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Vivências académicas dos estudantes do curso de Licenciatura em Enfermagem: contributos para a intervenção comunitária

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: O número de estudantes no sistema de ensino superior em Portugal tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, refletindo uma progressiva tomada de consciência da importância de se investigar as circunstâncias e os acontecimentos que os estudantes vivenciam e que influenciam o seu percurso académico. Neste contexto, o estudo centrou-se na análise das vivências académicas dos estudantes do curso de licenciatura em enfermagem de uma instituição de ensino superior do interior norte de Portugal, no sentido de se poder equacionar como campo de intervenção no âmbito da enfermagem comunitária. Objetivos: i) Caracterizar, em termos sociodemográficos e escolares, os participantes do estudo; ii) Caracterizar as vivências académicas através do Questionário de Vivências Académicas (QVA); iii) Analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas e escolares e as dimensões do QVA; iv); Compreender os processos de adaptação e transição ao ensino superior; v) Enquadrar as vivências académicas no percurso desenvolvimental dos estudantes; vi) Identificar a forma de gestão dos recursos pessoais; vii) Explorar o sentido das expectativas profissionais dos estudantes. Métodos: O presente estudo utilizou uma abordagem quantitativa, sendo este descritivo, correlacional e transversal. Para a recolha de dados foi utilizado o Questionário de Vivências Académicas de Almeida e Ferreira (1997), constituído por 170 itens, dividido em 17 dimensões, e utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0, no tratamento de dados. Utilizou-se também uma abordagem qualitativa, através do estudo de caso exploratório, realizando entrevistas semiestruturadas, que foram submetidas a análise de conteúdo. A população do estudo era constituída por todos os estudantes a frequentar o 1º ciclo de estudos do curso de licenciatura em enfermagem de uma universidade do interior norte de Portugal, num total de 316 estudantes, da qual se obteve uma amostra de 212 (60,09%) participantes para a abordagem quantitativa. Na abordagem qualitativa, nomeadamente nas entrevistas, participaram de forma voluntária 6 estudantes, 2 do sexo masculino e 4 do sexo feminino. Resultados: A maioria dos estudantes era do sexo feminino (75,9%), da classe etária dos 19-20 anos de idade (50,0%), deslocada do seu local de residência habitual (65,6%) e não usufruía de bolsa de estudo (54,7%). Quanto às dimensões do QVA, foram os estudantes da classe etária 17-20 anos que mais ativamente se envolveram em atividades extracurriculares (34,92) e da classe etária 21-22 anos que apresentaram um valor superior de bem-estar psicológico (49,39). Nas dimensões relacionamento com os colegas, com a família e com os professores, constata-se que foi sempre menor no sexo masculino e nos estudantes que frequentavam os 1º, 2º e 4º anos do curso. Quanto às dimensões bases de conhecimentos para o curso, ansiedade na realização de exames, autoconfiança, bem-estar físico e perceção pessoal de competências cognitivas, foram superiores para os estudantes que frequentavam o 4º ano. Constatou-se que, à medida que aumenta a idade, menor é a adaptação à instituição de ensino e o envolvimento em atividades extracurriculares e aumentam as bases de conhecimentos para o curso. Relativamente à correlação entre a média de curso e as dimensões do QVA, verificou-se que quanto maior é a média de curso, mais positiva é a sua perceção sobre as bases de conhecimentos para o curso, maior é a capacidade quanto aos métodos de estudo, gestão do tempo e da ansiedade, maior é a autoconfiança e melhor é a perceção sobre as competências cognitivas. Quanto aos resultados do estudo de natureza qualitativa e tendo em conta que o que se pretendia relevar era o carácter interpretativo que os estudantes fazem das vivências académicas, emergem como categoriais: a adaptação ao ensino superior, com expectativas em relação à instituição de ensino, no qual se destaca a participação na praxe académica, enquanto acontecimento que assegura a transição e adaptação ao ensino superior; as vivências académicas, que redefinem as experiências de vida e fomentam o crescimento pessoal e a autonomia; a gestão dos recursos pessoais, relacionada com a gestão do tempo e a gestão emocional, sublinhando-se a importância do suporte dos pais, familiares e amigos para o bem-estar psicológico dos estudantes; as expectativas profissionais, que reafirmam o interesse pela continuidade dos processos formativos, vinculados a uma maior especialização da intervenção em enfermagem e a desesperança pelo exercício da profissão de enfermagem em Portugal. De um modo geral, a adaptação ao ensino superior, vivida como uma transição desenvolvimental, concorre para a autonomia, independência emocional e instrumental, por isso, é expectável e desejável que esta transição fique inscrita na vida dos estudantes e possa orientar os seus projetos e dar sentido ao futuro. Conclusões: Os resultados obtidos contribuíram para a clarificação das vivências académicas e adaptação ao ensino superior. No entanto, é importante considerar a análise desta problemática noutras instituições de ensino superior para se constatar a influência de variáveis contextuais. Importa, por exemplo, explorar de que modo a praxe, como realidade académica, se inscreve nas vivências dos estudantes. Esta será, pelas particularidades do contexto, uma das áreas de intervenção dos enfermeiros especialistas em enfermagem comunitária que importa dinamizar.
Autores principais:Costa, Hugo Manuel Ventura
Assunto:Enfermagem em saúde comunitária Estudantes de enfermagem Educação superior Adaptação Vivências académicas
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Introdução: O número de estudantes no sistema de ensino superior em Portugal tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, refletindo uma progressiva tomada de consciência da importância de se investigar as circunstâncias e os acontecimentos que os estudantes vivenciam e que influenciam o seu percurso académico. Neste contexto, o estudo centrou-se na análise das vivências académicas dos estudantes do curso de licenciatura em enfermagem de uma instituição de ensino superior do interior norte de Portugal, no sentido de se poder equacionar como campo de intervenção no âmbito da enfermagem comunitária. Objetivos: i) Caracterizar, em termos sociodemográficos e escolares, os participantes do estudo; ii) Caracterizar as vivências académicas através do Questionário de Vivências Académicas (QVA); iii) Analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas e escolares e as dimensões do QVA; iv); Compreender os processos de adaptação e transição ao ensino superior; v) Enquadrar as vivências académicas no percurso desenvolvimental dos estudantes; vi) Identificar a forma de gestão dos recursos pessoais; vii) Explorar o sentido das expectativas profissionais dos estudantes. Métodos: O presente estudo utilizou uma abordagem quantitativa, sendo este descritivo, correlacional e transversal. Para a recolha de dados foi utilizado o Questionário de Vivências Académicas de Almeida e Ferreira (1997), constituído por 170 itens, dividido em 17 dimensões, e utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences, versão 20.0, no tratamento de dados. Utilizou-se também uma abordagem qualitativa, através do estudo de caso exploratório, realizando entrevistas semiestruturadas, que foram submetidas a análise de conteúdo. A população do estudo era constituída por todos os estudantes a frequentar o 1º ciclo de estudos do curso de licenciatura em enfermagem de uma universidade do interior norte de Portugal, num total de 316 estudantes, da qual se obteve uma amostra de 212 (60,09%) participantes para a abordagem quantitativa. Na abordagem qualitativa, nomeadamente nas entrevistas, participaram de forma voluntária 6 estudantes, 2 do sexo masculino e 4 do sexo feminino. Resultados: A maioria dos estudantes era do sexo feminino (75,9%), da classe etária dos 19-20 anos de idade (50,0%), deslocada do seu local de residência habitual (65,6%) e não usufruía de bolsa de estudo (54,7%). Quanto às dimensões do QVA, foram os estudantes da classe etária 17-20 anos que mais ativamente se envolveram em atividades extracurriculares (34,92) e da classe etária 21-22 anos que apresentaram um valor superior de bem-estar psicológico (49,39). Nas dimensões relacionamento com os colegas, com a família e com os professores, constata-se que foi sempre menor no sexo masculino e nos estudantes que frequentavam os 1º, 2º e 4º anos do curso. Quanto às dimensões bases de conhecimentos para o curso, ansiedade na realização de exames, autoconfiança, bem-estar físico e perceção pessoal de competências cognitivas, foram superiores para os estudantes que frequentavam o 4º ano. Constatou-se que, à medida que aumenta a idade, menor é a adaptação à instituição de ensino e o envolvimento em atividades extracurriculares e aumentam as bases de conhecimentos para o curso. Relativamente à correlação entre a média de curso e as dimensões do QVA, verificou-se que quanto maior é a média de curso, mais positiva é a sua perceção sobre as bases de conhecimentos para o curso, maior é a capacidade quanto aos métodos de estudo, gestão do tempo e da ansiedade, maior é a autoconfiança e melhor é a perceção sobre as competências cognitivas. Quanto aos resultados do estudo de natureza qualitativa e tendo em conta que o que se pretendia relevar era o carácter interpretativo que os estudantes fazem das vivências académicas, emergem como categoriais: a adaptação ao ensino superior, com expectativas em relação à instituição de ensino, no qual se destaca a participação na praxe académica, enquanto acontecimento que assegura a transição e adaptação ao ensino superior; as vivências académicas, que redefinem as experiências de vida e fomentam o crescimento pessoal e a autonomia; a gestão dos recursos pessoais, relacionada com a gestão do tempo e a gestão emocional, sublinhando-se a importância do suporte dos pais, familiares e amigos para o bem-estar psicológico dos estudantes; as expectativas profissionais, que reafirmam o interesse pela continuidade dos processos formativos, vinculados a uma maior especialização da intervenção em enfermagem e a desesperança pelo exercício da profissão de enfermagem em Portugal. De um modo geral, a adaptação ao ensino superior, vivida como uma transição desenvolvimental, concorre para a autonomia, independência emocional e instrumental, por isso, é expectável e desejável que esta transição fique inscrita na vida dos estudantes e possa orientar os seus projetos e dar sentido ao futuro. Conclusões: Os resultados obtidos contribuíram para a clarificação das vivências académicas e adaptação ao ensino superior. No entanto, é importante considerar a análise desta problemática noutras instituições de ensino superior para se constatar a influência de variáveis contextuais. Importa, por exemplo, explorar de que modo a praxe, como realidade académica, se inscreve nas vivências dos estudantes. Esta será, pelas particularidades do contexto, uma das áreas de intervenção dos enfermeiros especialistas em enfermagem comunitária que importa dinamizar.