010). Conclusões do estudo II: Existe uma correlação de 0,189 entres as Matrizes Progressivas coloridas de Raven e uma das tarefas do teste KTK, “Saltos Monopedais”, nas crianças sem DA. Indicando melhores resultados totais na resolução das MPCR estão associados a melhores resultados nesta tarefa; Verificou-se uma correlação, significativa positiva, entre as MPCR e a idade, nas crianças sem DA e com DA, indicando que crianças mais velhas apresentam melhores resultados nas MPCR (total); As Dificuldades de Aprendizagem apresentaram um efeito no QM total (p = 0,012), nas MPCR (total) (p=0,003) e nas tarefas “Trave de Equilíbrio” (p= 0,040), “Saltos Monopedais” (p = 0,006) e “Saltos Laterais” (p = 0,007), indicando que as crianças sem DA apresentam melhores resultados nestes parâmetros; O ano de escolaridade tem influência no QM (total) ” (p= 0,001), nas tarefas do teste KTK “Saltos Monopedais” (p=0,003) e “Transferência de Plataformas” (p= 0,003) sendo que com o aumento da idade há um decréscimo em todos estes parâmetros. O ano de escolaridade também influenciou os resultados totais das MPCR (total) (p = 0,023), os resultados totais das MPCR aumentam com a idade; Verificou-se o efeito Ano de Escolaridade x Género na tarefa do teste KTK “Saltos Laterais”, sendo o género masculino e as crianças mais novas (1º e 2º ano), um conjunto de condições preponderantes a melhores resultados nesta tarefa.