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Biologia das culturas mediterrânicas num contexto de alterações climáticas: estudo de caso em Vitis vinifera L.

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Decorrente da mudança climática global, é cada vez mais consensual que num futuro próximo o clima das mais importantes regiões vitícolas do mundo será cada vez mais quente e seco, o que poderá comprometer a viabilidade económica das vinhas (Vitis vinifera L.). A vinha é tradicionalmente uma cultura de sequeiro, especialmente na Europa e espalha-se por vastas regiões semiáridas, sendo exploradas fundamentalmente pela indústria do vinho. A qualidade da produção e das uvas depende fortemente da capacidade de adaptação da vinha à seca. Compreender e controlar as relações hídricas da planta e a sua resistência ao stresse hídrico por meios fisiológicos e moleculares pode melhorar significativamente a produtividade da planta e a qualidade ambiental. Sem desmerecer a utilidade que a rega pode ter no crescimento e desenvolvimento das culturas é crucial a implementação de medidas de mitigação alternativas/complementares, não só em termos económicos mas também em termos de qualidade das produções e de sustentabilidade ambiental. Entre essas medidas, tem havido um grande esforço por parte da comunidade científica para estudar o efeito da aplicação de substâncias, na otimização do microclima luminoso, nas relações hídricas das folhas, na produção, nas uvas e na qualidade do vinho. O ensaio foi realizado entre 2011 e 2012 com videiras envasadas, localizadas em Vila Real (Campus da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 41°17’N, 7°44’W, 470 m de altitude, na sub-região Baixo Corgo da Região Demarcada do Douro, Norte de Portugal). As videiras do mesmo clone da espécie Vitis vinifera L. cultivar (cv) Touriga Nacional foram instaladas em vasos, num total de 100 videiras em 2011 e 60 em 2012. As videiras foram sujeitas a dois tipos de rega: I-capacidade de campo (CH) e II-1/3 da capacidade de campo (SH). O sistema de irrigação foi instalado em todos os vasos e controlado. Os tratamentos foram aplicados nas folhas, por pulverização e foram o ácido salicílico, calda bordalesa, caulino em duas concentrações (3% e 6%) e silício no primeiro ano (2011). No segundo ano (2012) foram aplicados o caulino a 5% e calda bordalesa. Em ambos os anos existe um grupo controlo para cada condição hídrica. Cada tratamento era composto por um grupo de 10 plantas. O ácido salicílico provou ter um efeito benéfico em muitos dos parâmetros, incluindo a melhoria das trocas gasosas, a eficiência fotoquímica do PSII, o aumento da concentração dos pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis e a redução da concentração de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS). Registou-se um aumento no conteúdo relativo de água (RWC) e massa por unidade de área foliar (LMA), no final do ciclo vegetativo, tendo-se refletido num maior desenvolvimento vegetativo das videiras a todos os níveis. A calda bordalesa não teve um efeito tão acentuado, mas mostrou uma melhoria na eficiência fotoquímica do PSII, na concentração de pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis e diminuiu os compostos fenólicos totais (CFT) e TBARS. Em alguns dos tecidos foliares, verificou-se um aumento da sua espessura e do desenvolvimento vegetativo, embora essa diferença só foi reportada no maior comprimento dos lançamentos nas videiras tratadas (devido às grandes restrições hídricas). O tratamento com caulino mostrou melhorias na fisiologia das videiras, principalmente na eficiência fotoquímica do fotossistema II (PSII), na concentração dos pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis; diminuindo a concentração de CFT e da perda de eletrólitos. A nível histológico, as videiras tratadas evidenciaram uma maior concentração de ceras cuticulares solúveis foliares e com caulino a 3% as videiras apresentaram lançamentos mais compridos, maior área foliar estimada e peso seco por videira. O tratamento com silício foi o menos eficaz, uma vez que na maioria dos parâmetros avaliados apresentou resultados inferiores que as videiras controlo. No ensaio de 2012, a tendência observada no ano anterior manteve-se, com exceção da concentração das clorofilas que diminuíram nas videiras tratadas. A aplicação de calda bordalesa destacou-se pela positiva em quase todos os parâmetros. Foi desenvolvido o Curso de Formação Contínua de Professores “Será que as plantas também sofrem de stresse?”, tendo por base o tema e as metodologias deste trabalho de investigação. A aplicação prática deste trabalho pretende sensibilizar professores e alunos para esta problemática das alterações climáticas, com destaque da importância das plantas e de como elas se comportam perante o meio mais ou menos adverso.
Autores principais:Gonçalves, Diana Marta Nogueira
Assunto:Caulino Silício Vitis vinifera Stresse hídrico Ácido salicílico Calda Bordalesa
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Decorrente da mudança climática global, é cada vez mais consensual que num futuro próximo o clima das mais importantes regiões vitícolas do mundo será cada vez mais quente e seco, o que poderá comprometer a viabilidade económica das vinhas (Vitis vinifera L.). A vinha é tradicionalmente uma cultura de sequeiro, especialmente na Europa e espalha-se por vastas regiões semiáridas, sendo exploradas fundamentalmente pela indústria do vinho. A qualidade da produção e das uvas depende fortemente da capacidade de adaptação da vinha à seca. Compreender e controlar as relações hídricas da planta e a sua resistência ao stresse hídrico por meios fisiológicos e moleculares pode melhorar significativamente a produtividade da planta e a qualidade ambiental. Sem desmerecer a utilidade que a rega pode ter no crescimento e desenvolvimento das culturas é crucial a implementação de medidas de mitigação alternativas/complementares, não só em termos económicos mas também em termos de qualidade das produções e de sustentabilidade ambiental. Entre essas medidas, tem havido um grande esforço por parte da comunidade científica para estudar o efeito da aplicação de substâncias, na otimização do microclima luminoso, nas relações hídricas das folhas, na produção, nas uvas e na qualidade do vinho. O ensaio foi realizado entre 2011 e 2012 com videiras envasadas, localizadas em Vila Real (Campus da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 41°17’N, 7°44’W, 470 m de altitude, na sub-região Baixo Corgo da Região Demarcada do Douro, Norte de Portugal). As videiras do mesmo clone da espécie Vitis vinifera L. cultivar (cv) Touriga Nacional foram instaladas em vasos, num total de 100 videiras em 2011 e 60 em 2012. As videiras foram sujeitas a dois tipos de rega: I-capacidade de campo (CH) e II-1/3 da capacidade de campo (SH). O sistema de irrigação foi instalado em todos os vasos e controlado. Os tratamentos foram aplicados nas folhas, por pulverização e foram o ácido salicílico, calda bordalesa, caulino em duas concentrações (3% e 6%) e silício no primeiro ano (2011). No segundo ano (2012) foram aplicados o caulino a 5% e calda bordalesa. Em ambos os anos existe um grupo controlo para cada condição hídrica. Cada tratamento era composto por um grupo de 10 plantas. O ácido salicílico provou ter um efeito benéfico em muitos dos parâmetros, incluindo a melhoria das trocas gasosas, a eficiência fotoquímica do PSII, o aumento da concentração dos pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis e a redução da concentração de substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico (TBARS). Registou-se um aumento no conteúdo relativo de água (RWC) e massa por unidade de área foliar (LMA), no final do ciclo vegetativo, tendo-se refletido num maior desenvolvimento vegetativo das videiras a todos os níveis. A calda bordalesa não teve um efeito tão acentuado, mas mostrou uma melhoria na eficiência fotoquímica do PSII, na concentração de pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis e diminuiu os compostos fenólicos totais (CFT) e TBARS. Em alguns dos tecidos foliares, verificou-se um aumento da sua espessura e do desenvolvimento vegetativo, embora essa diferença só foi reportada no maior comprimento dos lançamentos nas videiras tratadas (devido às grandes restrições hídricas). O tratamento com caulino mostrou melhorias na fisiologia das videiras, principalmente na eficiência fotoquímica do fotossistema II (PSII), na concentração dos pigmentos fotossintéticos e açúcares solúveis; diminuindo a concentração de CFT e da perda de eletrólitos. A nível histológico, as videiras tratadas evidenciaram uma maior concentração de ceras cuticulares solúveis foliares e com caulino a 3% as videiras apresentaram lançamentos mais compridos, maior área foliar estimada e peso seco por videira. O tratamento com silício foi o menos eficaz, uma vez que na maioria dos parâmetros avaliados apresentou resultados inferiores que as videiras controlo. No ensaio de 2012, a tendência observada no ano anterior manteve-se, com exceção da concentração das clorofilas que diminuíram nas videiras tratadas. A aplicação de calda bordalesa destacou-se pela positiva em quase todos os parâmetros. Foi desenvolvido o Curso de Formação Contínua de Professores “Será que as plantas também sofrem de stresse?”, tendo por base o tema e as metodologias deste trabalho de investigação. A aplicação prática deste trabalho pretende sensibilizar professores e alunos para esta problemática das alterações climáticas, com destaque da importância das plantas e de como elas se comportam perante o meio mais ou menos adverso.