Publicação
Couto Misto, uma República entre dois Reinos: um instrumento de desenvolvimento local ancorado no turismo
| Resumo: | Hoje em dia, há muita facilidade em obter informação o que faz com que desperte o interesse das pessoas. Isso traduz-se numa oportunidade de desenvolvimento para zonas que anteriormente os seus atractivos eram desconhecidos. O Couto Misto foi uma pequena república independente na raia fronteiriça, que agora está a tentar ser descoberta para o turismo. Três aldeias que tinham regras e privilégios muito próprios. Um estado autónomo, em que seus habitantes podiam optar pela nacionalidade, não usavam documentos de identificação pessoal, não pagavam impostos, não existiam impressos, papéis selados. Auto-governava-se firmando acordos em assembleia com todos os seus habitantes e elegia entre os seus um Juiz que exercia funções governativas, administrativas e judiciais, auxiliado por homens-bons das três aldeias. Era uma terra cheia de tesouros materiais e imateriais. A originalidade deste enclave foi a de manter a sua própria organização desvinculada das coroas portuguesa e espanhola até ao Tratado de Lisboa de 1864 e isto dá-nos uma ideia da arbitrariedade da fronteira. Uma fronteira que partia aldeias pela metade, como foi o caso de Rio de Onor. Mas, só no plano físico, pois os matrimónios mistos, a deslocação para o outro lado para trabalhar, fazer fortuna ou escapar a alguma guerra continuaram sendo algo habitual. O presente estudo perspectiva-se equacionando o significado que teve a história deste couto arraiano e utilizá-la nos nossos dias em prol das suas gentes. Deste modo, foi usado o método do estudo de caso, as técnicas de investigação aplicadas foram a pesquisa bibliográfica e o inquérito por entrevista. Confirmamos, através deste estudo que os discursos mudam mais rapidamente do que as práticas e que, ainda há muito caminho a percorrer para que a valorização e dinamização deste lugar seja uma realidade. É necessário dotar o meio rural de infra-estruturas para um adequado aproveitamento cultural e condições necessárias à prática do lazer. Estas aldeias têm uma função de utilidade pública, para que as gerações futuras tenham consciência da sua importância e valorizem esta República dos Sonhos que tantas histórias conta e que a todos nós pertence um pouco. |
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| Autores principais: | Santos, Maria Inês Moreira dos |
| Assunto: | Turismo rural Desenvolvimento local Couto misto |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Hoje em dia, há muita facilidade em obter informação o que faz com que desperte o interesse das pessoas. Isso traduz-se numa oportunidade de desenvolvimento para zonas que anteriormente os seus atractivos eram desconhecidos. O Couto Misto foi uma pequena república independente na raia fronteiriça, que agora está a tentar ser descoberta para o turismo. Três aldeias que tinham regras e privilégios muito próprios. Um estado autónomo, em que seus habitantes podiam optar pela nacionalidade, não usavam documentos de identificação pessoal, não pagavam impostos, não existiam impressos, papéis selados. Auto-governava-se firmando acordos em assembleia com todos os seus habitantes e elegia entre os seus um Juiz que exercia funções governativas, administrativas e judiciais, auxiliado por homens-bons das três aldeias. Era uma terra cheia de tesouros materiais e imateriais. A originalidade deste enclave foi a de manter a sua própria organização desvinculada das coroas portuguesa e espanhola até ao Tratado de Lisboa de 1864 e isto dá-nos uma ideia da arbitrariedade da fronteira. Uma fronteira que partia aldeias pela metade, como foi o caso de Rio de Onor. Mas, só no plano físico, pois os matrimónios mistos, a deslocação para o outro lado para trabalhar, fazer fortuna ou escapar a alguma guerra continuaram sendo algo habitual. O presente estudo perspectiva-se equacionando o significado que teve a história deste couto arraiano e utilizá-la nos nossos dias em prol das suas gentes. Deste modo, foi usado o método do estudo de caso, as técnicas de investigação aplicadas foram a pesquisa bibliográfica e o inquérito por entrevista. Confirmamos, através deste estudo que os discursos mudam mais rapidamente do que as práticas e que, ainda há muito caminho a percorrer para que a valorização e dinamização deste lugar seja uma realidade. É necessário dotar o meio rural de infra-estruturas para um adequado aproveitamento cultural e condições necessárias à prática do lazer. Estas aldeias têm uma função de utilidade pública, para que as gerações futuras tenham consciência da sua importância e valorizem esta República dos Sonhos que tantas histórias conta e que a todos nós pertence um pouco. |
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