Publicação
Prevalência de parasitas gastrointestinais em cavalos – eficácia dos protocolos de desparasitação
| Resumo: | Os equinos são suscetíveis de sofrerem infeções parasitárias, dependendo estas do clima, da região geográfica, do maneio, da nutrição dos animais, da espécie de parasita, do seu ciclo biológico, do grau de infeção, e da suscetibilidade do hospedeiro. Atualmente encontram-se reconhecidas uma ampla variedade de espécies de helmintes parasitas de equinos, muitas consideradas de virulência elevada, que após infeção do hospedeiro são responsáveis por provocar uma diminuição da vitalidade e produtividade, bem como do desenvolvimento e crescimento do animal. No intuito de combater as helmintoses é recomendável o planeamento de programas de desparasitação, que permitam manter níveis baixos e controlados de carga parasitária no equino, sempre considerando que a utilização indiscriminada de fármacos anti-helmínticos promove o aparecimento de resistências aos mesmos. De modo a identificar a presença de helmintes gastrointestinais em cavalos, bem como estudar a eficácia dos anti-helmínticos utilizados, o presente estudo resultou do estágio curricular em clínica de equinos, realizado entre 28 de setembro de 2020 e 31 de julho de 2021, na província de Zamora, Espanha. Para o efeito foram recolhidas amostras fecais de cavalos de diferentes raças, sexo, idade e maneio. As amostras recolhidas foram posteriormente analisadas no Laboratório do Hospital Equino Veterinário AgroDiegoSL. No presente estudo, foram examinados 50 cavalos incluídos em dois grupos distintos, dependendo do maneio e localização geográfica. No Grupo 1, foram incluídos 28 cavalos mantidos em permanente estabulação nas instalações do Centro Hípico Equus Duri, em Zamora. No Grupo 2 foram agrupados 22 cavalos, provenientes de diversas localidades da província de Zamora, criados e mantidos em regime de maneio extensivo ao longo de todo o ano. As amostras fecais, recolhidas da ampola retal de cada um dos 50 animais, foram analisadas segundo técnicas coproparasitológicas qualitativas e quantitativas, pelo método de Wills-Mollay e pelo Método de McMaster, respetivamente, tendo sido apenas identificados nas amostras fecais ovos de helmintes pertencentes à família Strongylidae. Posteriormente, e através do teste de redução da contagem de ovos fecais (TRCOF), foi avaliada a eficácia dos anti-helmínticos comerciais, constituídos pelo princípio ativo ivermectina, utilizados para cada um dos grupos de cavalos, nomeadamente o Animec® 18,7 mg/g, administrado por via oral aos equinos do Grupo1, e o Ivertin 10 mg/ml, solução oral utilizada para os animais do Grupo 2. Do total dos 50 cavalos analisados, 41 animais (82%) apresentaram presença de parasitas gastrointestinais; 29 animais (58%) evidenciaram infeções parasitárias elevadas, com contagem de ovos fecais (COF) superior a 500 ovos por grama de fezes (OPG), sendo que os equinos em regimes de criação e maneio extensivo, demonstraram ser os mais acometidos pelo parasitismo gastrointestinal por estrongilídeos. Com base nos valores individuais dos 50 cavalos estudados, foi calculada a média percentual do Grupo 1 e do Grupo 2 para o TRCOF, os quais demonstraram uma eficácia de 100% na eliminação da excreção de ovos de estrongilídeos para a ivermectina oral a 1,87% (Animec 18,7 mg/g® ) administrada aos animais do Grupo 1, e uma eficácia de 96,45% (intervalo de confiança [IC] 95%: 93,62%-98,02%) para a ivermectina oral a 10mg/ml (Ivertin 10mg/ml® ) utilizada nos cavalos do Grupo 2. No Grupo 2, o TRCOF calculado de forma individual para cada animal, 14 dias após a desparasitação, apresentou valores de 100% para 12 animais deste grupo, assim como, valores de: 96% para um animal, 95% para três equinos, 94% para três cavalos, 91% para um animal, 90% para um equino e 86% para um animal. Com base nestes valores individuais foi calculada a média percentual do Grupo 2 para o TRCOF (média de 96,45%), concluindo-se uma eficácia de 96,45% para a ivermectina oral a 10mg/ml (Ivertin 10mg/ml® ), na eliminação da excreção de ovos de estrongilídeos dos animais pertencentes ao Grupo 2. Com a realização do presente estudo foi possível contribuir para uma melhor caracterização da prevalência das espécies parasitárias gastrointestinais no efetivo equino da cidade e província de Zamora, tornando-se indispensável a realização de exames coproparasitológicos de rotina de forma a garantir um desejável nível de eficácia do princípio ativo administrado em cada situação. Importa realçar também que o tratamento antihelmíntico deve ser sempre associado a medidas profiláticas e de controlo baseadas nos estudos fenológicos das diversas espécies parasitárias existentes, como também alertar e orientar os proprietários para a adopção de técnicas de maneio preventivo, mantendo a sanidade, bem-estar e desempenho dos animais. |
|---|---|
| Autores principais: | Teles, Dinis António Pimentel |
| Assunto: | cavalos doenças parasitárias |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da UTAD |
| Resumo: | Os equinos são suscetíveis de sofrerem infeções parasitárias, dependendo estas do clima, da região geográfica, do maneio, da nutrição dos animais, da espécie de parasita, do seu ciclo biológico, do grau de infeção, e da suscetibilidade do hospedeiro. Atualmente encontram-se reconhecidas uma ampla variedade de espécies de helmintes parasitas de equinos, muitas consideradas de virulência elevada, que após infeção do hospedeiro são responsáveis por provocar uma diminuição da vitalidade e produtividade, bem como do desenvolvimento e crescimento do animal. No intuito de combater as helmintoses é recomendável o planeamento de programas de desparasitação, que permitam manter níveis baixos e controlados de carga parasitária no equino, sempre considerando que a utilização indiscriminada de fármacos anti-helmínticos promove o aparecimento de resistências aos mesmos. De modo a identificar a presença de helmintes gastrointestinais em cavalos, bem como estudar a eficácia dos anti-helmínticos utilizados, o presente estudo resultou do estágio curricular em clínica de equinos, realizado entre 28 de setembro de 2020 e 31 de julho de 2021, na província de Zamora, Espanha. Para o efeito foram recolhidas amostras fecais de cavalos de diferentes raças, sexo, idade e maneio. As amostras recolhidas foram posteriormente analisadas no Laboratório do Hospital Equino Veterinário AgroDiegoSL. No presente estudo, foram examinados 50 cavalos incluídos em dois grupos distintos, dependendo do maneio e localização geográfica. No Grupo 1, foram incluídos 28 cavalos mantidos em permanente estabulação nas instalações do Centro Hípico Equus Duri, em Zamora. No Grupo 2 foram agrupados 22 cavalos, provenientes de diversas localidades da província de Zamora, criados e mantidos em regime de maneio extensivo ao longo de todo o ano. As amostras fecais, recolhidas da ampola retal de cada um dos 50 animais, foram analisadas segundo técnicas coproparasitológicas qualitativas e quantitativas, pelo método de Wills-Mollay e pelo Método de McMaster, respetivamente, tendo sido apenas identificados nas amostras fecais ovos de helmintes pertencentes à família Strongylidae. Posteriormente, e através do teste de redução da contagem de ovos fecais (TRCOF), foi avaliada a eficácia dos anti-helmínticos comerciais, constituídos pelo princípio ativo ivermectina, utilizados para cada um dos grupos de cavalos, nomeadamente o Animec® 18,7 mg/g, administrado por via oral aos equinos do Grupo1, e o Ivertin 10 mg/ml, solução oral utilizada para os animais do Grupo 2. Do total dos 50 cavalos analisados, 41 animais (82%) apresentaram presença de parasitas gastrointestinais; 29 animais (58%) evidenciaram infeções parasitárias elevadas, com contagem de ovos fecais (COF) superior a 500 ovos por grama de fezes (OPG), sendo que os equinos em regimes de criação e maneio extensivo, demonstraram ser os mais acometidos pelo parasitismo gastrointestinal por estrongilídeos. Com base nos valores individuais dos 50 cavalos estudados, foi calculada a média percentual do Grupo 1 e do Grupo 2 para o TRCOF, os quais demonstraram uma eficácia de 100% na eliminação da excreção de ovos de estrongilídeos para a ivermectina oral a 1,87% (Animec 18,7 mg/g® ) administrada aos animais do Grupo 1, e uma eficácia de 96,45% (intervalo de confiança [IC] 95%: 93,62%-98,02%) para a ivermectina oral a 10mg/ml (Ivertin 10mg/ml® ) utilizada nos cavalos do Grupo 2. No Grupo 2, o TRCOF calculado de forma individual para cada animal, 14 dias após a desparasitação, apresentou valores de 100% para 12 animais deste grupo, assim como, valores de: 96% para um animal, 95% para três equinos, 94% para três cavalos, 91% para um animal, 90% para um equino e 86% para um animal. Com base nestes valores individuais foi calculada a média percentual do Grupo 2 para o TRCOF (média de 96,45%), concluindo-se uma eficácia de 96,45% para a ivermectina oral a 10mg/ml (Ivertin 10mg/ml® ), na eliminação da excreção de ovos de estrongilídeos dos animais pertencentes ao Grupo 2. Com a realização do presente estudo foi possível contribuir para uma melhor caracterização da prevalência das espécies parasitárias gastrointestinais no efetivo equino da cidade e província de Zamora, tornando-se indispensável a realização de exames coproparasitológicos de rotina de forma a garantir um desejável nível de eficácia do princípio ativo administrado em cada situação. Importa realçar também que o tratamento antihelmíntico deve ser sempre associado a medidas profiláticas e de controlo baseadas nos estudos fenológicos das diversas espécies parasitárias existentes, como também alertar e orientar os proprietários para a adopção de técnicas de maneio preventivo, mantendo a sanidade, bem-estar e desempenho dos animais. |
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