Publicação
Narrativas de adolescentes institucionalizadas: perceções e vivências sobre a institucionalização
| Resumo: | Em Portugal, o acolhimento institucional de crianças é uma resposta social que visa a promoção e proteção de menores que vivenciam situações de perigo que comprometem o seu desenvolvimento saudável e equilibrado. Embora a institucionalização vise salvaguardar os menores de situações de perigo, procurando, ao mesmo tempo, criar condições para que estes se desenvolvam e realizem a nível pessoal e social, torna-se inquestionável e inegável o forte impacto que ela tem sobre os mesmos. Por outro lado, facilmente se depreende que viver numa instituição constitui uma mudança avassaladora na vida dos menores, podendo, por essa razão, serem atribuídos significados e sentimentos ambíguos e ambivalentes em relação à institucionalização. Assim, o presente estudo centra-se na análise das narrativas de adolescentes institucionalizadas sobre as suas perceções e vivências face à institucionalização, tendo como objetivos: a) compreender as suas perceções sobre o fenómeno da institucionalização em geral; b) perceber a forma como experienciaram o seu processo de acolhimento em instituição; c) compreender a forma como vivenciam o seu quotidiano na instituição (ou seja, perceber como é a sua vida na instituição, como lidam com as regras da mesma, se participam nas decisões e na definição do projeto de vida); d) perceber o estabelecimento de relações interpessoais dentro e fora da instituição; e) explorar que aspetos mudariam na instituição. Para a realização deste estudo foi privilegiado o estudo de caso com a aplicação da entrevista como técnica de recolha de dados. No que concerne à amostra, foi selecionado um grupo de seis adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos que, no momento, se encontram a vivenciar um processo de acolhimento institucional. Os resultados obtidos permitiram compreender que o acolhimento institucional deve ser uma medida de carácter excecional e provisório, mas que quando aplicável constitui uma possibilidade de as menores repararem e compensarem vulnerabilidades, fragilidades e desorganizações que, por hábito, caracterizam o seu contexto familiar e realidade social. Esta intervenção desenvolvida pelas instituições de acolhimento permite a (re)construção do passado e futuro destas menores, possibilitando-lhes a aprendizagem e o desenvolvimento de competências pessoais e sociais essenciais para a sua (re)integração social e construção da autonomia. Assim, embora existam estudos que revelam consequências negativas no desenvolvimento de crianças e jovens institucionalizados, com este estudo foi possível detetar que, de facto, o período inicial de acolhimento foi um momento difícil para as menores e que a ele estão associados momentos de tristeza, solidão e medo. Porém, com o passar do tempo, e muito graças às experiências positivas e às relações interpessoais existentes, a institucionalização é percecionada de outra forma. Na sua maioria, as adolescentes compreendem que a instituição lhes viabiliza o acesso a determinadas oportunidades e possibilita que tenham um desenvolvimento biopsicossocial saudável e adequado, facto que se constitui como uma mais-valia para elas e para o seu futuro |
|---|---|
| Autores principais: | Moreira, Joana Filipa Ferreira |
| Assunto: | institucionalização menores |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Em Portugal, o acolhimento institucional de crianças é uma resposta social que visa a promoção e proteção de menores que vivenciam situações de perigo que comprometem o seu desenvolvimento saudável e equilibrado. Embora a institucionalização vise salvaguardar os menores de situações de perigo, procurando, ao mesmo tempo, criar condições para que estes se desenvolvam e realizem a nível pessoal e social, torna-se inquestionável e inegável o forte impacto que ela tem sobre os mesmos. Por outro lado, facilmente se depreende que viver numa instituição constitui uma mudança avassaladora na vida dos menores, podendo, por essa razão, serem atribuídos significados e sentimentos ambíguos e ambivalentes em relação à institucionalização. Assim, o presente estudo centra-se na análise das narrativas de adolescentes institucionalizadas sobre as suas perceções e vivências face à institucionalização, tendo como objetivos: a) compreender as suas perceções sobre o fenómeno da institucionalização em geral; b) perceber a forma como experienciaram o seu processo de acolhimento em instituição; c) compreender a forma como vivenciam o seu quotidiano na instituição (ou seja, perceber como é a sua vida na instituição, como lidam com as regras da mesma, se participam nas decisões e na definição do projeto de vida); d) perceber o estabelecimento de relações interpessoais dentro e fora da instituição; e) explorar que aspetos mudariam na instituição. Para a realização deste estudo foi privilegiado o estudo de caso com a aplicação da entrevista como técnica de recolha de dados. No que concerne à amostra, foi selecionado um grupo de seis adolescentes com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos que, no momento, se encontram a vivenciar um processo de acolhimento institucional. Os resultados obtidos permitiram compreender que o acolhimento institucional deve ser uma medida de carácter excecional e provisório, mas que quando aplicável constitui uma possibilidade de as menores repararem e compensarem vulnerabilidades, fragilidades e desorganizações que, por hábito, caracterizam o seu contexto familiar e realidade social. Esta intervenção desenvolvida pelas instituições de acolhimento permite a (re)construção do passado e futuro destas menores, possibilitando-lhes a aprendizagem e o desenvolvimento de competências pessoais e sociais essenciais para a sua (re)integração social e construção da autonomia. Assim, embora existam estudos que revelam consequências negativas no desenvolvimento de crianças e jovens institucionalizados, com este estudo foi possível detetar que, de facto, o período inicial de acolhimento foi um momento difícil para as menores e que a ele estão associados momentos de tristeza, solidão e medo. Porém, com o passar do tempo, e muito graças às experiências positivas e às relações interpessoais existentes, a institucionalização é percecionada de outra forma. Na sua maioria, as adolescentes compreendem que a instituição lhes viabiliza o acesso a determinadas oportunidades e possibilita que tenham um desenvolvimento biopsicossocial saudável e adequado, facto que se constitui como uma mais-valia para elas e para o seu futuro |
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