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Vivências afetivas e sexuais e a felicidade subjetiva dos idosos de uma Unidade de Saúde Familiar do Norte do País

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Summary:O presente relatório de Estágio de Natureza Profissional documenta as atividades realizadas no âmbito do Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar, que decorreu numa Unidade de Saúde Familiar do Norte do País, entre outubro de 2019 e março de 2020. Pretendeu-se desenvolver as competências inerentes ao Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária na área da Enfermagem de Saúde Familiar: cuidar da família como unidade de cuidados, e de cada um dos seus membros, ao longo do ciclo vital e nos diferentes níveis de prevenção; colaborar nos processos de intervenção no âmbito da Enfermagem de Saúde Familiar. Durante este período, foi implementado um projeto de investigação com o objetivo de caraterizar os idosos de uma USF do norte do país, do ponto de vista sociodemográfico e clínico, descrever as suas vivências afetivas e sexuais e a felicidade subjetiva, analisar a relação entre as vivências afetivas e sexuais com a felicidade subjetiva, e analisar a relação destes conceitos com as variáveis sociodemográficas e clínicas. Trata-se de um estudo de nível III, com metodologia quantitativa. Para a obtenção de dados, foi aplicado um formulário aos utentes com idade igual e superior a 65 anos, constituído por questões para caracterização sociodemográfica e clínica, escala das vivências afetivas e sexuais dos idosos, e escala da felicidade subjetiva. Foram inquiridos 62 idosos, mais de metade com idades entre os 65 e 74 anos, com ligeiro predomínio do sexo masculino, casados, com ensino básico de escolaridade, aposentados, com renda mensal inferior ao salário mínimo, a viver com o(a) companheiro(a). A maioria pertence à religião católica, e é praticante. Padecem de 1 a 3 patologias, com predomínio da hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, e mais de metade toma entre 1 a 4 medicamentos por dia. Constatou-se que os idosos têm uma atitude positiva em relação à sexualidade na velhice, e que esta é vivenciada maioritariamente pelos afetos e valores para com o(a) companheiro(a). Verificou-se que o ato sexual é cada vez menos frequente nas vivências da sexualidade dos idosos, embora estes tenham referido que se sentem bem quando têm relações sexuais e que a prática da sexualidade lhes proporciona bem-estar. Aceitam as mudanças causadas pelo envelhecimento, e apresentam uma autoimagem positiva em relação ao aspeto físico atual. Sentem que existe discriminação e preconceito quando se aborda o tema da sexualidade na população idosa, mas, mesmo assim, vivem a própria sexualidade relativizando a opinião dos outros. Quanto ao nível de felicidade subjetiva, a maioria dos idosos refere sentir-se muito feliz, e nem mais nem menos feliz quando comparados com os outros. Conclui-se, ainda, que não gozam muito nem pouco a vida apesar dos problemas, e não se sentem menos felizes do que poderiam ser. Quanto à relação entre as vivências afetivas e sexuais e as variáveis sociodemográficos, foram encontradas diferenças significativas em função da idade, género, estado civil e atividade profissional, relativamente à dimensão “Ato sexual”. Idosos com idades compreendidas entre os 65 e 74 anos, do género masculino, casados, e que exercem atividade profissional, apresentam maior satisfação nesta dimensão. Relativamente à dimensão “Relações afetivas”, encontraram-se diferenças significativas em relação ao género masculino. Relativamente às variáveis clínicas, os idosos não medicados apresentam maior satisfação nas dimensões “Ato sexual” e “Relações afetivas”, em relação aos que são medicados. A satisfação vai diminuindo à medida que aumenta o número diário de fármacos. Na relação entre a felicidade subjetiva e as variáveis sociodemográficas e clínicas, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. No que respeita à relação entre as vivências afetivas e sexuais, e a felicidade subjetiva dos idosos, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas e positivas, em relação às dimensões “Ato sexual” e “Relações afetivas”, ou seja, à medida que aumenta a satisfação nestas dimensões, aumenta a felicidade subjetiva. Podemos verificar que a sexualidade não acaba com a juventude, ela assume contornos diferentes, mas também importantes na idade avançada. As atitudes menos positivas em relação à sexualidade do idoso, e comportamentos que evitam o tema, dificultam a relação enfermeiro/idoso. Neste sentido, cabe aos enfermeiros desmistificar os estereótipos e preconceitos relacionados com a sexualidade do idoso, investindo na própria formação profissional, a fim de promover uma sexualidade saudável e uma velhice feliz.
Main Authors:Faria, Susana Alexandra Magalhães
Subject:Afetividade sexualidade
Year:2021
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Language:Portuguese
Origin:Repositório da UTAD
Description
Summary:O presente relatório de Estágio de Natureza Profissional documenta as atividades realizadas no âmbito do Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar, que decorreu numa Unidade de Saúde Familiar do Norte do País, entre outubro de 2019 e março de 2020. Pretendeu-se desenvolver as competências inerentes ao Enfermeiro Especialista em Saúde Comunitária na área da Enfermagem de Saúde Familiar: cuidar da família como unidade de cuidados, e de cada um dos seus membros, ao longo do ciclo vital e nos diferentes níveis de prevenção; colaborar nos processos de intervenção no âmbito da Enfermagem de Saúde Familiar. Durante este período, foi implementado um projeto de investigação com o objetivo de caraterizar os idosos de uma USF do norte do país, do ponto de vista sociodemográfico e clínico, descrever as suas vivências afetivas e sexuais e a felicidade subjetiva, analisar a relação entre as vivências afetivas e sexuais com a felicidade subjetiva, e analisar a relação destes conceitos com as variáveis sociodemográficas e clínicas. Trata-se de um estudo de nível III, com metodologia quantitativa. Para a obtenção de dados, foi aplicado um formulário aos utentes com idade igual e superior a 65 anos, constituído por questões para caracterização sociodemográfica e clínica, escala das vivências afetivas e sexuais dos idosos, e escala da felicidade subjetiva. Foram inquiridos 62 idosos, mais de metade com idades entre os 65 e 74 anos, com ligeiro predomínio do sexo masculino, casados, com ensino básico de escolaridade, aposentados, com renda mensal inferior ao salário mínimo, a viver com o(a) companheiro(a). A maioria pertence à religião católica, e é praticante. Padecem de 1 a 3 patologias, com predomínio da hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, e mais de metade toma entre 1 a 4 medicamentos por dia. Constatou-se que os idosos têm uma atitude positiva em relação à sexualidade na velhice, e que esta é vivenciada maioritariamente pelos afetos e valores para com o(a) companheiro(a). Verificou-se que o ato sexual é cada vez menos frequente nas vivências da sexualidade dos idosos, embora estes tenham referido que se sentem bem quando têm relações sexuais e que a prática da sexualidade lhes proporciona bem-estar. Aceitam as mudanças causadas pelo envelhecimento, e apresentam uma autoimagem positiva em relação ao aspeto físico atual. Sentem que existe discriminação e preconceito quando se aborda o tema da sexualidade na população idosa, mas, mesmo assim, vivem a própria sexualidade relativizando a opinião dos outros. Quanto ao nível de felicidade subjetiva, a maioria dos idosos refere sentir-se muito feliz, e nem mais nem menos feliz quando comparados com os outros. Conclui-se, ainda, que não gozam muito nem pouco a vida apesar dos problemas, e não se sentem menos felizes do que poderiam ser. Quanto à relação entre as vivências afetivas e sexuais e as variáveis sociodemográficos, foram encontradas diferenças significativas em função da idade, género, estado civil e atividade profissional, relativamente à dimensão “Ato sexual”. Idosos com idades compreendidas entre os 65 e 74 anos, do género masculino, casados, e que exercem atividade profissional, apresentam maior satisfação nesta dimensão. Relativamente à dimensão “Relações afetivas”, encontraram-se diferenças significativas em relação ao género masculino. Relativamente às variáveis clínicas, os idosos não medicados apresentam maior satisfação nas dimensões “Ato sexual” e “Relações afetivas”, em relação aos que são medicados. A satisfação vai diminuindo à medida que aumenta o número diário de fármacos. Na relação entre a felicidade subjetiva e as variáveis sociodemográficas e clínicas, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. No que respeita à relação entre as vivências afetivas e sexuais, e a felicidade subjetiva dos idosos, foram encontradas diferenças estatisticamente significativas e positivas, em relação às dimensões “Ato sexual” e “Relações afetivas”, ou seja, à medida que aumenta a satisfação nestas dimensões, aumenta a felicidade subjetiva. Podemos verificar que a sexualidade não acaba com a juventude, ela assume contornos diferentes, mas também importantes na idade avançada. As atitudes menos positivas em relação à sexualidade do idoso, e comportamentos que evitam o tema, dificultam a relação enfermeiro/idoso. Neste sentido, cabe aos enfermeiros desmistificar os estereótipos e preconceitos relacionados com a sexualidade do idoso, investindo na própria formação profissional, a fim de promover uma sexualidade saudável e uma velhice feliz.