Publicação
Efeito de diferentes formas de gestão da vegetação do solo da vinha na biodiversidade de artrópodes e características fisiológicas da videira
| Resumo: | A utilização de coberturas vegetais do solo é uma prática recomendada em viticultura sustentável. Contudo, em zonas secas, como a Região Demarcada do Douro (RDD), o receio de competição hídrica com a vinha cria constrangimentos à adoção desta prática. Este estudo, conduzido em 2023 numa vinha da Quinta de S. Luiz (sub-região Cima Corgo), teve como objetivo comparar diferentes modalidades de gestão do solo da entrelinha (mobilizado, enrelvamento cortado e enrelvamento tombado). Especificamente, pretendeu-se avaliar (1) os impactos na biodiversidade do solo, designadamente na abundância e riqueza de espécies de artrópodes, na atividade alimentar da micro e mesofauna do solo e na capacidade de degradação do material vegetal, por parte dos microrganismos do solo, (2) os impactos na fisiologia da videira designadamente através da avaliação do potencial hídrico foliar de base e (3) os impactos nos parâmetros de produção e na qualidade da uva. Os resultados indicam que a percentagem de cobertura vegetal do solo foi significativamente mais baixa na modalidade mobilizada face à modalidade de enrelvamento tombado. De uma maneira geral, a abundância e a riqueza de artrópodes (total e por grupo funcional) foram significativamente mais baixas na modalidade mobilizada, comparativamente às modalidades com enrelvamento (tombado e cortado). A degradação do material vegetal também se mostrou significativamente menor na modalidade mobilizada, o que sugere menor atividade microbiológica nesta modalidade. Relativamente ao potencial hídrico foliar de base (Ψbase), os valores não diferiram significativamente entre modalidades, mostrando que, em 2023, as diferentes práticas de gestão do solo não induziram diferenças no estado hídrico das plantas. A produção, os parâmetros de qualidade da uva e o Índice de Ravaz também não diferiram significativamente entre as três modalidades. Desta forma, nas condições do estudo, as modalidades de enrelvamento (tombado e cortado) promoveram maior abundância e riqueza de artrópodes do solo e maior atividade microbiológica do solo e não induziram maior stress hídrico, nem diferenças na produção e nos parâmetros de qualidade da uva, comparativamente à modalidade mobilizada. Estes resultados poderão contribuir para uma melhor compreensão dos impactos das práticas de gestão do solo, a fim de selecionar as que mais contribuem para a saúde do solo e, por conseguinte, promover uma viticultura mais sustentável. |
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| Autores principais: | Maia, Gabriela Ferreira Martins Fernandes |
| Assunto: | mobilização enrelvamento artrópodes potencial hídrico produção qualidade |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | A utilização de coberturas vegetais do solo é uma prática recomendada em viticultura sustentável. Contudo, em zonas secas, como a Região Demarcada do Douro (RDD), o receio de competição hídrica com a vinha cria constrangimentos à adoção desta prática. Este estudo, conduzido em 2023 numa vinha da Quinta de S. Luiz (sub-região Cima Corgo), teve como objetivo comparar diferentes modalidades de gestão do solo da entrelinha (mobilizado, enrelvamento cortado e enrelvamento tombado). Especificamente, pretendeu-se avaliar (1) os impactos na biodiversidade do solo, designadamente na abundância e riqueza de espécies de artrópodes, na atividade alimentar da micro e mesofauna do solo e na capacidade de degradação do material vegetal, por parte dos microrganismos do solo, (2) os impactos na fisiologia da videira designadamente através da avaliação do potencial hídrico foliar de base e (3) os impactos nos parâmetros de produção e na qualidade da uva. Os resultados indicam que a percentagem de cobertura vegetal do solo foi significativamente mais baixa na modalidade mobilizada face à modalidade de enrelvamento tombado. De uma maneira geral, a abundância e a riqueza de artrópodes (total e por grupo funcional) foram significativamente mais baixas na modalidade mobilizada, comparativamente às modalidades com enrelvamento (tombado e cortado). A degradação do material vegetal também se mostrou significativamente menor na modalidade mobilizada, o que sugere menor atividade microbiológica nesta modalidade. Relativamente ao potencial hídrico foliar de base (Ψbase), os valores não diferiram significativamente entre modalidades, mostrando que, em 2023, as diferentes práticas de gestão do solo não induziram diferenças no estado hídrico das plantas. A produção, os parâmetros de qualidade da uva e o Índice de Ravaz também não diferiram significativamente entre as três modalidades. Desta forma, nas condições do estudo, as modalidades de enrelvamento (tombado e cortado) promoveram maior abundância e riqueza de artrópodes do solo e maior atividade microbiológica do solo e não induziram maior stress hídrico, nem diferenças na produção e nos parâmetros de qualidade da uva, comparativamente à modalidade mobilizada. Estes resultados poderão contribuir para uma melhor compreensão dos impactos das práticas de gestão do solo, a fim de selecionar as que mais contribuem para a saúde do solo e, por conseguinte, promover uma viticultura mais sustentável. |
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